A capa de bronze que Salvador Dalí esculpiu para o Livro do Apocalipse, obra coletiva criada entre 1958 e 1961 e apresentada na época como o livro mais caro do mundo, foi roubada do Centro de Arte Contemporânea C. Karoutzos, em Issoire, no centro da França. O furto aconteceu na madrugada de 4 para 5 de outubro, segundo o proprietário e a promotoria de Clermont-Ferrand, citados pela franceinfo.

Só a capa pesa cerca de 150 quilos. Os pergaminhos com o texto e as ilustrações, que formam o miolo do livro, não foram levados. A investigação está com a seção de pesquisas da gendarmaria (a polícia de estatuto militar francesa) de Clermont-Ferrand.
O Livro do Apocalipse foi idealizado em 1958 pelo editor de arte Joseph Forêt, que reuniu sete pintores e sete escritores para ilustrar e comentar o Apocalipse de São João, último livro da Bíblia, que a tradição diz ter sido escrito por volta do ano 97 na ilha grega de Patmos. Participaram, entre outros, os escritores Jean Cocteau, Jean Giono e Ernst Jünger e os pintores Léonard Foujita, Leonor Fini, Georges Mathieu e Bernard Buffet, além de Dalí, de acordo com a edição francesa da The Art Newspaper. O livro foi feito em exemplar único.
Dalí ficou com a capa. A peça foi fundida em bronze pela técnica da cera perdida, em que um modelo de cera é substituído pelo metal derretido, e decorada com ouro, pedras preciosas, pérolas e conchas. Quando o livro ficou pronto, o conjunto foi avaliado em 2 milhões de francos, perto de 305 mil euros, valor que lhe rendeu o título de livro mais caro do mundo.
A obra circulou por exposições em vários países e passou pela Suíça e pelo Japão antes de ser comprada, em 2003, por Christian Karoutzos. Escultor, pintor, editor e poeta, ele dirige uma empresa de restauração de obras de arte em Issoire, onde abriu o centro de arte contemporânea em 2010.
“É uma obra catedral, magistral, única no mundo”, disse Karoutzos à rádio ICI Pays d’Auvergne (em tradução livre). “Assassinaram a França esta noite, assassinaram o patrimônio francês.”
O caso é o mais recente de uma série de furtos em museus franceses desde o roubo das joias da Coroa no Museu do Louvre, em 19 de outubro de 2025. Em 8 de setembro deste ano, quatro quadros de Auguste Renoir foram levados do museu dedicado ao pintor em Cagnes-sur-Mer, no sul do país; dois deles foram abandonados pelos ladrões na fuga. Depois do caso do Louvre, o Ministério da Cultura da França propôs um plano com 33 medidas para reforçar a segurança dos acervos.
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