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Revista Literatura Online

Paul Mescal e Daisy Edgar-Jones assinam carta em defesa de Sally Rooney ao lado de três ganhadores do Nobel

Carta aberta com mais de 150 signatários defende Sally Rooney após a Faber deixar de fornecer seus livros no Reino Unido.

Montagem com três fotos lado a lado. À esquerda, o ator Paul Mescal, de cabelo claro e cacheado, barba e brinco, num tapete vermelho com fundo azul. No centro, Sally Rooney discursa num púlpito com microfones, de blazer azul e camisa branca de gola larga, diante de uma cortina vermelha, em imagem tirada de vídeo. À direita, a atriz Daisy Edgar-Jones, de cabelo castanho repartido ao meio e vestido azul-claro, sorri diante de um painel do Festival de Toronto. Ampliar a imagem de destaque
Paul Mescal e Daisy Edgar-Jones, protagonistas da série Normal People, estão entre os mais de 150 artistas e escritores que assinaram uma carta em defesa de Sally Rooney. Fotos: Jay Dixit/WikiPortraits, Frank Barat e John Sears/WikiPortraits, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0 e CC BY 4.0)

Mais de 150 artistas e escritores assinaram uma carta aberta em defesa de Sally Rooney, autora de Pessoas Normais, depois que a editora britânica Faber deixou de fornecer os livros dela no Reino Unido. O texto, publicado na quarta-feira (21) pela revista New Statesman, abre com a frase que resume o protesto: “Sally Rooney é uma escritora, não uma terrorista”. Entre os signatários estão Paul Mescal e Daisy Edgar-Jones, protagonistas da série baseada no romance, e três vencedores do Nobel de Literatura.

A carta pede ao governo britânico que mude a lei antiterrorismo que levou à retirada dos livros. “Os livros dela precisam estar disponíveis ao público”, diz o texto (em tradução livre), segundo o HuffPost UK. Os signatários chamam a legislação de “mal concebida e draconiana”, afirmam que a situação é “uma afronta aos princípios básicos da liberdade de expressão” e dizem rejeitar a censura, “seja direta ou indireta”. O pedido final é que a lei seja alterada para acabar com o que descrevem como “absurdo repressivo”.

A lista reúne nomes do cinema, da música e da literatura. Além de Mescal e Edgar-Jones, assinam o diretor Lenny Abrahamson, que comandou seis dos 12 episódios de Normal People, as atrizes Jessie Buckley, Tilda Swinton e Susan Sarandon, o cineasta Jonathan Glazer e o grupo irlandês Kneecap. Entre os escritores estão os Nobel Annie Ernaux, J.M. Coetzee e Anne Carson, além de Zadie Smith, Arundhati Roy, Julian Barnes, Colm Tóibín, Anne Enright e Jeanette Winterson, de acordo com o site irlandês The Journal.

A carta é a resposta mais ampla até agora à decisão anunciada em 14 de outubro, quando Rooney e a Faber informaram que os livros dela deixariam de ser fornecidos no Reino Unido. O motivo é o apoio público da autora à Palestine Action, grupo de protesto proscrito como organização terrorista no país desde julho de 2025. Rooney declarou que pretende destinar ao grupo parte do que ganha com os livros e as adaptações. Por causa da legislação antiterrorismo, a Faber diz que não pode repassar a ela o dinheiro das vendas no país e que vender a obra sem pagar a autora seria uma “situação inaceitável para uma editora”.

Os livros não foram proibidos formalmente: as livrarias podem vender o estoque que já têm, mas não conseguem encomendar novos exemplares à editora. A própria Rooney afirmou que publicar sua obra no Reino Unido “poderia agora constituir um crime grave” e que está “plenamente preparada para aceitar as consequências”.

O governo britânico não deu sinal de que vai rever a proscrição. Questionado no Parlamento pela deputada Claire Hanna, líder do partido norte-irlandês SDLP, o primeiro-ministro Andy Burnham disse que a decisão seguiu um processo “rigoroso e baseado em evidências” aprovado pelos parlamentares e se recusou a comentar o caso, que está em discussão na Justiça.

No Brasil, a obra de Rooney segue disponível normalmente. A irlandesa é publicada pela Companhia das Letras, que lançou aqui Pessoas Normais (2019), Belo Mundo, Onde Você Está (2021) e Intermezzo (2024), além de uma nova edição de Conversas entre Amigos, o romance de estreia. Pessoas Normais e Intermezzo têm tradução de Débora Landsberg. A série Normal People (Pessoas Normais), que tornou Mescal e Edgar-Jones conhecidos em 2020, adapta o livro de 2018 sobre Connell e Marianne, dois jovens de uma cidade pequena da Irlanda que se aproximam no fim da escola e seguem se encontrando e se afastando durante a faculdade em Dublin.

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