O livro Viver é Melhor que Sonhar: Os Últimos Caminhos de Belchior, dos jornalistas Chris Fuscaldo e Marcelo Bortoloti, volta às livrarias em 26 de outubro, dia em que o cantor e compositor cearense faria 80 anos. A segunda edição, coeditada pela Garota FM Books e pela Sonora Editora, refaz os dez anos em que Belchior se afastou da vida pública e viveu longe dos palcos, no Uruguai e no Sul do Brasil, até morrer, em 2017.
O lançamento oficial será no próprio dia 26, às 19h, na Livraria da Travessa de Botafogo, no Rio de Janeiro, com bate-papo entre os autores e o pesquisador Miguel Jost, que assina o prefácio. Uma sessão de autógrafos está marcada para 30 de outubro, às 18h, na Livraria da Travessa de Icaraí. O livro tem 248 páginas e preço sugerido de R$ 85.
O texto principal não mudou desde a primeira edição, de 2021. A novidade é um posfácio que conta o que aconteceu com a memória e o legado de Belchior desde então, além de uma orelha escrita pela cantora Ana Cañas, uma das intérpretes do repertório dele, e de uma capa nova, assinada por Renan Valadares.
O livro é uma espécie de reportagem de estrada. Entre 2017, ano da morte do cantor, e 2019, Fuscaldo e Bortoloti percorreram mais de 10 mil quilômetros e entrevistaram mais de 150 pessoas pelos lugares onde Belchior e a companheira, Edna, passaram durante o afastamento: Montevidéu, San Gregorio de Polanco e Artigas, no Uruguai; Sobral, Fortaleza, São Paulo, Porto Alegre e Santa Cruz do Sul, no Brasil. Muitos dos relatos são de fãs e moradores que abrigaram o casal sem saber direito por que um astro da música estava ali. A primeira edição venceu o Prêmio Profissionais da Música de 2023, na categoria Biografia, e foi indicada ao CCXP Awards de 2022.
Antonio Carlos Belchior nasceu em Sobral, no Ceará, em 26 de outubro de 1946, e morreu em 30 de abril de 2017, em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul. Autor de canções como “Como Nossos Pais” e “Apenas um Rapaz Latino-Americano”, ambas do disco Alucinação, de 1976, ele tinha 60 anos quando deixou para trás a carreira, os bens e os compromissos. O período foi marcado por dívidas, ações judiciais e notícias sobre seu paradeiro, e ainda hoje é o capítulo mais discutido de sua biografia. Os 50 anos de Alucinação também inspiraram neste mês uma antologia com 50 poetas.
A pesquisa dos dois jornalistas também chegou ao cinema. A Urca Filmes comprou os direitos do livro e convidou os autores para uma série documental prevista para 2027. Antes disso, estreia em 3 de dezembro o longa Viver é Melhor que Sonhar, dirigido por Eduardo Albergaria, com Luiz Carlos Vasconcelos no papel de Belchior e Isabela Garcia como Edna. O filme, rodado no Brasil e no Uruguai, acompanha só a fase final da vida do cantor, e a produção usou também como referência a biografia Belchior: Apenas um Rapaz Latino-Americano, de Jotabê Medeiros, e a reportagem “A Divina Tragédia de Belchior”, de Bortoloti.
“A trajetória de Belchior poderia render uma cinebiografia clássica”, explicou o diretor ao jornal A Tarde. “Mas o filme que eu queria fazer começava depois disso: o que acontece quando aquilo que você buscou a vida inteira começa também a aprisioná-lo?”
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