A escritora Martha Batalha, autora de A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, lança seu primeiro livro de crônicas, O Algoritmo Sou Eu, pela Arquipélago Editorial. São 58 textos em 184 páginas, escolhidos entre as colunas que ela publica no jornal O Globo desde 2020. Logo no primeiro texto, ela faz um acordo com o leitor: enquanto escrever, nenhuma linha das suas crônicas será gerada por inteligência artificial.
A autora, de 53 anos, defendeu a mesma ideia em entrevista à Zero Hora. “A IA pensa em termos de probabilidades, é matemática. Os humanos pensam em termos de possibilidades: a gente tem esperança, tem criatividade, tem um passado que vai se associar cada vez de uma forma diferente para você poder criar um texto”, afirmou. “O teu conhecimento a inteligência artificial nunca vai ter.”
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As crônicas foram escritas em Santa Mônica, na Califórnia, onde Martha mora há quase duas décadas. Os temas vão de feminismo, maternidade e imigração ao cotidiano da família, à política e à tecnologia, no Brasil e nos Estados Unidos. Segundo ela, o critério de seleção foi escolher textos que não envelhecessem. “Procurei ter crônicas que pudessem ser lidas hoje e daqui a 10 anos”, disse à Zero Hora. Mesmo os textos sobre a pandemia entraram por funcionarem como registro de uma época, e não como notícia datada.
O material de divulgação apresenta a autora como herdeira de cronistas como Luis Fernando Verissimo e Martha Medeiros, que assina o texto da contracapa. Martha Batalha cita também Rubem Braga entre as leituras que formaram sua voz e conta que aprendeu com Verissimo a regra de pôr ao menos uma piada em cada crônica. “Gosto muito de falar que crônica é voz”, resumiu na entrevista.
Antes de virar escritora, Martha foi repórter de jornais do Rio de Janeiro. A estreia na ficção, com A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, publicado pela Companhia das Letras em 2016, teve os direitos vendidos para editoras de outros países antes mesmo do lançamento no Brasil. O romance acompanha duas irmãs cariocas dos anos 1940 e 1950 cujas vidas são limitadas pelo machismo da família e da época. Foi adaptado para o cinema por Karim Aïnouz em 2019, com Fernanda Montenegro no elenco. O filme, A Vida Invisível, venceu a mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes.
Sobre a adaptação, a autora disse que não interferiu no roteiro e que aprova o resultado, mesmo com a mudança de tom. “Sempre digo que eu fiz uma tragicomédia, porque o livro é muito engraçado, e o Karim Aïnouz fez um melodrama”, contou. Depois da estreia, ela publicou os romances Nunca Houve um Castelo (2018) e Chuva de Papel (2023) e o infantojuvenil Liz Sem Medo (2024). Seus livros já saíram em mais de 18 países.
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