O faturamento dos audiolivros no Brasil cresceu, em média, 22,6% ao ano desde 2019, segundo reportagem publicada pelo UOL. O avanço já se reflete na expansão dos catálogos de editoras, que ampliam a oferta enquanto o público se acostuma a consumir histórias e informação pelo ouvido.
Mesmo com esse ritmo de crescimento, os audiolivros ainda representam uma parcela pequena do mercado editorial brasileiro. O movimento, porém, tem levado as editoras a investir em novas gravações e a preparar catálogos maiores para um público que busca incluir o áudio na rotina.
Editoras ampliam a oferta de audiolivros
A expansão dos catálogos já aparece nos planos das editoras. A Companhia das Letras, que tem cerca de 800 títulos em áudio, prevê ampliar o acervo para 1.200 até o fim de 2026. A Sextante, que inclui a Arqueiro, reúne 770 e espera superar 800 em dezembro; a Record, por sua vez, conta com aproximadamente 800 títulos.
Esse investimento acompanha um hábito já presente entre parte do público: ouvir podcasts durante deslocamentos e outras atividades. A familiaridade com conversas, reportagens e narrativas em áudio pode aproximar esses ouvintes dos livros narrados, que oferecem uma experiência própria: a narração de uma obra literária, integral ou adaptada conforme a edição.
Ouvir enquanto se faz outra atividade
A possibilidade de conciliar a escuta com outras tarefas também pesa na escolha. Pesquisa da Nielsen BookData e da Skeelo citada pelo UOL aponta que 45,5% dos ouvintes de audiolivros dizem recorrer ao formato para fazer outras atividades ao mesmo tempo. É uma característica que torna o áudio conveniente para quem passa o dia entre trabalho, deslocamentos e afazeres domésticos.
A praticidade do áudio também dialoga com o desejo de ler mais. Na edição de 2024 da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, 75% dos leitores disseram que gostariam de ter lido mais nos três meses anteriores; entre eles, 46% apontaram a falta de tempo como motivo. A escuta durante deslocamentos e tarefas ajuda a explicar o apelo dos livros narrados.
Com mais títulos disponíveis e o hábito de escuta já presente em outros formatos, o audiolivro disputa espaço na rotina do leitor. Os dados apontam não só para um aumento de receita, mas também para o esforço das editoras de transformar a conveniência do áudio em uma frente permanente de acesso às obras.
Fontes consultadas
- UOL: crescimento dos audiolivros em meio à popularidade dos podcasts.
- Instituto Pró-Livro: apresentação da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2024.
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