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100 Dias, filme de Carlos Saldanha sobre a travessia de Amyr Klink, estreia em 29 de outubro

Filme de Carlos Saldanha baseado em Cem Dias Entre Céu e Mar teve première no Festival do Rio e estreia em 29/10.

Montagem com a capa de Cem Dias Entre Céu e Mar, de Amyr Klink, e o pôster do filme 100 Dias, de Carlos Saldanha.
Cem Dias Entre Céu e Mar, relato de Amyr Klink sobre a travessia solitária do Atlântico Sul, ganhou adaptação para o cinema dirigida por Carlos Saldanha. 100 Dias estreia em 29 de outubro. Montagem/Literatura Online, com capa da Companhia das Letras e pôster de divulgação/Buena Vista International.

100 Dias, filme de Carlos Saldanha sobre a travessia de Amyr Klink, estreia nos cinemas brasileiros em 29 de outubro. O longa teve a première mundial no sábado (10), no Cine Odeon, como gala brasileira de encerramento do Festival do Rio 2026. A distribuição é da Buena Vista International, selo da Disney.

O filme adapta Cem Dias Entre Céu e Mar, livro em que Klink conta como se tornou, em 1984, a primeira pessoa a cruzar sozinha o Atlântico Sul num barco a remo. Aos 28 anos, ele saiu de Lüderitz, na Namíbia, e remou cerca de 6.500 quilômetros até a Praia da Espera, no litoral norte da Bahia, perto de Salvador. A viagem durou exatamente cem dias, de 12 de junho a 19 de setembro.

Filipe Bragança interpreta o navegador. O elenco tem ainda a francesa Philippine Leroy-Beaulieu, de Emily em Paris, como Asa, mãe de Amyr; Felipe Camargo como o pai, Jamil; e João Vitor Silva como o irmão, Tymur. O roteiro é de Elena Soarez e Thais Tavares. Segundo a programação do festival, a história alterna as tempestades da travessia com memórias familiares para mostrar o que levou Klink ao mar.

É o primeiro longa com atores de Carlos Saldanha, diretor carioca que fez carreira nos Estados Unidos com as animações A Era do Gelo (2002) e Rio (2011). O projeto levou cerca de oito anos para ficar pronto. Saldanha entrou nele num jantar com Klink e a mulher, Marina, antes da pandemia, que interrompeu o desenvolvimento. O produtor Breno Silveira, envolvido no início, morreu nesse período, e o filme acabou realizado pela Ventre Studio.

Em entrevista ao Omelete, Klink brincou com a demora: “Atravessar o Atlântico foi mil vezes mais fácil, né? Porque o meu projeto eram 100 dias”. Saldanha respondeu: “O meu foi de 3.000 dias.” O diretor também explicou por que a história interessa fora do Brasil: “Temos Amyr Klink, temos uma travessia única no mundo, ninguém mais fez.”

As cenas no oceano foram rodadas num tanque construído numa antiga fábrica no interior de São Paulo. Klink disse na mesma entrevista que não sabe se aguentaria o que Bragança enfrentou ali: jornadas de oito horas na água, no inverno, sob chuva e ondas artificiais.

Cem Dias Entre Céu e Mar saiu em 1985, um ano depois da viagem, e virou um clássico da literatura de viagem no Brasil. A Companhia das Letras publica o livro desde os anos 1990 e lançou em 2026 uma nova edição revista, com novo projeto gráfico. Klink escreveu outros relatos de expedições, como Paratii: Entre Dois Polos, sobre a viagem à Antártica em que passou sete meses com o barco preso no gelo, Mar Sem Fim e Linha-d’Água.

100 Dias entra em cartaz em 29 de outubro, em circuito nacional.

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