Pular para o conteúdo

Revista Literatura Online

Razão e Sensibilidade chega aos cinemas do Brasil nesta quinta com um beijo que Jane Austen não escreveu

Nova adaptação do romance de Jane Austen estreia no Brasil em 29/10; críticas apontam tom mais contido, sátira atenuada e um beijo que não está no livro.

Cena do filme Razão e Sensibilidade com Daisy Edgar-Jones e George MacKay abraçados, testa com testa e olhos baixos, num momento de intimidade. Ela tem cabelos castanhos longos e ondulados, presos numa trança solta e desarrumados pelo vento, e veste roupas escuras de época. Ele tem cabelo castanho ondulado e usa casaco marrom sobre camisa clara de gola alta. O fundo é claro e liso. Ampliar a imagem de destaque
Daisy Edgar-Jones e George MacKay vivem Elinor Dashwood e Edward Ferrars na nova adaptação de Razão e Sensibilidade, que estreia no Brasil nesta quinta-feira (29). Imagem: Reprodução/Universal Pictures

A nova adaptação de Razão e Sensibilidade, romance de Jane Austen, estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (29), com distribuição da Universal Pictures. Quem leu o livro vai encontrar a mesma história com mudanças de tom e de foco: a diretora britânica Georgia Oakley põe a relação entre as irmãs Elinor e Marianne Dashwood no centro, suaviza a sátira social de Austen e inclui um beijo que o romance não descreve.

Daisy Edgar-Jones, da série Normal People, vive Elinor, a irmã mais velha e contida. Esmé Creed-Miles faz Marianne, a caçula impulsiva. O elenco tem ainda George MacKay como Edward Ferrars, Caitríona Balfe como a sra. Dashwood, Frank Dillane como John Willoughby, Herbert Nordrum como o coronel Brandon e Fiona Shaw como a sra. Jennings. O roteiro é da escritora australiana Diana Reid, e a produção é da Working Title, a mesma de Orgulho e Preconceito (2005).

O filme tem 2 horas e 12 minutos e classificação indicativa de 10 anos. No Reino Unido, está em cartaz desde 25 de setembro; nos Estados Unidos, estreou em 16 de outubro. A data brasileira foi confirmada pela Universal no fim de setembro, quando a produção ganhou o segundo trailer.

O que o filme muda no livro de Jane Austen

A trama segue a do romance. Com a morte do pai, as irmãs Dashwood perdem a casa da família, que pelas regras de herança da época passa ao meio-irmão John, e se mudam com a mãe e a irmã Margaret para um chalé modesto em Devonshire. Lá, Marianne se apaixona por Willoughby, enquanto Elinor esconde o que sente por Edward, irmão da cunhada.

As críticas publicadas no Reino Unido e nos Estados Unidos apontam que as diferenças estão menos no enredo e mais no tratamento. William Bibbiani, crítico do site TheWrap, escreveu que a adaptação “conta a mesma história com apenas pequenas alterações” (em tradução livre) e que o humor do filme carrega “um fundo de tristeza”.

O crítico americano James Berardinelli, do site Reelviews, foi mais específico. Segundo ele, o filme “é, no geral, mais contido, sem se apoiar tanto no romance”, e “atenua boa parte da sátira social de Austen”. Berardinelli observa ainda que a nova versão restaura trechos do livro que o filme de 1995 tinha cortado e condensa outros. Sobre a cena mais comentada, escreveu: “O filme nos dá um beijo, o que é um a mais do que Austen registrou”.

A principal escolha de Oakley é tratar as irmãs como as protagonistas da história, com os romances em segundo plano. No livro, Elinor representa a razão do título: controla as emoções e guarda para si as decepções. Marianne é a sensibilidade, vive tudo com intensidade e se expõe. No filme, a franqueza de Marianne deixa de ser só um defeito a corrigir, e o autocontrole de Elinor também cobra um preço. A química entre as duas atrizes é um dos pontos mais elogiados pela crítica.

As outras versões de Razão e Sensibilidade

Publicado em 1811, Razão e Sensibilidade foi o primeiro romance de Jane Austen a chegar às livrarias, assinado apenas “By a Lady” (“por uma dama”). A adaptação mais conhecida é a de 1995, dirigida por Ang Lee, com Emma Thompson, Kate Winslet, Hugh Grant e Alan Rickman. Thompson escreveu o roteiro e ganhou o Oscar de roteiro adaptado. É com esse filme, e não só com o livro, que a maior parte das críticas compara a versão de Oakley, e boa parte das resenhas avalia que a nova adaptação não alcança a força emocional da anterior.

O romance também virou minissérie da BBC em 2008. Como Austen morreu em 1817, a obra está em domínio público e tem várias traduções publicadas no Brasil, o que facilita ler o livro antes ou depois da sessão.

Viu um erro ou tem uma informação que complementa esta matéria? Fale com a redação.

Comentários

Seja o primeiro a comentar

Os comentários da Revista são feitos com a conta do Literatura Online: a mesma, gratuita, que guarda seu progresso de leitura.