Pular para o conteúdo

Revista

Poemas

Noite de Maio, de Castro Alves

Em "Noite de Maio", vemos uma homenagem à beleza de uma noite. Leia o poema na íntegra e entenda um pouco sobre sua criação.

Pintura "O Grande Canal, Veneza", de Édouard Manet. Pela inspiração italiana, está ilustrando o poema "Noite de Maio", de Castro Alves.
Pintura "O Grande Canal, Veneza", de Édouard Manet. Pela inspiração italiana, está ilustrando o poema "Noite de Maio", de Castro Alves.

Como o nome sugere, em “Noite de Maio”, de Castro Alves, temos uma espécie de ode/homenagem à beleza das noites do mês de maio. Dividido em nove estrofes, o eu-lírico foca cada uma delas em um aspecto das noites de maio: começando pelo céu noturno, refletido nas águas do mar, e passando por flores de laranjeira, ondas quebrando na praia, palmeiras balançando ao vento etc.

Como é comum em poemas do romantismo brasileiro, o eu-lírico descreve a noite como uma figura feminina, ressaltando sua beleza e expressando seu estado de admiração. Ele descreve a noite/a lua como uma noiva, como uma donzela tímida, misteriosa e sedutora.

No início do poemas, vemos a marcação “Barcarola, Música da ‘Santa Lucia'”, o que sugere que a estrutura e o ritmo do poema podem tem relação com alguma canção napolitana tradicional, já que “Barcarola” é um tipo de canção folclórica cantada por gondoleiros de Veneza. “Santa Lucia” (ver mais abaixo o vídeo com a música) é uma das mais famosas desse gênero, tendo sido registrada em 1850 por Teodoro Cottrau, então é possível que Castro Alves tenha tido contato com ela de alguma forma.

Noite de Maio, de Castro Alves

BARCAROLA
Música da “Santa Lucia”

I

NO CÉU dos trópicos
Pra sempre brilha,
Ó noite esplêndida,
Que as ondas trilha.

Do amor nas pálpebras
Acende o raio.
O noite cúmplice!
Noite de maio.

II

Vê… que astros lúcidos
Na azul clareira:
São flores níveas
Da laranjeira.

De noiva chamam-te
Em cada raio.
Noiva puríssima
Do mês de maio.

III

Do vento os hálitos
Erguem-te as tranças,
Nos seios rolam-te
Em loucas danças.

São meus anélitos,
É meu desmaio.
Ó noite cúmplice!
Noite de maio!

IV

Estrela pálida,
Moça divina!
Donzela tímida
Sob a neblina!

Teu véu empresta-me,
Teu longo saio,
Para as espáduas
Da flor de maio.

V

Nas praias nítidas
Têm voz as vagas…
São bocas trêmulas
Lambendo as plagas.

O oceano lúbrico
Beija-te o seio…
Meus versos canta-lhe,
Vaga de maio.

VI

O espelho etéreo
Das nuvens nasce,
Reflete em júbilos
A tua face.

Seu riso angélico
No céu guardai-o.
Espelho límpido
Da flor de maio.

VII

Há risos tépidos
Entre as palmeiras;
Beijam-se lânguidas
Fadas trigueiras.

Da selva o cântico
Além cantai-o,
Ó gênios cúmplices
Do céu de maio.

VIII

A lua imerge-se
Na etérea zona
A fronte inveja-te,
Dela Amazona.

Fronte de mármore
Que empresta um raio
À c’roa fúlgida
Do mês de maio.

IX

No azul dos trópicos
Suspende o passo,
As horas céleres
Prende ao regaço…

Os astros ligam-me
Num louro raio!
Sê nossa cúmplice…
Noite de maio! …

Canção ‘Santa Lucia”

Veja abaixo uma interpretação de Andrea Bocelli da tradicional canção “Santa Lucia”, que pode ter servido de inspiração para Castro Alves para a criação deste poema:

Viu um erro ou tem uma informação que complementa esta matéria? Fale com a redação.

Avatar photo
Sobre quem escreveu

Fundador e editor do Literatura Online. Graduado em Letras (Português/Inglês) pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), com TCC dedicado à obra de Paulo Leminski e um ano de especialização em Teoria da Literatura. Sua maior área de interesse é a poesia brasileira, com ênfase nos poetas do Romantismo e do Modernismo. Escreve análises de poemas e obras literárias para estudantes do ensino médio, universitários de Letras e leitores apaixonados por literatura.

Entre na conversa

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados.

Da notícia para a leitura

Leia livros grátis direto no navegador

Escolha uma obra, comece sem cadastro e continue de onde parou em qualquer dispositivo.