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O Centauro no Jardim, romance de Moacyr Scliar, vai ganhar adaptação para o cinema

Detalhe da capa de O Centauro no Jardim: um centauro de cabelos ao vento segura um arco, em gravura alaranjada sobre fundo amarelo, verde e laranja.
Detalhe da capa de O Centauro no Jardim, de Moacyr Scliar, na edição da Companhia das Letras. Imagem: Divulgação/Companhia das Letras

O Centauro no Jardim, romance que Moacyr Scliar publicou em 1980, vai ganhar uma adaptação para o cinema. O projeto é uma coprodução da Migdal Filmes, da Yael Steiner Cine e Cultura e da Paris Entretenimento, com distribuição da Paris Filmes.

O roteiro é de Thereza Falcão, com colaboração de Britney Federline. Diretor, elenco, locais de filmagem e data de estreia ainda não foram divulgados.

Thereza Falcão vem da teledramaturgia. Ela é coautora de novelas da TV Globo como Joia Rara, que venceu o Emmy Internacional de melhor telenovela em 2014, e Nos Tempos do Imperador, indicada ao mesmo prêmio em 2022, conforme o site da roteirista. Britney Federline é diretora de televisão e trabalhou na novela Travessia. A Migdal Filmes é a produtora da trilogia Minha Mãe é uma Peça.

Aadaptação pretende levar ao cinema a mistura de drama e realismo fantástico do romance e explorar a dupla natureza do protagonista, dividido entre o lado humano e o animal, com temas como exílio, amor e a busca por aceitação numa sociedade que rejeita o diferente.

Sobre “O Centauro no Jardim”, de Moacyr Scliar

Capa de O Centauro no Jardim, de Moacyr Scliar, pela Companhia das Letras, com um centauro sobre fundo amarelo, ao lado de foto do escritor sorrindo.
Capa da edição da Companhia das Letras de O Centauro no Jardim e Moacyr Scliar em 2003. Fotos: Divulgação/Companhia das Letras e J. Freitas/Agência Brasil (CC BY 3.0 BR)

O livro conta a vida de Guedali Tartakovsky, um centauro (metade homem, metade cavalo) nascido numa família de imigrantes judeus russos que vive numa colônia agrícola no interior do Rio Grande do Sul. A história acompanha Guedali da infância no interior gaúcho até a vida adulta em Porto Alegre e São Paulo, onde ele tenta encontrar um lugar entre as pessoas comuns. O centauro funciona como imagem do imigrante e de quem não se encaixa: alguém que precisa esconder parte de si para ser aceito.

O romance mistura a fábula e o realismo, e por isso costuma ser associado ao realismo fantástico, tradição em que acontecimentos impossíveis são narrados com naturalidade, como parte do cotidiano. Em 2002, O Centauro no Jardim foi o único livro brasileiro escolhido pelo National Yiddish Book Center, dos Estados Unidos, para uma lista das 100 maiores obras da literatura judaica moderna, segundo o site oficial do escritor. A edição atual do livro no Brasil é da Companhia das Letras.

Quem é Moacyr Scliar

Moacyr Scliar nasceu em Porto Alegre em 1937 e morreu na mesma cidade em 2011, aos 73 anos. Filho de imigrantes judeus, formou-se em medicina e trabalhou com saúde pública, experiência que aparece em vários de seus livros. Escreveu romances, contos, crônicas, ensaios e livros infantojuvenis, e ganhou o Prêmio Jabuti em 1988, 1993, 2000 e 2009. Foi eleito para a cadeira 31 da Academia Brasileira de Letras em 2003, de acordo com a biografia publicada pela ABL.

Entre os livros mais conhecidos do autor estão A Guerra no Bom Fim, sobre o bairro judeu de Porto Alegre, A Majestade do Xingu e Max e os Felinos, novela sobre um jovem que divide um bote com um jaguar depois de um naufrágio. Este último ganhou projeção internacional quando o canadense Yann Martel reconheceu ter se inspirado na premissa do livro para escrever As Aventuras de Pi.

Ainda não há previsão de quando as filmagens de O Centauro no Jardim começam nem de quando o filme chega aos cinemas.

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