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Poemas

O Laço de Fita, de Castro Alves

Em "O Laço de Fita", de Castro Alves, um acessório se torna o símbolo de amor e devoção de um eu-lírico por uma mulher a quem chama "Pepita".

Pintura "Fond Memories", de Raimondo Madrazo. Ilustrando o poema "O Laço de Fita", de Castro Alves.
Pintura "Fond Memories", de Raimondo Madrazo. Ilustrando o poema "O Laço de Fita", de Castro Alves.

Um dos mais famosos poemas de Castro Alves, em o “O Laço de Fita” vemos um eu-lírico extremamente apaixonado, expressando seu amor a uma mulher, a quem ele chama “Pepita”, e transformando um laço de fita, um simples acessório, num símbolo poderoso de conexão espiritual e de fascínio.

Representando um objeto de beleza e delicadeza, o poeta é atraído pelo laço de fita de sua amada, e atraído de uma forma que chega a torná-lo um prisioneiro daquela paixão, como vemos no verso “O braço que rompe cadêas de ferro / Não quebra teus élos, Ó laço de fita!”; em outras palavras, nem mesmo o braço que arrebenta correntes consegue romper a força com que aquele laço de fita “amarra” o eu-lírico em sua amada.

Porém, o poema termina de uma forma trágica. Ao que tudo indica, esse é um amor não-correspondido, que só durou um baile. Na última estrofe do poema, ele pede para que, após a sua morte, abram seu caixão e coloquem o laço de fita como sua coroa, sugerindo que este amor permanecerá, embora não-correspondido, para todo o sempre.

O Laço de Fita, de Castro Alves

Não sabes, criança? ′stou louco de amores…
Prendi meus afetos, formosa Pepita.
Mas onde? No templo, no espaço, nas nevoas?!
Não rias, prendi-me
N′um laço de fita.

Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabellos da moça bonita,
Fingindo a serpente qu′enlaça a folhagem,
Formoso enroscava-se
O laço de fita.

Meu ser que voava nas luzes da festa,
Qual passaro bravo, que os ares agita,
Eu vi de repente captivo, submisso
Rolar prisioneiro
N′um laço de fita.

E agora enleiada na tenue cadêa
Debalde minh′alma se embate, se irrita…
O braço que rompe cadêas de ferro,
Não quebra teus élos,
Ó laço de fita!

Meu Deus! As phalenas têm azas de opala,
Os astros se libram na plaga infinita.
Os anjos repousam nas pennas brilhantes…
Mas tu… tens por azas
Um laço de fita!

Ha pouco voaras na célere walsa,
Na walsa que anceia, que estúa e palpita.
Por que é que tremeste? Não eram meus labios…
Beijava-te apenas…
Teu laço de fita.

Mas ai! findo o baile, despindo os adornos
N′alcova onde a vela ciosa… crepita,
Talvez da cadêa libertes as tranças,
Mas eu… fico preso
No laço de fita.

Pois bem! Quando um dia, na sombra do vale
Abrirem-me a cova… formosa Pepita!
Ao menos arranca meus louros da fronte,
E dá-me por c′ròa…
Teu laço de fita.

S. Paulo, Julho de 1868.

________

Outro famosíssimo poema de amor de Castro Alves é “A duas Flores“. Você também pode gostar dele!

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Sobre quem escreveu

Fundador e editor do Literatura Online. Graduado em Letras (Português/Inglês) pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), com TCC dedicado à obra de Paulo Leminski e um ano de especialização em Teoria da Literatura. Sua maior área de interesse é a poesia brasileira, com ênfase nos poetas do Romantismo e do Modernismo. Escreve análises de poemas e obras literárias para estudantes do ensino médio, universitários de Letras e leitores apaixonados por literatura.

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