A Rocco lança em novembro Cartas de amor infinito: correspondência para Clarice Lispector, livro que reúne cartas inéditas do diplomata Maury Gurgel Valente, com quem a escritora foi casada por 16 anos. A organização é da pesquisadora Teresa Montero, biógrafa de Clarice.
Segundo o anúncio dos lançamentos de novembro da editora, as cartas mostram que o afeto entre os dois continuou depois da separação. Muitas são dirigidas a “Claricinha”, como Maury chamava a ex-mulher, e outras ao filho do casal, Paulo. A edição tem 144 páginas e preço sugerido de R$ 89,90, e já aparece em pré-venda em livrarias.

A novidade está no ponto de vista. As coletâneas publicadas até agora trazem sobretudo as cartas que Clarice escreveu, incluindo as que mandou ao marido nos anos em que acompanhou a carreira diplomática dele. Desta vez, o leitor tem acesso ao outro lado da correspondência. A editora ainda não informou quantas cartas o livro reúne nem o período exato que elas cobrem.
Relembre a relação entre Clarice e Maury
Clarice e Maury se conheceram como colegas na Faculdade de Direito da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, e já trocavam cartas em 1941. Casaram-se em 23 de janeiro de 1943, onze dias depois de ela obter a naturalização brasileira, no mesmo ano em que saiu o primeiro romance dela, Perto do Coração Selvagem. Em 1944, ela partiu para Nápoles, primeiro posto diplomático do marido.
Seguiram-se anos fora do Brasil. O primeiro filho, Pedro, nasceu em Berna, na Suíça, em 1948; o segundo, Paulo, em Washington, em 1953. Em 1959, Clarice se separou de Maury e voltou de vez ao Rio com os dois meninos, decidida a se dedicar à literatura e a cuidar da saúde de Pedro, segundo a biografia da escritora. Foi no Rio, morando no Leme, que ela escreveu a maior parte da obra que viria depois, como A Paixão Segundo G.H. e A Hora da Estrela.
Teresa Montero é uma das principais especialistas na vida de Clarice. É autora da biografia Eu Sou uma Pergunta, publicada pela Rocco em 1999, e organizou Minhas Queridas (2007), com 120 cartas da escritora às irmãs, Elisa e Tânia.
O livro chega a pouco mais de um ano dos 50 anos da morte de Clarice, que morreu em 9 de dezembro de 1977, no Rio de Janeiro, um dia antes de completar 57 anos. A Rocco é a editora da obra da autora no Brasil.
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