As primeiras críticas de Carrie, série de Mike Flanagan baseada no romance de estreia de Stephen King, saíram nesta quinta-feira (1º) na imprensa americana, e a recepção é dividida. A produção estreia em 7 de outubro no Prime Video, com os oito episódios liberados de uma vez. No Brasil, a série usa o mesmo título da tradução do livro: Carrie, a Estranha.
- No TheWrap, a crítica Amelia Emberwing aprovou a atualização da história: “O experimento de trazer a história de Carrie White para os dias de hoje é um sucesso retumbante, sustentado por uma trilha sonora certeira e pela dose certa de angústia adolescente”, escreveu (em tradução livre). Ela também destacou Samantha Sloyan, intérprete da mãe da protagonista, que entrega, segundo o texto, “a melhor atuação da carreira”.
- O SlashFilm foi mais reticente e deu nota 6 de 10 à série. Para o crítico Chris Evangelista, a protagonista Summer H. Howell “é uma espécie de revelação, facilmente a melhor parte de toda esta adaptação”, mas a trama “começa a se perder à medida que caminha para um final que imaginamos inevitável”. O texto aponta que a tentativa de humanizar personagens tradicionalmente vilanescos, como os colegas que perseguem Carrie, enfraquece o impacto da história.
As mudanças em relação ao livro são o principal assunto das resenhas. A história se passa nos dias atuais e parte de um ponto novo: Carrie viveu isolada com a mãe até que a morte do pai a obriga a frequentar a escola pública. Ali ela enfrenta o bullying em versão contemporânea, com humilhações que viralizam nas redes sociais, ao mesmo tempo em que descobre seus poderes telecinéticos (a capacidade de mover objetos com a mente). Segundo o TheWrap, o clímax no baile de formatura, a cena mais famosa da história, foi deslocado para o penúltimo episódio.
Além de Summer H. Howell (Carrie White) e Samantha Sloyan (Margaret White), o elenco reúne Matthew Lillard como o diretor da escola, Amber Midthunder como a professora Rita Desjardin, Siena Agudong como Sue Snell e Alison Thornton como Chris Hargensen. Flanagan é o criador e showrunner (o responsável criativo pela série) e dirige quatro dos oito episódios. A produção é da Amazon MGM Studios, e Stephen King aparece entre os produtores executivos.
É mais um encontro de Flanagan com a obra de King. O diretor já havia adaptado Jogo Perigoso (2017) e Doutor Sono (2019), além do filme A Vida de Chuck, baseado em uma história curta do autor.
Sobre Carrie e Stephen King
Carrie foi o primeiro romance publicado por Stephen King. O livro saiu nos Estados Unidos em 5 de abril de 1974, pela Doubleday, e conta a história de uma adolescente tímida de 16 anos, dominada por uma mãe religiosa fanática e ridicularizada pelos colegas, que esconde um segredo: a telecinesia. Quando recebe um convite para o baile, ela vê a chance de ter uma vida normal, até que uma crueldade dos colegas muda tudo. A narrativa mistura relatos, depoimentos e trechos de documentos fictícios, como se o leitor reconstituísse o caso a partir de várias versões.
A história de bastidores do livro também ficou conhecida. King abandonou o manuscrito depois de escrever as primeiras páginas, desconfortável com a ideia de narrar do ponto de vista de uma garota, e foi a mulher dele, Tabitha King, quem recuperou as folhas do lixo e o convenceu a continuar. A edição de capa dura vendeu pouco, mas a de bolso chegou a 1 milhão de exemplares no primeiro ano e abriu caminho para a carreira do escritor.
A obra já ganhou várias adaptações. A mais famosa é o filme de Brian De Palma lançado em 1976, com Sissy Spacek no papel principal. Depois vieram um musical da Broadway em 1988, que foi um fracasso comercial, uma continuação em 1999, um telefilme em 2002 e uma nova versão para o cinema em 2013.
No Brasil, o livro é publicado pelo selo Suma, do grupo Companhia das Letras, com tradução de Adalgisa Campos da Silva.
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