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Isabel Allende vence o Prêmio Planeta 2026 com continuação de A Casa dos Espíritos

Romance La hora antes del alba continua A Casa dos Espíritos e leva o prêmio de 1 milhão de euros.

Montagem. À esquerda, Isabel Allende, de cabelo branco curto com franja, casaco laranja-avermelhado e um grande broche de flores, sorri de leve junto a uma janela. À direita, o logotipo dos 75 anos do Prêmio Planeta: uma esfera formada pelas palavras "Premio Planeta" em branco sobre fundo preto, com "75 aniversario" embaixo. Ampliar a imagem de destaque
Isabel Allende venceu o Prêmio Planeta 2026, na 75ª edição da premiação. Imagens: Reprodução/Instagram @allendeisabel e Divulgação/Grupo Planeta

A escritora chilena Isabel Allende venceu o Prêmio Planeta 2026 com La hora antes del alba, romance que continua A Casa dos Espíritos, seu livro de estreia, de 1982. O anúncio foi feito na noite desta quinta-feira (15), em Barcelona, numa cerimônia com a presença dos reis da Espanha, Felipe VI e Letizia. O prêmio paga 1 milhão de euros ao vencedor, o maior valor do mundo para um romance inédito.

O novo livro retoma a história de Alba, neta do patriarca Esteban Trueba. Segundo o Vozpópuli, a trama acompanha uma mulher presa e torturada que volta grávida para a casa da família, exatamente o ponto em que Alba está no fim de A Casa dos Espíritos.

“Desde que esse romance foi publicado, recebi inúmeras mensagens de leitores que querem saber o que aconteceu com Alba depois da última página”, disse Allende ao receber o prêmio, segundo o Infobae (em tradução livre). “Essa pergunta me rondou por décadas.” Ela ligou a decisão de voltar à personagem ao momento político: diante de tantas democracias ameaçadas pelo autoritarismo, afirmou, volta a sentir “o temor que me fez sair do meu país”.

Allende concorreu com o pseudônimo Luz Ventura. Segundo a autora, o nome faz referência às “mulheres luminosas” de A Casa dos Espíritos e à sorte do amor e da solidariedade. A edição bateu recorde de participação, com 1.424 originais inscritos, e o livro dela superou outros oito finalistas.

O segundo lugar, que paga 200 mil euros, ficou com o roteirista espanhol Sergio Hernández Carrasco, nascido em Valência em 1994, por La añoranza. O romance se passa na Barcelona de 1959 e acompanha um jovem que se apaixona por um tradutor francês. O júri teve, entre outros, os escritores Luz Gabás, Pere Gimferrer, Carmen Posadas, Javier Sierra e Paloma Sánchez-Garnica.

Sobre Isabel Allende e A Casa dos Espíritos

A Casa dos Espíritos acompanha quatro gerações da família Trueba, inspirada na família da própria autora, num país latino-americano que passa por reformas, golpe e ditadura. A narrativa mistura acontecimentos políticos com elementos sobrenaturais, como os poderes da matriarca Clara, recurso próximo do realismo mágico, a vertente que trata o fantástico como parte natural do cotidiano. O livro nasceu de uma carta que Allende começou a escrever ao avô, que estava morrendo, quando ela vivia exilada em Caracas, na Venezuela, depois do golpe de 1973 contra o presidente Salvador Allende, primo de seu pai. O romance foi adaptado para o cinema em 1993 por Bille August, com Meryl Streep, Jeremy Irons e Glenn Close.

Nascida em 1942, Allende é uma das autoras de língua espanhola mais lidas do mundo. Entre seus livros estão De Amor e de Sombra, Eva Luna, Paula, escrito durante a doença e a morte da filha, Filha da Fortuna, Violeta e Meu Nome é Emilia del Valle, de 2025. No Brasil, ela é publicada pela Bertrand Brasil, do Grupo Record. O prêmio também marca uma troca de casa: em espanhol, seus últimos romances saíram pela Plaza & Janés, do grupo Penguin Random House, concorrente da Planeta.

Criado em 1952 pelo editor José Manuel Lara Hernández, fundador do Grupo Planeta, o prêmio chegou à 75ª edição neste ano. O valor de 1 milhão de euros é pago desde 2021, segundo a página oficial do Grupo Planeta. Já venceram o concurso autores como Mario Vargas Llosa, Camilo José Cela, Ana María Matute, Eduardo Mendoza e Javier Cercas. Nos últimos anos, o prêmio foi criticado por escolher apresentadores de TV ligados a um grupo de comunicação do qual a Planeta é acionista, e a escolha de Allende foi lida pela imprensa espanhola como uma volta a autores de peso literário.

A data de lançamento do livro na Espanha não foi divulgada na cerimônia, e ainda não há previsão de edição brasileira.

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