A jornalista Míriam Leitão volta à ficção com A dança de Elisa, romance distópico em que um regime autoritário retira, um a um, os direitos das mulheres. O livro sai pela Intrínseca e chega às livrarias em 3 de novembro, segundo anúncio da editora. A pré-venda já está aberta.
É o segundo romance da autora, eleita para a Academia Brasileira de Letras em 2025. O primeiro, Tempos extremos, saiu em 2014 pela mesma editora.
A história se passa numa cidade dominada pela Nova Ordem, um governo que se apresenta como restaurador dos valores da família, da religião e da pátria. Em menos de uma década, as liberdades que pareciam garantidas desaparecem. As mulheres se tornam o alvo principal: ficam proibidas de se reunir em público, de andar na rua e de exercer várias atividades, tudo sob o pretexto de “protegê-las”, como descreve a sinopse.
A protagonista, Elisa, é uma bailarina que lotava teatros com uma dança ousada e sensual. Com todas as expressões artísticas banidas, ela passa a viver acuada, até decidir desobedecer e convocar um encontro secreto entre amigas, mesmo com grupos de homens armados vigiando as ruas atrás de dissidentes. A partir daí, uma resistência liderada por mulheres põe em marcha acontecimentos capazes de abalar o regime, que tem como armas a violência, a desinformação e a difamação amplificadas pelas redes sociais.
A editora divulgou um trecho do livro: “De onde vêm essas pessoas que carregam paus, pedras e essa raiva? Como se formam as ondas de ódio? Como uma mulher pode incomodar tanto?”. Na apresentação da obra, a Intrínseca afirma que a autora mostra “como as pequenas interdições podem criar uma nova ordem reacionária e opressiva”. O livro se inscreve na tradição da distopia, gênero que imagina sociedades opressivas para discutir riscos do presente.
A edição impressa tem 224 páginas e custa R$ 69,90; o e-book sai por R$ 34,90, de acordo com a ficha do livro no site da Intrínseca. A classificação indicativa é de 16 anos.
Sobre Míriam Leitão
Com mais de cinquenta anos de jornalismo, Míriam Leitão construiu a maior parte de sua obra na não ficção. Ganhou o Prêmio Jabuti de Livro do Ano de Não Ficção em 2012 com Saga brasileira e publicou, entre outros, História do futuro, A verdade é teimosa e Amazônia na encruzilhada, este de 2023, sobre o avanço e o recuo do combate ao desmatamento. Tempos extremos, seu romance de estreia, foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e ganhou edição comemorativa em 2024. Ela também escreveu livros infantis.
Mineira de Caratinga, a autora foi eleita em 30 de abril de 2025 para a cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras, vaga deixada pelo cineasta Cacá Diegues. Recebeu 20 votos, contra 14 do economista Cristovam Buarque, e se tornou a 12ª mulher eleita para a instituição, segundo a Forbes. Em 1972, aos 19 anos e grávida, foi presa por se opor à ditadura militar.
Poucos dias depois do lançamento, Míriam Leitão está entre os convidados dos debates da Tenda Paraguaçu na FLICA 2026, a Festa Literária Internacional de Cachoeira, que acontece de 5 a 8 de novembro no Recôncavo Baiano, com entrada gratuita.
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