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Alunos leem mais por vontade própria e trocam quadrinhos por Kafka e Machado de Assis, aponta levantamento da Árvore

Levantamento da Árvore em 264 escolas: leitura voluntária sobe de 21,5% para 35,1%; Kafka, Machado, Graciliano e Orwell entre os mais lidos.

Adolescente de óculos de armação preta e camiseta laranja lê, sentado e de perfil, um livro grosso de capa vermelha, com o dedo segurando uma página prestes a virar. Ao fundo, desfocado, aparece um quarto. Ampliar a imagem de destaque
Em escolas atendidas pela plataforma Árvore, aumentou a fatia de alunos que leem por iniciativa própria, e clássicos entraram na lista dos mais lidos.

Estudantes das escolas acompanhadas pela plataforma de leitura Árvore passaram a ler mais por vontade própria e trocaram parte dos quadrinhos e livros infantojuvenis por clássicos. Entre os alunos que leram, a fatia que terminou ao menos um livro por iniciativa própria no primeiro semestre subiu de 21,5% em 2022 para 35,1% em 2026, segundo levantamento da empresa divulgado pela CNN Brasil.

A Árvore é uma empresa de educação que oferece a escolas uma biblioteca digital e ferramentas de acompanhamento da leitura. O levantamento reúne dados de 264 escolas brasileiras e compara 2022 com 2026.

A mudança mais visível está nos títulos. Em 2022, os livros mais lidos eram principalmente histórias em quadrinhos e obras infantojuvenis, com personagens da Turma da Mônica e de Minecraft. Em 2026, a lista passou a trazer Franz Kafka, Machado de Assis, Graciliano Ramos e George Orwell.

Para Denise Guilherme, diretora pedagógica da Árvore, a troca “revela o comportamento de um leitor que passa a buscar obras de acordo com seu interesse”. Segundo ela, a indicação de um professor em sala de aula ou a circulação de um livro nas redes sociais ajudam a explicar o movimento.

Os outros indicadores também subiram. A taxa de conclusão de livros com mais de 200 páginas passou de 27% para 31%, e o tempo médio de leitura nas escolas foi de 143 para 158 minutos no período analisado. O único dado em queda foi a duração média de cada sessão de leitura, que caiu de 7,5 para 6 minutos: os alunos leem mais tempo no total, mas em intervalos mais curtos.

A reportagem também cita uma variação de 25% no número de estudantes que não leram nenhum livro, mas o título e o corpo do texto apontam direções opostas (queda e aumento), e o relatório completo da Árvore não foi localizado em fonte aberta. Por isso, o dado fica de fora desta comparação até que a empresa esclareça o número.

O levantamento se limita às escolas atendidas pela plataforma e não mede a leitura do país como um todo. O retrato nacional mais recente é a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, divulgada em novembro de 2024. Ela mostrou que 53% dos brasileiros não leram nem parte de um livro nos três meses anteriores à entrevista. Foi a primeira vez na série histórica que os não leitores superaram os leitores. A pesquisa também registrou a perda de 6,7 milhões de leitores em quatro anos.

Na mesma pesquisa, a faixa de 11 a 13 anos aparece como a de maior proporção de leitores. Os nomes que surgem na lista da Árvore, como Machado de Assis e Graciliano Ramos, são presença constante nas listas de leitura do ensino médio e dos vestibulares.

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