O filme Overman, adaptação do super-herói criado pela cartunista Laerte Coutinho, estreia nos cinemas brasileiros em 22 de outubro. Caco Ciocler faz o protagonista, um herói com poderes extraordinários e uma vida comum de desemprego, dívidas, ressaca e crise existencial. A direção é de Tomás Portella, que assina o roteiro com Arnaldo Branco e Leandro Soares.
A comédia teve a primeira exibição pública na mostra Midnight Movies do Festival do Rio, realizado de 1º a 10 de outubro. O projeto é da produtora Iafa Britz, da Migdal Filmes, em coprodução com Star Original Productions, FSA e RioFilme. A Migdal também distribui o longa, com codistribuição da Elo Studios. As filmagens terminaram em agosto de 2023, no Rio de Janeiro, e a estreia chegou a ser prevista para agosto de 2024.
Na trama, o Governador (Otavio Muller) oferece a Overman um cargo na Secretaria de Segurança Pública. O herói vê ali a chance de recuperar o prestígio, mas precisa dividir o trabalho com Pâmela, a Mulher Cachorro (Karina Ramil), que resolve os problemas e conquista o público que ele queria só para si. No caminho, ele esbarra em segredos do governo. O elenco tem ainda Victor Lamoglia, como Ésquilo, colega de quarto do herói na pensão onde mora; Maria Lucas, como a influenciadora Poline Pilsen; Marina Provenzzano, Caio Riscado, Isabele Riccart e participação especial de Raphael Logam.
“Todo o desejo dele é virar um filme da Marvel”, disse Ciocler em entrevista à Folhapress, reproduzida pelo jornal A Gazeta. “Mas ele tem que lidar com problemas daqui, com supervilões que peidam.” Na mesma reportagem, a produtora conta que Laerte participou de momentos decisivos, como a leitura de uma versão do roteiro, mas preferiu manter uma atuação discreta.
Quem é Overman nas tiras de Laerte
Overman surgiu em 1998, nas tiras da Folha de S.Paulo, como sátira aos super-heróis americanos, virtuosos e infalíveis. O personagem de Laerte é vaidoso e egocêntrico, nunca tira o uniforme nem a máscara (não tem identidade secreta) e trata contas atrasadas e frustrações profissionais como missões mais difíceis do que salvar a cidade. As tiras foram reunidas em livro pela Devir, que lançou a coletânea Overman: o álbum, o mito.
O herói é um entre muitos personagens da cartunista, nascida em São Paulo em 1951. Laerte começou a publicar profissionalmente em 1970, fundou a revista Balão com Luiz Gê e, nos anos 1980, publicou nas revistas Circo, Chiclete com Banana e Geraldão, da Circo Editorial. Com Angeli e Glauco, criou as tiras de Los Três Amigos; sozinha, fez Piratas do Tietê, que passou a sair na Folha em 1991, além de Deus, Striptiras e da personagem Muriel. Também escreveu para programas de TV como TV Pirata e TV Colosso, da Globo. Suas tiras saíram em livro principalmente pela Devir e pela L&PM, e a série Laerte Total reúne a produção em ordem cronológica.
O que muda na adaptação
Para levar o personagem ao cinema, Portella diz ter estudado o arquivo da Folha e o livro com as tiras. “É um personagem que precisou de adaptações para sair da tirinha e entrar em filme, sair de 1998 e entrar em 2023. O próprio tipo de humor sofreu mudança. A tirinha é uma piada muito rápida. Esse cara [no filme] precisa aprender alguma coisa”, afirmou o diretor em 2023, durante as filmagens, em reportagem da Folhapress publicada pelo portal Acessa.com.
A principal mudança está na estrutura: em vez da piada rápida da tira, o longa dá ao herói um arco, com emprego público, parceira, colega de pensão e um vilão. A máscara original também foi trocada durante as filmagens, porque não funcionava em cena, e o roteiro ganhou uma explicação para a troca. O humor político, segundo o diretor, segue a linha de Laerte e faz piadas tanto com a direita e o capitalismo quanto com a esquerda.
Portella resume a mistura em entrevista ao Ingresso.com: “Ele é uma mistura de Deadpool com Macunaíma, com Zé Carioca, entende?”. A equipe afirma ter apostado na comédia brasileira, de humor adulto e crítica social, em vez de imitar a escala dos filmes de super-herói de Hollywood. Na crítica publicada pelo Correio da Manhã durante o festival, Rodrigo Fonseca destacou o visual que imita o enquadramento dos quadrinhos e comparou o filme a uma tirinha em movimento.
O lançamento de Overman é exclusivo nas salas de cinema, segundo a divulgação da Migdal Filmes.
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