A Editora Conrad lança em 2 de novembro uma nova edição de Ajuricaba, história em quadrinhos sobre o líder do povo manaó que, no século 18, reuniu mais de 30 povos indígenas contra a colonização portuguesa no Rio Negro. A HQ dos amazonenses Ademar Vieira (roteiro), Jucylande Jr. (desenho) e Tieê Santos (arte-final) foi indicada ao Prêmio Jabuti na primeira edição, independente, e agora chega a livrarias de todo o país.
O livro já está em pré-venda em redes como Amazon, Livraria Leitura, Livraria da Vila, Martins Fontes e Livraria da Travessa, segundo a editora. A nova edição tem 144 páginas, formato 21 x 28 cm, capa exclusiva da ilustradora amazonense Ana Valente e um texto inédito do professor e pesquisador paraense Marcelo Borari.
O lançamento faz parte da parceria de curadoria entre a Conrad e o Norte em Quadrinhos, iniciativa que divulga e profissionaliza a produção de quadrinhos da região Norte. O projeto foi anunciado pela editora no blog da Conrad, que apresenta a obra como a reconstrução da trajetória de um líder “quase mítico”, feita a partir dos poucos registros que restaram da cultura dos manaós.
Para o desenhista Jucylande Jr., a publicação por uma editora nacional muda o alcance do trabalho. “A publicação pela Conrad é uma grande oportunidade para os artistas do Norte serem conhecidos fora da região”, afirmou em declaração publicada pelo jornal O Liberal. “Antes, pensávamos que ele era uma lenda, mas hoje sabemos que existiu de fato.”

O roteirista Ademar Vieira descreve o livro como uma síntese do que se conhece sobre o personagem. “Ajuricaba é um personagem histórico ainda pouco conhecido no Brasil, mas de uma importância imensa”, disse o roteirista, na mesma reportagem. “A graphic novel reúne praticamente tudo o que se sabe sobre ele, dentro de uma narrativa épica e emocionante.”
Ajuricaba viveu no início do século 18, no vale do Rio Negro, no atual Amazonas. Os manaós chegaram a negociar com os portugueses, mas o líder passou a combatê-los depois da morte do pai e se aliou aos holandeses, rivais de Portugal na região. A aliança indígena que ele comandou travou o avanço colonial na calha do Rio Negro por cerca de cinco anos, até a “guerra justa” declarada pelas autoridades coloniais na década de 1720. Capturado, Ajuricaba morreu por volta de 1728; segundo cronistas portugueses, ele se atirou às águas do rio quando era levado preso. O nome de Manaus, capital do Amazonas, é uma homenagem ao povo manaó.
Ademar Vieira contou ao jornal amazonense A Crítica, quando a primeira edição estava em produção, que a pesquisa teve a ajuda do historiador Davi Lima, da Universidade Federal do Amazonas. Entre o material consultado está o único registro conhecido da língua manaó, com cerca de 140 palavras traduzidas do latim, e algumas delas aparecem nos diálogos da HQ. “Muita gente já ouviu falar de Ajuricaba, principalmente da sua morte emblemática, que foi bastante romantizada nos anos 40 pelos poetas e escritores locais, mas poucos sabem com mais detalhes o que aconteceu aqui no Rio Negro no século 18”, disse o roteirista na época.
A primeira edição saiu pelo Black Eye Estúdio, de Manaus, fundado por Vieira e Tieê Santos em 2018, com apoio do edital Prêmio Manaus de Conexões Culturais, da prefeitura da cidade. Além da indicação ao Jabuti, a HQ concorreu ao Troféu HQMix e ao Prêmio Angelo Agostini e venceu o Prêmio Mapinguari de Quadrinhos em três categorias. Antes de Ajuricaba, a dupla havia lançado Sete Cores da Amazônia, sobre uma menina das palafitas de Manaus que viaja ao interior para conhecer a avó indígena.
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