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Revista Literatura Online

Carcereiro de Lula em Curitiba lança diário dos 580 dias, e a editora segurou o livro até o fim da eleição

Agente da PF que chefiou a carceragem lança pela WMF Martins Fontes o diário dos 580 dias de prisão de Lula.

Montagem dividida ao meio. À esquerda está a capa cinza-azulada do livro Banho de Sol: Os 580 dias de Lula na prisão, de Jorge Chastalo Filho, da WMF Martins Fontes, com título e nome do autor em letras pretas. No centro da capa há uma pequena foto em preto e branco de Lula de terno ao lado de um agente da Polícia Federal fardado. À direita, uma foto colorida de Lula, de cabelo e barba brancos e camiseta regata escura, sorrindo enquanto faz exercício num aparelho de academia. Ampliar a imagem de destaque
Banho de Sol, diário do agente da PF que chefiou a carceragem durante a prisão de Lula em Curitiba, chega às livrarias pela WMF Martins Fontes. Foto: Ricardo Stuckert/PR/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0). Capa: Reprodução/WMF Martins Fontes

O agente da Polícia Federal que chefiou a carceragem da Superintendência da PF em Curitiba durante a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva transformou em livro o diário que manteve naqueles 580 dias. Banho de Sol, de Jorge Chastalo Filho, sai pela WMF Martins Fontes com 592 páginas, e a editora decidiu segurar o lançamento até o fim das eleições de outubro para evitar que o livro fosse usado como peça política ou instrumento de campanha.

Lula ficou preso na sede da PF de 7 de abril de 2018 a 8 de novembro de 2019, depois da condenação no caso do triplex do Guarujá, na Operação Lava Jato. Saiu quando o Supremo Tribunal Federal (STF) mudou o entendimento sobre a prisão após condenação em segunda instância. Em 2021, o STF anulou as condenações. Chastalo liderava a equipe responsável pelas demandas diárias da carceragem e foi, segundo a sinopse da editora, a pessoa que mais conviveu com o preso ao longo de um ano e sete meses.

O livro segue a ordem dos dias e começa antes da chegada de Lula. O agente registra os três dias de planejamento e os quatro planos preparados para a transferência. “Naqueles dias, não acreditávamos que Lula realmente seria preso”, escreve. No voo de 15 minutos de helicóptero entre o aeroporto Afonso Pena e a sede da PF, a frequência de rádio captou mensagens como “joguem esse lixo pela janela”, e o piloto pediu respeito ao trabalho da equipe.

A rotina da cela aparece em detalhes: uma cama de solteiro, uma mesa de alumínio, uma cadeira, um armário antigo e duas janelas com grades que abriam apenas dez centímetros. O primeiro banho de sol, que dá título ao livro, veio no quarto dia, num pátio cercado por paredes de dois metros que antes servia de área de fumantes; Lula comparou o lugar a uma jaula. No segundo dia, Chastalo pediu comida de um restaurante da região: “Não pela qualidade da comida da PF, mas por cuidado mesmo. Imaginei a possibilidade de alguém querer envenenar sua comida”.

O diário também registra os episódios mais duros do período, como a morte do neto Arthur, de sete anos, em março de 2019, quando Lula teve autorização para ir ao enterro, e o pedido negado para acompanhar o velório do irmão Vavá, semanas antes. Entre os poucos pedidos do preso, o agente anotou uma bola de futebol para brincar com o neto nas visitas. As conversas, conta, “quase sempre foram sobre política”, e “são poucas as confissões que guardei”.

O projeto chegou à editora pelo jornalista Juca Kfouri, que conheceu Chastalo numa visita a Lula em 2019 e depois o entrevistou para a TVT. A edição ficou com o jornalista Lino Bocchini, que cortou trechos do original e tirou o excesso de jargão policial. “Tivemos que adaptar para o leitor comum e dar um jeito de não ficar excessivamente grande”, disse Bocchini ao Brasil 247.

Banho de Sol já está à venda, por R$ 79,90 no preço de capa informado pela livraria Martins Fontes Paulista.

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