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Revista Literatura Online

Julio Cortázar escreveu mais de mil poemas, e dois de seus livros de poesia chegam ao Brasil em dezembro

Companhia das Letras lança em 15 de dezembro Poesia, volume que reúne Pameos e meopas (1971) e Salvo o crepúsculo (1984), de Julio Cortázar, com tradução de Paloma Vidal.

Montagem com duas capas de livros de Julio Cortázar e um retrato do escritor. À esquerda está a capa de Pameos y meopas, da Nórdica Libros, com um desenho em giz de duas figuras com coroas de louros: uma, de rosa, toca saxofone, e a outra, de azul, toca lira. No centro está a capa de Salvo el crepúsculo, da Alfaguara, com uma caveira em gravura e flores coloridas sobre os olhos. À direita, uma foto em preto e branco de Cortázar, com cabelo escuro penteado para trás, cigarro na boca, paletó e gravata, olhando para a câmera. Ampliar a imagem de destaque
A Companhia das Letras lança em 15 de dezembro Poesia, que reúne Pameos e meopas e Salvo o crepúsculo, de Julio Cortázar. Foto: Sara Facio/Wikimedia Commons. Capas: Reprodução/Nórdica Libros e Reprodução/Alfaguara

A Companhia das Letras lança em 15 de dezembro o primeiro livro de poemas de Julio Cortázar publicado no Brasil. Poesia reúne Pameos e meopas, de 1971, e Salvo o crepúsculo, de 1984, os dois principais livros de versos do autor argentino, em tradução de Paloma Vidal. A obra já está em pré-venda.

Conhecido no país pelos contos e por O jogo da amarelinha, Cortázar escreveu poesia a vida inteira. Segundo a página do livro no site da editora, ele deixou mais de mil poemas e dedicou um extenso volume à vida e à obra do poeta inglês John Keats no início dos anos 1950.

A edição tem 312 páginas e custa R$ 89,90, com capa de Elaine Ramos. A versão em e-book também está prevista.

Pameos e meopas foi o primeiro livro de poemas que Cortázar publicou depois da estreia, em 1938, com Presencia, um volume de sonetos que saiu com tiragem de 250 exemplares e assinado com o pseudônimo Julio Denis. Os versos de 1971 estão divididos em seis partes, cada uma marcada com cidades e anos. A maior parte foi escrita nos anos 1950, entre Buenos Aires e Paris, com passagens por Roma e Havana.

Salvo o crepúsculo é o livro póstumo. Cortázar o organizou antes de morrer, em Paris, em 12 de fevereiro de 1984, e a obra saiu no mesmo ano. Mistura poemas de épocas diferentes com trechos em prosa, numa espécie de depoimento do autor sobre a própria relação com a poesia. A editora destaca a variedade de formas, que vai dos sonetos aos poemas visuais, e cita um dos versos da tradução: “Falo de mim, qualquer um se dá conta,/ mas eu já levo um tempo (sempre o tempo)/ sabendo que em mim está você também”.

A tradutora, Paloma Vidal, nasceu em Buenos Aires e cresceu no Rio de Janeiro. É escritora, autora do romance Algum lugar, e professora de teoria literária na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

No mundo hispânico, a poesia de Cortázar ganhou uma reunião completa em março de 2025, quando a Alfaguara publicou Poesía completa, com toda a poesia do autor publicada até então e poemas inéditos. A edição brasileira é menor: traz só os dois livros que o próprio Cortázar organizou.

O volume amplia a obra do argentino disponível na Companhia das Letras, que já publica O jogo da amarelinha, na tradução de Eric Nepomuceno, Bestiário, de 1951, e Todos os contos, caixa em dois volumes com traduções de Heloisa Jahn e Josely Vianna Baptista, vencedora do Prêmio Jabuti na categoria Tradução. Nascido em 1914 em Ixelles, na Bélgica, filho de argentinos, Cortázar viveu na França desde 1951 e é autor de contos como “Casa tomada” e “Carta a uma senhorita em Paris”.

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