O 13º Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, o FIQ BH, acontece de 4 a 8 de novembro no Minascentro, no Centro da capital mineira, com cerca de 400 artistas brasileiros e estrangeiros e programação gratuita. Entre os lançamentos do festival está a adaptação em quadrinhos de Torto Arado, romance de Itamar Vieira Junior, segundo o anúncio da Prefeitura de Belo Horizonte, que organiza o evento pela Fundação Municipal de Cultura, em parceria com o Instituto Periférico.
A abertura oficial é no dia 4, a partir das 17h. O Minascentro fica na Rua dos Guajajaras, 1.022, e funciona de quarta a sexta das 8h às 20h, no sábado das 9h às 21h e no domingo das 9h às 19h. A classificação é livre. O tema desta edição é “Caminhos da leitura: quadrinhos e cidadania”.
A feira de quadrinhos terá 277 mesas para autores venderem suas publicações. A programação inclui mesas de debate, oficinas, exposições, sessões de cinema, sessões de autógrafos e duelos de desenho ao vivo. No sábado (7), entre 11h30 e 13h, o Dia do Quadrinho Grátis vai distribuir cerca de 3 mil gibis, em parceria com a editora Devir. No mesmo dia, às 14h, começa o desafio 24h de HQ, em que artistas criam uma história em quadrinhos ao longo de 24 horas seguidas, até as 14h de domingo.

Convidados e homenageados
Oito artistas estrangeiros estão confirmados: Borja González (Espanha), Štěpánka Jislová (República Tcheca), Barbara Chuleta (Chile), Clara Chotil e Fabien Toulmé (França), Nacha Vollenweider (Argentina e Alemanha), Lorenzo de Felice (Itália) e Isabelle Debekker (Bélgica). Fabien Toulmé tem vários livros publicados no Brasil pela Nemo, como Não era você que eu esperava, em que conta o nascimento da filha com síndrome de Down, e A odisseia de Hakim, sobre um refugiado sírio.
Os homenageados ganham mesa de debate e exposição. Um é Sonia Maria Bibe Luyten, pesquisadora que há 50 anos estuda quadrinhos e cultura pop japonesa no Brasil e é considerada pioneira nos estudos de mangá no país. O outro é o ilustrador e quadrinista Lelis, de Montes Claros (MG), que começou a carreira em 1986 e foi convidado do Festival de Angoulême, na França, em 2002. A curadoria é de Mariana Viana e Régis Luiz.
“Os quadrinhos sempre foram atrativos para formação de novos leitores”, disse o coordenador artístico Gabriel Nascimento, no comunicado da prefeitura. Cerca de 3 mil estudantes de escolas municipais e estaduais vão receber vale-livros para trocar por livros e quadrinhos no festival. As escolas precisam agendar a visita com antecedência.
Torto Arado em quadrinhos
O romance de Itamar Vieira Junior conta a história das irmãs Bibiana e Belonísia, marcadas por um acidente na infância, que crescem numa fazenda do sertão da Chapada Diamantina, na Bahia, onde as famílias trabalham em condições análogas à escravidão. O livro venceu o Prêmio LeYa em 2018, em Portugal, saiu no Brasil pela Todavia em 2019 e ganhou o Prêmio Jabuti de Romance em 2020 e o Oceanos no mesmo ano. A adaptação para série foi anunciada pela HBO Max em 2022, e o livro será o enredo da Unidos de Vila Isabel no Carnaval de 2027.
A versão em quadrinhos, publicada pela Todavia, tem roteiro de Rafael Calça e arte de Bennê Oliveira. A prefeitura não divulgou o dia nem o horário da sessão de lançamento; a programação completa deve sair nos próximos dias no site oficial do FIQ BH.
As oficinas abertas, 20 no total, exigem inscrição presencial no local, duas horas antes de cada atividade. As 12 masterclasses para profissionais, com nomes como Ana Luiza Koehler, Rapha Pinheiro e Denis Mello, têm inscrição pela internet. Realizado desde 1999, o FIQ BH é bienal e se apresenta como o maior festival de quadrinhos da América Latina.
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