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Bons Tempos, romance sobre uma influenciadora tradwife, vira fenômeno de vendas e divide leitores

Romance de estreia de Caro Claire Burke sobre uma influenciadora tradwife que acorda em 1855 vendeu 402 mil exemplares impressos nos EUA no semestre, lidera listas, divide críticos e está nas livrarias brasileiras pela Rocco.

Detalhe da capa de Bons Tempos, de Caro Claire Burke, com o rosto de uma mulher e uma cena rural sobreposta à altura dos olhos.
Detalhe da capa de Bons Tempos, romance de Caro Claire Burke sobre uma influenciadora tradwife que acorda no ano de 1855. Divulgação/Editora Rocco.

Bons Tempos: Yesteryear, romance de estreia da americana Caro Claire Burke, chegou às livrarias brasileiras em agosto pela Editora Rocco depois de se tornar um dos livros mais vendidos de 2026 nos Estados Unidos e no Reino Unido. A história de uma influenciadora “tradwife” que acorda presa no ano de 1855 lidera listas de vendas, domina as conversas no BookTok e divide leitores e críticos desde o lançamento em inglês, em abril.

Tradwife é a junção das palavras inglesas “traditional” (tradicional) e “wife” (esposa). O termo designa as influenciadoras que exibem nas redes sociais uma rotina de dona de casa ligada aos papéis de gênero tradicionais: o marido sustenta a família, e a mulher se dedica aos filhos e à casa.

Os números ajudam a medir o fenômeno. Segundo a Publishers Weekly, com dados da Circana BookScan, o livro vendeu 402.152 exemplares impressos nos Estados Unidos no primeiro semestre, até 4 de julho, e terminou o período como o 8º mais vendido do país. A conta não inclui e-books nem audiolivros. O romance chegou ao primeiro lugar da lista de mais vendidos do New York Times e liderou a ficção do Sunday Times, no Reino Unido. Em junho, segundo reportagem da BBC, foi o assunto mais comentado do BookTok, a comunidade de leitores do TikTok.

A edição brasileira tem tradução de Anna Castro e 368 páginas. No site da Rocco, o livro impresso custa R$ 69,90 e o e-book, R$ 34,90.

Do que trata Bons Tempos

Capa e contracapa de Bons Tempos, romance de Caro Claire Burke publicado no Brasil pela Rocco.
Edição brasileira de Bons Tempos, de Caro Claire Burke, romance sobre uma influenciadora tradwife que acorda no ano de 1855. Divulgação/Editora Rocco.

A protagonista é Natalie Heller Mills, 32 anos, mãe de cinco filhos e grávida do sexto. Ela mostra a milhões de seguidores a vida idílica numa fazenda em Idaho, nos Estados Unidos: faz pão de fermentação natural, educa os filhos em casa, bebe leite cru da própria vaca e recolhe ovos das galinhas todas as manhãs. A vida perfeita, porém, é uma vitrine cuidadosamente montada, com babás, funcionários e uma produtora de conteúdo por trás das câmeras.

Um dia, Natalie acorda suja, com frio e numa casa parecida com a sua, cercada de pessoas que dizem ser sua família, mas no ano de 1855. Ela precisa descobrir se está numa farsa elaborada, num reality show bizarro ou em algo muito pior. O romance alterna as duas linhas do tempo: a ascensão de Natalie nas redes e a sobrevivência no passado que ela romantizava. A explicação para a viagem só aparece no fim do livro.

Leitores e críticos apontam como inspiração a americana Hannah Neeleman, do perfil Ballerina Farm, que mostra a vida numa fazenda em Utah com o marido e nove filhos para mais de 10 milhões de seguidores no Instagram. A própria Burke cita Neeleman e Nara Smith como exemplos do fenômeno das tradwives num ensaio publicado no The Guardian. “A tradwife, como a dona de casa dos anos 1950, não é uma pessoa real. Ela não é uma tendência nem uma obsessão cultural. Ela é um anúncio”, escreveu a autora (em tradução livre).

No mesmo texto, Burke explica a origem do livro: “Imagino que seja por isso que escrevi meu romance. Pensei que, se não conseguia subverter a imagem da tradwife, poderia subverter o mundo dela.”

A recepção explica parte da polêmica, porque o livro desagrada a lados opostos. Críticos de veículos religiosos e conservadores, como o Catholic Courier e o Washington Examiner, acusam o romance de tratar como caricatura as mulheres que escolhem a vida doméstica. Já a resenha do Guardian elogiou a premissa e o humor sombrio, mas afirmou que o mistério da trama ocupa o espaço de uma discussão mais funda sobre maternidade, política e religião. Ouvida pela BBC, a escritora Leigh Stein, autora de sátiras sobre a cultura da internet, considerou a ideia brilhante, mas disse não ver no livro “uma crítica coerente de qualquer coisa”.

Quem é Caro Claire Burke

Burke é ex-jornalista, tem mestrado em escrita criativa pelo Bennington College e ganhou seguidores no TikTok com vídeos sobre feminismo e sobre as próprias tradwives. Também apresenta um podcast de cultura e política com a escritora Katie Gatti Tassin. Em 2024, o manuscrito foi disputado em leilão por editoras americanas e saiu pela Knopf em 7 de abril de 2026. Bons Tempos é seu primeiro livro, e não há outras obras dela publicadas no Brasil.

O tamanho do sucesso surpreendeu a autora. “Eu não tinha nenhuma expectativa de entrar na lista de mais vendidos do New York Times“, disse ela em entrevista à Variety. Na mesma conversa, contou que já trabalha num novo projeto, sem dar detalhes.

A história também vai para o cinema. Em julho de 2024, antes da publicação, a Amazon MGM Studios comprou os direitos de adaptação em leilão, segundo o Deadline. Anne Hathaway vai estrelar e produzir o filme, com roteiro de Hannah Friedman. Burke participa como produtora executiva e acompanha as versões do roteiro. Ainda não há diretor nem data de estreia anunciados.

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