Belém do Grão-Pará, romance que o paraense Dalcídio Jurandir publicou em 1960, ganhou sua primeira adaptação em quadrinhos. A graphic novel, feita pelo Coletivo BRT, de Belém, é digital e gratuita e já pode ser lida no site Biblioteca de Zines. O lançamento será neste sábado (24), às 18h, na Livraria Boiúna, no bairro de Batista Campos, em Belém, com um bate-papo com os autores.
A HQ adapta os 15 primeiros capítulos do romance. Felipe Garcia, fundador do coletivo, fez a adaptação do texto, e Diogo Ferreira assina as ilustrações. O projeto foi contemplado pelo edital de fomento da Política Nacional Aldir Blanc no Pará e teve apoio da Casa de Cultura Dalcídio Jurandir e da Amazônica Bookshelf.
Sobre Belém do Grão-Pará
O livro acompanha Alfredo, menino do interior do Marajó que chega a Belém para estudar e vai morar com a família Alcântara. A cidade que ele encontra vive a decadência que se seguiu ao fim do Ciclo da Borracha, e a família anfitriã sente a queda do lemismo, o grupo político do intendente Antônio Lemos, que mandou em Belém durante os anos de riqueza. A HQ reconstrói esses cenários a partir de pesquisa histórica sobre a arquitetura e os costumes da capital paraense.
Garcia contou ao jornal que o primeiro plano era adaptar outro livro do autor. “Tive acesso à literatura de Dalcídio por meio das publicações da editora Pará.Grafo. Em uma conversa com o Pio Lobato, confessei que tinha ideias para um quadrinho de Chove nos Campos de Cachoeira, e ele me disse que seria possível fazer uma adaptação se entrássemos em contato com a Casa de Cultura Dalcídio Jurandir”, afirmou. A escolha final ficou com Belém do Grão-Pará pelas “possibilidades narrativas e dramáticas” da história.
O desafio, segundo ele, foi transformar em imagem um texto voltado para dentro dos personagens. “A escrita do Dalcídio tem a particularidade de descrever de forma muito envolvente a dimensão psicológica dos personagens, mas sem necessariamente entregar diálogos e situações de maneira simples ou direta”, disse.
Nascido em 1909 em Ponta de Pedras, na ilha de Marajó, e morto em 1979 no Rio de Janeiro, Dalcídio Jurandir é o autor do Ciclo do Extremo Norte, série de dez romances que segue Alfredo e outros personagens entre o Marajó e Belém. O ciclo começa com Chove nos Campos de Cachoeira (1941), premiado num concurso da revista Dom Casmurro antes de chegar às livrarias, e termina com Ribanceira (1978). Belém do Grão-Pará é o quarto volume. Em 1972, a Academia Brasileira de Letras deu ao autor o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra.
Fora do Pará, os livros dele ficaram anos difíceis de encontrar. Nas últimas décadas, a obra voltou a circular em reedições de editoras como a Edufpa, a Marques Editora e a Pará.Grafo, que relançou parte do ciclo entre 2017 e 2019.
O Coletivo BRT surgiu em 2015 no curso de Artes Visuais da Universidade da Amazônia (Unama) e reúne quadrinistas que tratam da vida urbana de Belém a partir de um olhar nortista.
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