O agente da Polícia Federal que chefiou a carceragem da Superintendência da PF em Curitiba durante a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva transformou em livro o diário que manteve naqueles 580 dias. Banho de Sol, de Jorge Chastalo Filho, sai pela WMF Martins Fontes com 592 páginas, e a editora decidiu segurar o lançamento até o fim das eleições de outubro para evitar que o livro fosse usado como peça política ou instrumento de campanha.
Lula ficou preso na sede da PF de 7 de abril de 2018 a 8 de novembro de 2019, depois da condenação no caso do triplex do Guarujá, na Operação Lava Jato. Saiu quando o Supremo Tribunal Federal (STF) mudou o entendimento sobre a prisão após condenação em segunda instância. Em 2021, o STF anulou as condenações. Chastalo liderava a equipe responsável pelas demandas diárias da carceragem e foi, segundo a sinopse da editora, a pessoa que mais conviveu com o preso ao longo de um ano e sete meses.
O livro segue a ordem dos dias e começa antes da chegada de Lula. O agente registra os três dias de planejamento e os quatro planos preparados para a transferência. “Naqueles dias, não acreditávamos que Lula realmente seria preso”, escreve. No voo de 15 minutos de helicóptero entre o aeroporto Afonso Pena e a sede da PF, a frequência de rádio captou mensagens como “joguem esse lixo pela janela”, e o piloto pediu respeito ao trabalho da equipe.
A rotina da cela aparece em detalhes: uma cama de solteiro, uma mesa de alumínio, uma cadeira, um armário antigo e duas janelas com grades que abriam apenas dez centímetros. O primeiro banho de sol, que dá título ao livro, veio no quarto dia, num pátio cercado por paredes de dois metros que antes servia de área de fumantes; Lula comparou o lugar a uma jaula. No segundo dia, Chastalo pediu comida de um restaurante da região: “Não pela qualidade da comida da PF, mas por cuidado mesmo. Imaginei a possibilidade de alguém querer envenenar sua comida”.
O diário também registra os episódios mais duros do período, como a morte do neto Arthur, de sete anos, em março de 2019, quando Lula teve autorização para ir ao enterro, e o pedido negado para acompanhar o velório do irmão Vavá, semanas antes. Entre os poucos pedidos do preso, o agente anotou uma bola de futebol para brincar com o neto nas visitas. As conversas, conta, “quase sempre foram sobre política”, e “são poucas as confissões que guardei”.
O projeto chegou à editora pelo jornalista Juca Kfouri, que conheceu Chastalo numa visita a Lula em 2019 e depois o entrevistou para a TVT. A edição ficou com o jornalista Lino Bocchini, que cortou trechos do original e tirou o excesso de jargão policial. “Tivemos que adaptar para o leitor comum e dar um jeito de não ficar excessivamente grande”, disse Bocchini ao Brasil 247.
Banho de Sol já está à venda, por R$ 79,90 no preço de capa informado pela livraria Martins Fontes Paulista.
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