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Morre Zuenir Ventura, autor de “1968” e “Cidade Partida”

O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu em 22 de setembro de 2026, aos 95 anos. Autor de “1968” e “Cidade Partida”, ele ocupava a cadeira 32 da ABL

Zuenir Ventura em fotografia de 2012, ao lado da capa da edição da Planeta de 1968: O ano que não terminou.
Zuenir Ventura durante a 1ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, em Brasília, em 2012, ao lado da capa de 1968: O ano que não terminou, edição da Editora Planeta. Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil, via Wikimedia Commons, CC BY 3.0 Brasil; imagem adaptada para a montagem. Capa: reprodução da edição da Editora Planeta.

O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, aos 95 anos. A morte foi registrada pela Academia Brasileira de Letras (ABL), da qual ele ocupava a cadeira 32 desde 2015. O Memória Globo informou que a causa foi pneumonia.

Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Zuenir trabalhou como repórter, editor, colunista e professor. Sua obra aproximou reportagem, memória e interpretação da história recente do Brasil. Entre os livros mais conhecidos estão 1968: O Ano que Não Terminou e Cidade Partida, relato sobre violência e desigualdade no Rio de Janeiro que recebeu o Prêmio Jabuti.

Segundo a TV Cultura, o escritor deixa a mulher, Mary Ventura, e os filhos Mauro e Elisa. As fontes consultadas não informavam horários ou locais de velório e sepultamento.

Reportagens sobre Chico Mendes receberam prêmios

Um dos trabalhos mais importantes de Zuenir Ventura começou após o assassinato do ambientalista Chico Mendes, em dezembro de 1988. Enviado ao Acre no início de 1989, o jornalista passou cerca de um mês investigando o crime e produziu uma série de reportagens para o Jornal do Brasil.

A cobertura recebeu os prêmios Esso e Vladimir Herzog. Anos depois, a investigação foi retomada no livro Chico Mendes: Crime e Castigo, publicado em 2003. O trabalho exemplifica um método baseado em permanência no local, escuta de personagens e apuração cuidadosa.

Essa atenção também orientou Cidade Partida. Para escrever o livro, Zuenir frequentou por meses a comunidade de Vigário Geral, no Rio de Janeiro, depois da chacina de 1993. A obra examina como a violência e a desigualdade separavam territórios e experiências dentro da mesma cidade.

De 1968 à Academia Brasileira de Letras

Nascido em Além Paraíba, Minas Gerais, em 1º de junho de 1931, Zuenir mudou-se para o Rio de Janeiro para cursar Letras Neolatinas na então Universidade do Brasil, atual UFRJ. Antes de se firmar no jornalismo, trabalhou como pintor de parede, office-boy, arquivista e professor.

Sua trajetória passou por publicações como Tribuna da Imprensa, Correio da Manhã, O Cruzeiro, Visão, IstoÉ, Jornal do Brasil e O Globo. Em 1968: O Ano que Não Terminou, publicado em 1988, reuniu a experiência de quem acompanhou protestos, transformações culturais e a repressão da ditadura militar. O próprio jornalista foi preso depois da edição do Ato Institucional nº 5.

Zuenir foi eleito para a cadeira 32 da ABL em 30 de outubro de 2014, na sucessão de Ariano Suassuna, e tomou posse em 6 de março de 2015. A instituição publicou nesta terça-feira registros de pesar pela morte do acadêmico.

Informações de serviço sobre as despedidas devem ser confirmadas nos canais da família e das instituições responsáveis antes de qualquer deslocamento.

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