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Lee Child apoia campanha que vai levar quase meio milhão de livros às prisões do Reino Unido

Campanha da Reading Agency com apoio de Lee Child distribui quase meio milhão de livros em prisões do Reino Unido.

Montagem. À esquerda, uma mulher de uniforme prisional laranja, com cabelo escuro e tatuagens, lê um livro grosso sentada numa cama, numa cela de paredes de blocos de concreto. À direita, o escritor Lee Child, de cabelo ruivo-claro curto e camiseta preta, olha para a câmera. Ampliar a imagem de destaque
Lee Child, autor da série Jack Reacher, é o primeiro "laureado de leitura nas prisões" do Reino Unido. Foto de Lee Child: Mark Coggins (CC BY 2.0, adaptada)

O escritor britânico Lee Child, autor dos thrillers de Jack Reacher, apoia uma campanha que vai distribuir quase meio milhão de livros em prisões do Reino Unido neste outono europeu. A iniciativa da instituição Reading Agency prevê um livro para cada cela das prisões da Inglaterra, do País de Gales, da Escócia e da Irlanda do Norte, além de exemplares para as bibliotecas das unidades, informou o jornal The Guardian.

Child é o primeiro “laureado de leitura nas prisões” do Reino Unido, cargo criado pelo governo britânico para defender a alfabetização como forma de evitar que ex-presos voltem ao crime. Segundo o anúncio oficial do governo, mais de dois terços dos presos chegam à prisão com nível de leitura abaixo do exigido no GCSE, exame que os estudantes britânicos fazem por volta dos 16 anos, e muitos leem no nível do ensino primário.

A campanha faz parte do programa Quick Reads, que publica livros curtos de autores conhecidos para leitores adultos com pouca prática de leitura. Serão distribuídos exemplares de 11 títulos, escolhidos com a participação de presos e de funcionários das prisões. A lista inclui suspense, memórias, bem-estar e um guia de escrita criativa:

  • High Heat, novela de Lee Child com Jack Reacher;
  • Cell One, thriller de Leye Adenle ambientado em Lagos, na Nigéria;
  • Darkness Rising, de A.A. Dhand, da série do detetive Harry Virdee;
  • My Name Is Why, livro de memórias do poeta Lemn Sissay;
  • Today Everything Changes, de Andy McNab, e The Mind Manual, de Alex George.

Child disse ao Guardian que o objetivo é atacar a “porta giratória” do sistema prisional, quando a pessoa deixa a prisão, não consegue se manter do lado de fora e volta. “Se conseguirmos impedir que um em cada dez volte, isso já seria uma grande conquista”, afirmou (em tradução livre). “Seria bom para a sociedade como um todo, não só para aquele preso e para o seu futuro empregador.”

Segundo o escritor, a dificuldade de leitura se soma ao estigma da condenação na hora de procurar trabalho e atrapalha tarefas básicas. “Você não consegue ler um contrato se quiser alugar um apartamento; não consegue lidar com contas de consumo se não conseguir ler os avisos oficiais”, disse. Child contou que fez de 30 a 40 visitas a prisões e que muitos presos que não leem dizem ter achado chatos os livros da escola. “São livros de verdade, de contadores de histórias de verdade, e não há nada de simples ou infantil neles. Eles só são curtos.”

Ele também rebateu a crítica de que ações desse tipo seriam brandas demais. “O problema da reação pública a esse tipo de coisa é dizer, por reflexo, que é ser mole com o crime. Meu ponto é que não: é ser duro com o crime”, afirmou. A Reading Agency vai promover ainda oficinas com autores, atividades de escrita criativa e conteúdo para a National Prison Radio, a rádio feita dentro das prisões britânicas. O projeto é financiado pela Henry Smith Foundation.

No Brasil, a leitura na prisão tem efeito direto sobre a pena. Pela Resolução 391/2021 do Conselho Nacional de Justiça, cada livro lido e comprovado com um relatório de leitura reduz a pena em quatro dias, com limite de 12 livros por ano, ou 48 dias, segundo o CNJ. O relatório é avaliado pela Vara de Execuções Penais ou por uma comissão indicada por ela.

Lee Child, nascido em Coventry, na Inglaterra, em 1954, publicou o primeiro livro de Jack Reacher em 1997. No Brasil, os romances da série saem pela Bertrand Brasil. O personagem, um ex-policial militar do Exército americano que vive sem endereço fixo, foi vivido por Tom Cruise nos filmes Jack Reacher: O Último Tiro (2012) e Jack Reacher: Sem Retorno (2016) e por Alan Ritchson na série Reacher, do Prime Video.

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