A Simon & Schuster UK and International passou a oferecer 50% da receita líquida dos e-books a autores do Simon Stream, selo de ficção comercial com foco digital. O modelo, sem adiantamento e com pagamento mensal, mira escritores que construíram carreira na autopublicação e promete publicação em nível global.
O selo foi lançado em julho e tem direção editorial de Victoria Pepe, que trabalhou na Amazon Publishing. Os primeiros livros chegam em outubro. O foco está em quatro gêneros: romance, crime e thriller, fantasia e ficção histórica.
O que muda para o autor
A principal diferença está no percentual. Muitos contratos editoriais tradicionais pagam cerca de 25% sobre a receita dos e-books. O Simon Stream dobra esse valor, mas elimina o adiantamento, que é a quantia paga ao autor antes do lançamento e descontada depois das vendas. Na prática, o escritor ganha conforme o livro vende. As condições estão na página oficial do Simon Stream.
O selo aceita originais enviados pelos próprios escritores, sem intermediação de agente literário. Podem participar autores inéditos, independentes ou já agenciados. A editora promete responder em até seis semanas e não cobra nada: edição, revisão, capa, produção, marketing e distribuição ficam por conta dela.
Os títulos também terão edição impressa sob demanda (quando o exemplar é impresso só depois de vendido) desde o lançamento. Os audiolivros têm papel central na estratégia, e a editora afirma que serão gravados por narradores humanos. O formato também cresce por aqui, como mostra o avanço dos audiolivros no Brasil.
Quem está na primeira leva
- Allie Moffatt assinou contrato para quatro romances da série Hearts of Boston.
- Joy Wood terá três thrillers publicados pelo selo, entre eles Whatever It Takes, que ela havia autopublicado e que volta às livrarias como The Couple’s Secret.
- Jack Gatland, pseudônimo de Tony Lee, entra com cinco livros da série de mistério leve Moriarty & Co Mysteries.
Por que isso interessa ao leitor brasileiro
O movimento mostra uma grande editora adotando práticas do mercado independente: lançamentos rápidos, pagamentos frequentes e contato direto com o público. No Brasil, a autopublicação digital também revelou autores que depois migraram para editoras tradicionais, sobretudo no romance e na fantasia. Concursos como o Prêmio Kindle de Literatura Jovem ajudam a dar visibilidade a esses nomes. Por enquanto, o Simon Stream publica em inglês e não há anúncio de edições brasileiras dos títulos.
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