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Documentário sobre O Cão sem Plumas, de João Cabral, vence o prêmio de direção no Festival do Rio

Camila Valença ganhou o Troféu Redentor de melhor direção de documentário por filme que acompanha Deborah Colker e Cláudio Assis na criação do espetáculo baseado no poema de 1950.

Montagem com João Cabral de Melo Neto e cena do espetáculo Cão sem Plumas, inspirado no poema do escritor.
João Cabral de Melo Neto e uma cena de Cão sem Plumas, espetáculo de Deborah Colker inspirado no poema publicado em 1950. O processo de criação da montagem virou documentário dirigido por Camila Valença, premiado no Festival do Rio. Montagem/Literatura Online, com imagem via Wikimedia Commons e divulgação/Companhia de Dança Deborah Colker.

A pernambucana Camila Valença venceu o prêmio de melhor direção de documentário do 28º Festival do Rio com Cão sem Plumas, filme que acompanha a coreógrafa Deborah Colker e o cineasta Cláudio Assis na criação do espetáculo de dança baseado no poema de João Cabral de Melo Neto. Os Troféus Redentor foram entregues no domingo (11), no Cine Odeon, no centro do Rio.

O documentário teve estreia mundial na mostra competitiva Première Brasil. Ele registra a viagem que Colker e Assis fizeram por Pernambuco em 2016, com uma equipe de cerca de 50 pessoas, para filmar as imagens que seriam projetadas no palco. No caminho, o grupo deu oficinas, encenou peças, conheceu artistas populares e assistiu a saraus de estudantes, segundo reportagem do Diário de Pernambuco.

“A gente filmou o processo deles dois e também focamos na passagem deles por Pernambuco de modo geral”, disse a diretora ao jornal. O projeto ficou parado por quase uma década. “Atravessamos uma pandemia e várias dificuldades no processo de captação. Mas finalmente o filme ganhou vida”, afirmou. Para Valença, o longa “junta a ousadia da fotografia de Cláudio Assis com a audácia tão orgânica da coreografia de Deborah”.

O espetáculo que deu origem ao filme estreou em 3 de junho de 2017, no Teatro Guararapes, no Recife. Nele, cenas filmadas por Assis no interior de Pernambuco são projetadas no fundo do palco e dialogam com os bailarinos. A direção musical é de Jorge Du Peixe e Berna Ceppas, com participação de Lirinha. Com a montagem, Colker recebeu em 2018 o Prix Benois de la Danse, um dos principais prêmios internacionais da dança, na categoria coreografia.

O poema O Cão sem Plumas foi publicado em 1950 e segue o curso do rio Capibaribe, do interior até o Recife e o mar. O “cão sem plumas” do título é o próprio rio, pobre e lamacento, e também as pessoas que vivem nas suas margens. O texto começa com uma comparação que se tornou célebre: “A cidade é passada pelo rio / como uma rua / é passada por um cachorro”. Com O Rio e Morte e Vida Severina, o poema forma o conjunto em que João Cabral tratou do Capibaribe e da miséria do Nordeste, tema que a crítica costuma ler como uma virada social na obra do poeta.

Na premiação deste domingo, A Margem do Rio, de Enock Carvalho e Matheus Farias, foi eleito o melhor longa de ficção, e Elza, de Eryk Rocha, sobre a cantora Elza Soares, o melhor documentário. Gabriel Martins levou direção e roteiro de ficção por Vicentina Pede Desculpas, que também ganhou o voto popular. Segundo a organização, o festival exibiu 101 filmes brasileiros e teve público de mais de 150 mil pessoas.

Cão sem Plumas ainda não tem data de estreia comercial nem distribuidora anunciadas.

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