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DJ Dolores, nome do manguebeat, é finalista do Prêmio Jabuti com crônicas sobre o Recife

Helder Aragão, o DJ Dolores, é finalista da categoria Crônica do 68º Prêmio Jabuti com Lugares para chorar no Recife e outros (Seja Breve Edições). Vencedores saem em 27 de outubro.

Capa azul-clara do livro Lugares para chorar no Recife e outros, com título em letras pretas, ilustração de uma bailarina com guarda-chuva e de um homem alto de cartola. Ao lado, foto de um homem de óculos escuros, cabelo cacheado e barba, com camiseta clara com o logotipo "Leão Conquistador", mexendo em equipamentos de som com luz laranja ao fundo. Ampliar a imagem de destaque
DJ Dolores, finalista da categoria Crônica do 68º Prêmio Jabuti com Lugares para chorar no Recife e outros (Seja Breve Edições). Capa: divulgação, Seja Breve Edições. Foto: Instagram @djdolores.

O músico e produtor DJ Dolores está entre os cinco finalistas da categoria Crônica do 68º Prêmio Jabuti com Lugares para chorar no Recife e outros (Seja Breve Edições), seu primeiro livro. Nome ligado ao manguebeat desde o início dos anos 1990, o artista sergipano radicado no Recife reúne na obra crônicas sobre a capital pernambucana, a infância no interior de Sergipe e viagens pelo mundo.

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) divulgou os finalistas em 14 de outubro. Os vencedores serão anunciados em 27 de outubro, na Sala São Paulo, em cerimônia com transmissão ao vivo pelo canal da CBL no YouTube. Cada vencedor de categoria recebe a estatueta e R$ 5 mil; o Livro do Ano, escolhido entre os premiados, leva R$ 70 mil.

A indicação pegou o autor de surpresa. Ele nem sabia que o livro tinha sido inscrito até sair a lista de semifinalistas, no fim de setembro. “Recebi uma mensagem do editor e fiquei surpreso. Nem sabia que isso estava acontecendo”, disse em entrevista ao Diario de Pernambuco.

O livro, lançado em 2025, nasceu de postagens no Facebook em que DJ Dolores indicava os pontos da cidade mais propícios para chorar. Era uma piada, mas os leitores passaram a levar os textos a sério, e a brincadeira virou uma coleção de crônicas, o gênero de textos curtos, em geral publicados em jornal ou revista, que partem do cotidiano. Segundo o autor, a fronteira entre memória e invenção é flexível: “Algumas histórias partem de acontecimentos reais, enquanto outras ganham novos contornos a partir da maneira como me lembro delas e as transformo em texto”.

O Recife é o centro da maior parte das 160 páginas, visto por alguém que mora na cidade há décadas e ainda se diz de fora. “Eu me sinto muito protegido e abraçado pelo Recife, mas, ao mesmo tempo, ainda tenho um olhar de estrangeiro, de quem observa a cidade de fora. Acho que nunca perdi esse olhar”, contou ao jornal pernambucano. O livro também volta à infância do autor em Propriá, no interior sergipano, e a passagens no exterior vividas nas turnês como DJ e produtor.

Entre os relatos há textos de homenagem a Luiz Gonzaga, Naná Vasconcelos e Chico Science. Ao jornal, Dolores disse que não descarta adaptar o livro como minissérie e que pensa em se arriscar num romance.

DJ Dolores é o nome artístico de Helder Aragão, nascido em Propriá (SE) e morador do Recife desde os anos 1980. Ali se aproximou dos músicos que formariam o manguebeat, movimento surgido no Recife no início dos anos 1990 que misturava maracatu e outros ritmos pernambucanos com rock, hip hop e música eletrônica. Antes de ficar conhecido na música, atuou como designer da cena: com o roteirista Hilton Lacerda, assinou a capa de Da Lama ao Caos (1994), disco de estreia de Chico Science & Nação Zumbi.

Na música, comandou o grupo DJ Dolores e Orchestra Santa Massa e lançou discos como Aparelhagem (2005) e 1 Real (2008). No cinema, compôs trilhas para filmes como Narradores de Javé, O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho, e Tatuagem, de Hilton Lacerda, cuja trilha foi premiada no Festival de Cinema de Gramado. Também trabalha como roteirista, caso da websérie Enigmas do Frevo.

DJ Dolores disputa a categoria com quatro livros:

  • A sangue quente: crônicas cariocas, de Hermés Galvão (Labrador);
  • Aproveitar a vida e suas dores, de Contardo Calligaris, indicado em memória (Planeta do Brasil);
  • Histórias miseráveis, de José Castello (Maralto);
  • Viagem no país da crônica, de Humberto Werneck (Tinta-da-China Brasil).

Ao lado de Dolores, Pernambuco tem outro finalista nesta edição: Jefferson Willian Moraes de Sousa, com o projeto Pajeú Encantado, na categoria Incentivo à Leitura (Projeto). A relação completa das 23 categorias está no post sobre os finalistas do Prêmio Jabuti 2026.

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