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Escolas dos EUA baniram quase 12 mil livros em um ano, e Stephen King é o autor mais atingido

Stephen King em primeiro plano diante de uma sala de aula escolar vazia, com carteiras e quadro-negro ao fundo.
Stephen King é o autor mais afetado pelo banimento de livros em escolas públicas dos Estados Unidos pelo segundo ano consecutivo.

Escolas públicas dos Estados Unidos registraram 11.982 casos de livros banidos no último ano letivo, o maior número desde que a organização PEN America começou a fazer esse levantamento, há cinco anos. Os dados estão na nova edição do relatório Banned in the USA (“Proibido nos EUA”, em tradução livre), divulgada nesta segunda-feira (5), e mostram que Stephen King é o autor mais atingido pelo segundo ano seguido.

Os quase 12 mil casos envolvem 7.370 obras diferentes, e mais de 4.500 títulos foram retirados de escolas pela primeira vez, segundo reportagem da Associated Press. Para comparação, o relatório anterior, referente ao ano letivo 2024-2025, havia contado 6.870 casos em 23 estados e 87 distritos escolares, de acordo com a página da PEN America sobre o tema.

A PEN America é uma organização sem fins lucrativos que reúne escritores e defende a liberdade de expressão. No levantamento, ela considera banimento qualquer retirada de um livro de bibliotecas ou salas de aula escolares, ou a restrição de acesso a ele, depois de uma contestação de pais, ativistas, autoridades ou da própria administração escolar.

Flórida e Texas concentram boa parte das remoções. Os dois estados têm leis que restringem o acervo escolar e enfrentam pressão de políticos e grupos conservadores. Na Flórida, o comissário estadual de Educação, Henry Mack, orientou os distritos a revisar os acervos continuamente e retirar material considerado sexualmente explícito mesmo sem nenhuma reclamação formal, sob risco de perder verbas estaduais.

Stephen King teve livros retirados 312 vezes. Entre os títulos removidos estão O Iluminado e À Espera de um Milagre, ambos publicados no Brasil pela Suma. O livro mais banido do período foi Sold, de Patricia McCormick, romance juvenil sobre uma menina nepalesa vendida para uma rede de exploração sexual na Índia, com 25 remoções.

A lista dos mais atingidos inclui também O Conto da Aia, de Margaret Atwood; Speak, de Laurie Halse Anderson; Crank, de Ellen Hopkins; o mangá Tokyo Ghoul, de Sui Ishida, lançado no Brasil pela Panini; e até o clássico Jane Eyre, de Charlotte Brontë, publicado em 1847.

Segundo o relatório, temas ligados a raça, racismo, sexualidade e identidade de gênero continuam sendo os motivos mais comuns das contestações. A novidade desta edição é o uso de inteligência artificial: administradores escolares recorrem cada vez mais a ferramentas de IA para decidir quais livros devem sair das estantes.

O relatório foi divulgado durante a Banned Books Week (Semana dos Livros Banidos), campanha anual realizada nos Estados Unidos por bibliotecas, livrarias e editoras para chamar atenção para a censura de livros.

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