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Lygia Bojunga é a Personalidade Literária do Prêmio Jabuti no ano em que A Bolsa Amarela faz 50 anos

CBL escolhe Lygia Bojunga como Personalidade Literária da 68ª edição do Jabuti; homenagem será em 27/10 na Sala São Paulo.

Peça de divulgação do Prêmio Jabuti com a escritora Lygia Bojunga sorrindo, de cabelos brancos curtos com franja, blusa sem mangas e uma toalha branca sobre os ombros. À esquerda, ao lado do logotipo do Jabuti, aparece o texto "Lygia Bojunga, Personalidade Literária 2026". À direita fica o logotipo dos 80 anos da CBL. No fundo branco há formas azuis que lembram folhas de papel. Ampliar a imagem de destaque
Lygia Bojunga, autora de A Bolsa Amarela, é a Personalidade Literária do Prêmio Jabuti 2026. Imagem: Divulgação/CBL/Prêmio Jabuti

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) escolheu Lygia Bojunga como Personalidade Literária da 68ª edição do Prêmio Jabuti. A escritora gaúcha, de 94 anos, será homenageada na cerimônia de 27 de outubro, na Sala São Paulo, na capital paulista, a mesma noite em que serão revelados os vencedores das 23 categorias e o Livro do Ano.

A homenagem chega no ano em que A Bolsa Amarela, um dos livros mais conhecidos da autora, completa 50 anos. A cerimônia terá transmissão ao vivo pelo canal da CBL no YouTube, segundo o comunicado da entidade.

“Lygia Bojunga mudou a maneira como a literatura brasileira olha para a infância. Seus livros confiam na inteligência, na imaginação e na sensibilidade de crianças e jovens para lidar com questões complexas”, afirmou Hubert Alquéres, curador do Prêmio Jabuti, no anúncio. Para Sevani Matos, presidente da CBL, a escolha celebra “uma autora que ocupa um lugar único na cultura brasileira”.

O título de Personalidade Literária não é disputado: é uma homenagem que o Jabuti concede a cada edição pelo conjunto da obra. Nos anos anteriores, foram homenageados Pedro Bandeira (2023), Marina Colasanti (2024) e Ana Maria Machado (2025), autores com obra importante na literatura para crianças e jovens.

Nascida em Pelotas (RS) em 1932, Lygia Bojunga estreou em 1972 com Os Colegas, livro que lhe deu o primeiro Jabuti, em 1973. Voltou a ganhar o prêmio com Fazendo Ana Paz, em 1993, e com Seis Vezes Lucas, em 1997. Entre seus títulos estão também Angélica, A Casa da Madrinha, Corda Bamba, O Sofá Estampado e Tchau.

Lançado em 1976, em plena ditadura militar, A Bolsa Amarela acompanha Raquel, uma menina de 10 anos que esconde numa bolsa amarela três vontades que a família não leva a sério: crescer, ser menino e ser escritora. O livro mistura realidade e fantasia para tratar de identidade, autonomia e da maneira como os adultos silenciam as crianças, e continua presente em escolas e programas de leitura.

A obra da autora também tem projeção internacional. Em 1982, Lygia se tornou a primeira escritora de fora do eixo Europa e Estados Unidos a receber o Prêmio Hans Christian Andersen, concedido pelo International Board on Books for Young People (IBBY) e considerado a principal distinção mundial da literatura infantojuvenil. Em 2004, recebeu na Suécia o Astrid Lindgren Memorial Award (ALMA), outro dos grandes prêmios da área.

Em 2002, a escritora criou a Casa Lygia Bojunga, editora inaugurada com Retratos de Carolina, que passou a publicar toda a sua obra. Mais tarde, fundou a Fundação Cultural Casa Lygia Bojunga, voltada ao livro, à leitura e à formação de novos leitores.

Os finalistas das categorias do Prêmio Jabuti 2026 já foram divulgados, e os vencedores serão conhecidos na mesma cerimônia da homenagem.

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