O quadrinista baiano Hugo Canuto prepara um novo livro da série Contos dos Orixás, dedicado a Yemanjá. Yemanjá, a Mãe das Águas sai no início de 2027 pela editora Trem Fantasma, com ilustrações de Marília Marz. Antes disso, Canuto leva a série para a China: ele integra a delegação brasileira na Feira Internacional do Livro Infantil de Xangai, de 13 a 15 de novembro.
Os anúncios foram feitos em entrevista ao Bahia Notícias no primeiro dia da FLICA 2026, a Festa Literária Internacional de Cachoeira, no Recôncavo baiano, na quinta-feira (5). “Estou há um ano trabalhando nesse quadrinho. É uma nova trajetória da coleção ‘Contos dos Orixás'”, disse o autor.
O livro apresenta Yemanjá, orixá das águas no Candomblé e na Umbanda, em três dimensões: rainha, mãe e divindade. Quem desenha é Marília Marz, chargista da Folha de S.Paulo e autora de Indivisível, quadrinho sobre a memória negra do bairro da Liberdade, em São Paulo. Formato, número de páginas e preço ainda não foram divulgados.
Em Xangai, Canuto vai apresentar Tales of the Orishas, a edição em inglês de Contos dos Orixás, publicada em 2023 pela Abrams ComicArts, nos Estados Unidos, em volume de capa dura com 112 páginas.
Sobre a série Contos dos Orixás
Contos dos Orixás começou em 2016 e transforma narrativas da tradição iorubá, trazidas ao Brasil por africanos escravizados e preservadas no Candomblé, em histórias de aventura com orixás no lugar de super-heróis. O traço presta homenagem aos quadrinhos de super-heróis desenhados por Jack Kirby nos anos 1960. A série soma cerca de 30 mil exemplares impressos, entre três livros, três artbooks e a edição internacional, e um exemplar faz parte do acervo do Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana, do Smithsonian, em Washington.
Canuto, que nasceu em Salvador e é arquiteto de formação, é adepto do Candomblé e liga o trabalho à cultura baiana. “Se hoje comemos acarajé, nos vestimos de branco às sextas-feiras e temos uma música e um ritmo tão característicos, é por conta desse alicerce cultural africano”, afirmou ao Bahia Notícias. “Trazer as histórias dos Orixás para os quadrinhos é mais uma manifestação dessa herança.”
O autor diz ver os quadrinhos como “uma linguagem inovadora e universal, conhecida da Argentina ao Japão”, e trata a série também como forma de combater o racismo e a intolerância religiosa. A obra recebeu o Troféu Angelo Agostini, o Glyph Awards e, em 2026, o Troféu HQ Mix na categoria Relevância Internacional. Também foi indicada ao Prêmio Jabuti e ao Dwayne McDuffie Award, prêmio americano dedicado à diversidade nos quadrinhos.
Além de Contos dos Orixás, Canuto criou a série A Canção de Mayrube, uma fantasia épica.
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