A escritora Steffany Dias venceu a categoria Romance da primeira edição do Prêmio João e Júlia do Rio com Mormaço. O resultado foi anunciado na sexta-feira, 25 de setembro, em cerimônia na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro. O segundo lugar na categoria ficou com Adriana Kairos, autora de Maré.
O prêmio é uma iniciativa da Festa Literária das Periferias (Flup) e estreou nesta edição do festival. Ele tem seis categorias e homenageia dois escritores ligados à cidade: João do Rio, pseudônimo de Paulo Barreto (1881-1921), e Júlia Lopes de Almeida (1862-1934).
Romances nasceram em residência literária
Mormaço e Maré foram escritos durante a V Residência Literária Favelofágica, projeto de formação de novos autores. Os livros saíram pelo Bando Editorial Favelofágico e pela Rubra Editora.
Um dos pilares da residência é a bolsa de criação. Na edição mais recente, que marcou os dez anos do projeto, cada autor recebeu R$ 24 mil pelo semestre de produção do livro, com acompanhamento editorial durante o processo. Os recursos vieram da Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, da Fiocruz e de empresas patrocinadoras.
Em entrevista ao PublishNews, o editor Felipe Eugênio, idealizador do Bando Editorial Favelofágico, disse que a banca reconheceu o esforço de remunerar escritores da classe trabalhadora e de oferecer suporte editorial desde o início da escrita. A coordenadora Mariane Martins afirmou que a intenção é ampliar os valores das bolsas a cada edição.
Clique aqui para conferir o livro diretamente no site da Favelofagia.
Revelação, crônica e literatura infantil
A cerimônia também apontou Janaína Abilio como Revelação Literária 2025/2026. Ela foi premiada por É quase como voltar para casa, romance de estreia desenvolvido na terceira edição da mesma residência, em 2022. Depois de passar pelo trabalho editorial da Companhia das Letras, o livro foi publicado pela editora.
Nas outras categorias divulgadas, Paulinho Freitas venceu em Crônica com São Gonçalo de Afetos. Em Literatura Infantil, a vencedora foi a escritora e artista indígena Lucia Tucuju, do povo Galibi Marworno. Os vencedores de Poesia e Ensaio ainda não haviam sido informados até a publicação desta nota.
O Prêmio João e Júlia do Rio se soma a uma programação da Flup que, neste ano, reuniu nomes como Conceição Evaristo em atividades gratuitas no centro do Rio. A estreia do prêmio reforça o papel do festival na formação e na circulação de autores das periferias.
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