O escritor e cineasta japonês Ryu Murakami morreu aos 74 anos, em casa, em 17 de outubro. A morte foi anunciada nesta sexta-feira (23) pela Gentosha, editora dele no Japão, em comunicado publicado no site da empresa. A causa não foi divulgada.
“O autor Ryu Murakami faleceu em sua casa em 17 de outubro de 2026, aos 74 anos”, diz o texto, citado pelo Deadline (em tradução livre). Segundo a editora, o funeral foi restrito à família, que pediu para não receber visitas, flores nem presentes.
Murakami estreou em 1976, ainda estudante universitário, com Azul Quase Transparente. O romance é narrado por Ryu, um jovem de 19 anos que divide um apartamento perto de uma base militar americana em Fussa, na região metropolitana de Tóquio, com amigos que vivem entre drogas, sexo e rock. O livro ganhou o Prêmio Gunzo para novos autores e o Prêmio Akutagawa, o mais importante da literatura japonesa, e vendeu mais de 3,5 milhões de exemplares no Japão, segundo o Deadline.
Ele não tinha parentesco com Haruki Murakami, o autor japonês mais lido no Brasil. Os dois chegaram a ser comparados por críticos estrangeiros: em 2013, o jornalista David Pilling escreveu que, “se Haruki é os Beatles da literatura japonesa, Ryu é os Rolling Stones”, como lembrou o The Guardian.
Ao longo de cinco décadas, Murakami publicou mais de 40 romances e coletâneas de contos. Violência, uso de drogas e sexo explícito aparecem em boa parte deles, quase sempre como crítica à sociedade japonesa e à influência americana no país depois da Segunda Guerra. Coin Locker Babies (1980), sobre bebês abandonados em armários de guarda-volumes que crescem marcados por essa origem, recebeu o prêmio Noma para novos autores. Miso Soup, thriller em que Kenji, um jovem que guia estrangeiros pela vida noturna de Tóquio, passa a desconfiar de que o cliente americano Frank está ligado a uma série de assassinatos, ganhou o Prêmio Yomiuri em 1997.
A obra mais conhecida fora do Japão é Audição, levada ao cinema em 1999 pelo diretor Takashi Miike. Na história, um documentarista viúvo organiza testes de elenco para um filme que não existe, com o objetivo de encontrar uma nova companheira. O próprio Murakami dirigiu adaptações de seus livros, como Tokyo Decadence e Kyoko. Na televisão, apresentou por anos o programa de entrevistas com empresários Cambrian Palace, da TV Tokyo.
No Brasil, a obra dele chegou aos poucos. Azul Quase Transparente saiu pela Brasiliense em 1986 e ganhou nova edição em 2023 pela DarkSide Books, com tradução de Ayumi Anraku. Miso Soup foi publicado pela Companhia das Letras em 2005, com tradução de Jefferson José Teixeira. A DarkSide também lançou Audição em 2022, traduzido por Lica Hashimoto com Juliana Kobayashi.
No Reino Unido, os livros dele saem pela Pushkin Press e pela Bloomsbury. “Foi um enorme privilégio levar muitos dos romances estranhos, originais e cinematográficos de Ryu Murakami ao público de língua inglesa”, disse ao Guardian Adam Freudenheim, diretor da Pushkin Press. A maior parte da obra do autor ainda não foi traduzida para o inglês nem para o português.
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