Pular para o conteúdo

Revista

Curiosidades

Ursinho Pooh faz 100 anos: a ursa de Winnipeg e o menino de verdade que deram origem ao personagem

No centenário de Winnie-the-Pooh, a história da ursa Winnipeg e dos brinquedos de Christopher Robin.

Montagem em três partes. À esquerda, foto antiga em preto e branco de um soldado de uniforme que segura pela corrente uma filhote de urso preto em pé, apoiada na mão dele. No centro, a capa de Winnie the Pooh, com o urso e o Leitão de costas caminhando por uma colina em aquarela. À direita, um urso de pelúcia gasto sentado numa vitrine de biblioteca, diante de um livro aberto. Ampliar a imagem de destaque
O capitão Harry Colebourn com a ursa Winnipeg, uma edição de Winnie the Pooh e o urso de pelúcia de Christopher Robin. Imagens: CTV News/Alex Karpa; Reprodução; wallyg/Flickr (CC BY-NC-ND 2.0)

O Ursinho Pooh completou 100 anos nesta quarta-feira (14). O livro Winnie-the-Pooh, do escritor inglês A. A. Milne, com ilustrações de E. H. Shepard, chegou às livrarias em 14 de outubro de 1926, e o personagem tem origem em dois seres bem reais: um urso de pelúcia que pertencia a Christopher Robin, filho do autor, e uma ursa canadense chamada Winnipeg, que vivia no zoológico de Londres e deixava as crianças brincarem com ela.

O nome junta as duas histórias. “Winnie” vem da ursa, que o menino adorava visitar. “Pooh” era o nome que Christopher Robin dava a um cisne, como o próprio Milne explica na introdução do livro. Boa parte dos amigos do urso, como o Leitão e o Ió, também saiu do quarto de brinquedos do menino.

A ursa que foi mascote de um regimento canadense

A ursa Winnipeg foi comprada em 1914 por 20 dólares pelo veterinário canadense Harry Colebourn, numa parada de trem em White River, no estado de Ontário, a caminho do treinamento militar da Primeira Guerra Mundial. Ele deu à filhote o nome de sua cidade natal, Winnipeg, e ela virou mascote da 2ª Brigada de Infantaria Canadense.

Foto antiga em preto e branco do capitão Harry Colebourn, de uniforme militar, diante de uma barraca de lona, com a filhote de urso preto Winnipeg em pé, presa por uma corrente e segurando a mão dele.
O capitão Harry Colebourn com a ursa Winnipeg, que inspirou o nome do Ursinho Pooh. Foto: CTV News/Alex Karpa

Antes de seguir para a frente de batalha na França, Colebourn deixou a ursa no zoológico de Londres. Depois da guerra, desistiu de levá-la de volta ao Canadá, porque ela tinha se tornado uma das atrações mais queridas do lugar. Winnie viveu ali até morrer, em 1934, aos 20 anos.

Era uma ursa tão mansa que o zoológico deixava crianças brincarem com ela. “Christopher Robin se apaixonou por ela, uma ursinha preta, porque ela era extremamente dócil e conhecida por deixar as crianças montarem nas suas costas”, contou à emissora canadense CTV Lindsay Mattick, bisneta de Colebourn, em reportagem sobre o centenário (em tradução livre). Mattick escreveu dois livros sobre a história do bisavô. Em Winnipeg, uma estátua de Colebourn com a ursa foi instalada no Assiniboine Park em 1992, e o mesmo parque mantém desde 2012 uma galeria dedicada ao Pooh.

O urso de pelúcia de Christopher Robin

O Pooh original é um ursinho de pelúcia da marca Farnell, com cerca de 50 centímetros, comprado na loja de departamentos Harrods, em Londres, em 1921, para o primeiro aniversário de Christopher Robin. No começo, o brinquedo se chamava Edward Bear. Na introdução de Winnie-the-Pooh, Milne conta que o filho, quando o urso pediu “um nome emocionante só para ele”, respondeu na hora que ele era Winnie-the-Pooh.

Na mesma introdução, o autor descreve as visitas do filho ao zoológico: o menino corre até a jaula especial e se joga nos braços de “algo marrom e peludo”. Em seguida, Milne brinca que a família já não lembra se Winnie foi batizada por causa de Pooh ou Pooh por causa de Winnie.

Os brinquedos que inspiraram os personagens existem até hoje. Em 1947, Milne, com o consentimento do filho já adulto, emprestou a coleção à sua editora nos Estados Unidos para uma turnê de divulgação. Quarenta anos depois, a editora doou os bichos de pelúcia à Biblioteca Pública de Nova York, onde estão expostos. Para o centenário, a biblioteca montou uma exposição com provas do texto, ilustrações de Shepard e traduções dos livros, segundo a LA Magazine. Ela mostra pela primeira vez um novo Guru, presente da rainha Camilla, do Reino Unido, em 2026: o original se perdeu num pomar inglês nos anos 1930.

O urso de pelúcia original de Christopher Robin, de pelo dourado gasto, sentado numa vitrine forrada de verde na Biblioteca Pública de Nova York, diante de um exemplar aberto de The House at Pooh Corner.
O urso de pelúcia que inspirou o Ursinho Pooh, exposto na Biblioteca Pública de Nova York. Foto: wallyg/Flickr (CC BY-NC-ND 2.0)

Christopher Robin Milne (1920-1996) teve uma relação ambígua com a fama do personagem que levava seu nome. Adulto, abriu uma livraria em Dartmouth, no sul da Inglaterra, e em 1974 publicou o livro de memórias The Enchanted Places, sobre a infância que os livros do pai tornaram pública.

Da Disney ao domínio público no Brasil em 2027

O Tigrão só apareceu no segundo livro de histórias, The House at Pooh Corner, de 1928. A partir de 1930, Milne vendeu parte dos direitos comerciais ao agente americano Stephen Slesinger, e em 1961 a Disney passou a licenciar o personagem. Foi o estúdio que criou a camiseta vermelha e a versão do ursinho que a maioria dos brasileiros conhece, e essas criações continuam protegidas como obras da Disney.

O livro de 1926 entrou em domínio público nos Estados Unidos em janeiro de 2022, pela regra americana de 95 anos a partir da publicação. A mudança permitiu, por exemplo, o filme de terror Ursinho Pooh: Sangue e Mel, lançado em 2023. No Brasil, a conta é outra: a Lei de Direitos Autorais protege a obra por 70 anos contados a partir de 1º de janeiro do ano seguinte à morte do autor. Como Milne morreu em 1956, os textos do Pooh entram em domínio público no Brasil em 1º de janeiro de 2027, como explicou a advogada Fernanda Soler na Consultor Jurídico. As ilustrações seguem outra regra: E. H. Shepard morreu em 1976, e seus desenhos continuam protegidos por mais tempo.

Viu um erro ou tem uma informação que complementa esta matéria? Fale com a redação.

Comentários

Seja o primeiro a comentar

Os comentários da Revista são feitos com a conta do Literatura Online: a mesma, gratuita, que guarda seu progresso de leitura.