{"id":908,"date":"2023-06-11T18:56:05","date_gmt":"2023-06-11T21:56:05","guid":{"rendered":"https:\/\/poesiapublica.com.br\/?p=908"},"modified":"2026-05-23T19:04:44","modified_gmt":"2026-05-23T22:04:44","slug":"o-adeus-de-thereza-de-castro-alves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/o-adeus-de-thereza-de-castro-alves\/","title":{"rendered":"O &#8220;Adeus &#8221; de Thereza, de Castro Alves"},"content":{"rendered":"<p>O poema &#8220;O &#8216;Adeus&#8217; de Thereza&#8221; (ou &#8220;Teresa&#8221;, como tamb\u00e9m \u00e9 grafado), de Castro Alves, \u00e9 um poema l\u00edrico que fala sobre amor, despedida, perda. Ele \u00e9 dividido em quatro partes, cada uma delas contendo um encontro diferente do eu-l\u00edrico com uma mulher chamada Thereza, a quem ele ama, mas n\u00e3o a mant\u00e9m por perto.<\/p>\n<p>Na primeira estrofe, o eu-l\u00edrico descreve o primeiro encontro que teve com Thereza, possivelmente em uma festa, onde dan\u00e7aram uma valsa juntos. Depois disso, se despediram, trocando &#8220;adeus&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1 na segunda estrofe, h\u00e1 um encontro entre os dois em uma alcova, em um quarto, em um momento de intimidade, onde trocam beijos e novamente se despedem. Na terceira estrofe, muito tempo depois, eles novamente voltaram a se encontrar, quando o eu-l\u00edrico retornou \u00e0 casa. Por\u00e9m, novamente precisaram se despedir com um &#8220;adeus&#8221;.<\/p>\n<p>Por fim, na quarta e \u00faltima estrofe, ele encontra Thereza em uma festa, mas surpreende-se ao v\u00ea-la com outro homem. Esta \u00e9 a despedida final, marcada pela surpresa e pela dor da descoberta, tanto por parte do eu-l\u00edrico, quanto por parte de Thereza, que murmura seu \u00faltimo &#8220;adeus&#8221;. Por\u00e9m, o fato de &#8220;adeus&#8221; estar entre aspas no t\u00edtulo pode sugerir, em algumas interpreta\u00e7\u00f5es, que aquele n\u00e3o foi de fato o adeus final, j\u00e1 que ambos ainda parecem nutrir sentimentos um pelo outro.<\/p>\n<h2>O &#8220;Adeus&#8221; de Thereza, de Castro Alves<\/h2>\n<blockquote class=\"poem\">\n<p><div>A vez primeira que eu fitei Teresa,<\/div>\n<div>Como as plantas que arrasta a correnteza,<\/div>\n<div>A valsa nos levou nos giros seus&#8230;<\/div>\n<div>E amamos juntos&#8230; E depois na sala<\/div>\n<div>\u201cAdeus\u201d eu disse-lhe a tremer co\u2019a fala&#8230;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>E ela, corando, murmurou-me: \u201cadeus.\u201d<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Uma noite entreabriu-se um reposteiro&#8230;<\/div>\n<div>E da alcova sa\u00eda um cavaleiro<\/div>\n<div>Inda beijando uma mulher sem v\u00e9us&#8230;<\/div>\n<div>Era eu&#8230; Era a p\u00e1lida Teresa!<\/div>\n<div>\u201cAdeus\u201d lhe disse conservando-a presa&#8230;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>E ela entre beijos murmurou-me: \u201cadeus!\u201d<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Passaram tempos&#8230; sec\u2019los de del\u00edrio<\/div>\n<div>Prazeres divinais&#8230; gozos do Emp\u00edreo&#8230;<\/div>\n<div>&#8230; Mas um dia volvi aos lares meus.<\/div>\n<div>Partindo eu disse \u2013 \u201cVoltarei!&#8230; Descansa!&#8230;\u201d Ela, chorando mais que uma crian\u00e7a,<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ela em solu\u00e7os murmurou-me: \u201cadeus!\u201d<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Quando voltei&#8230; era o pal\u00e1cio em festa!&#8230;<\/div>\n<div>E a voz d\u2019Ela e de um homem l\u00e1 na orquestra<br \/>\nPreenchiam de amor o azul dos c\u00e9us.<\/div>\n<div>Entrei!&#8230;Ela me olhou branca&#8230; surpresa!<\/div>\n<div>Foi a \u00faltima vez que eu vi Teresa!&#8230;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>E ela arquejando murmurou-me: \u201cadeus!\u201d<\/div>\n<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Quest\u00e3o de vestibular da PUC-RS<\/h2>\n<p>Em 2017, este poema de Castro Alves foi tema de uma quest\u00e3o do vestibular da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul, voltando a popularizar-se no meio acad\u00eamico. Na quest\u00e3o, o candidato precisava ler este poema de Castro Alves e compar\u00e1-lo ao poema &#8220;Teresa&#8221;, de Manuel Bandeira, claramente inspirado no do poeta baiano.<\/p>\n<p>Leia abaixo o poema &#8220;Teresa&#8221;, de Manuel Bandeira:<\/p>\n<blockquote><p>A primeira vez que vi Teresa<br \/>\nAchei que ela tinha pernas est\u00fapidas<br \/>\nAchei tamb\u00e9m que a cara parecia uma perna<\/p>\n<p>Quando vi Teresa de novo<br \/>\nAchei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo<br \/>\n(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)<\/p>\n<p>Da terceira vez n\u00e3o vi mais nada<br \/>\nOs c\u00e9us se misturaram com a terra<br \/>\nE o esp\u00edrito de Deus voltou a se mover sobre a face das \u00e1guas.<\/p><\/blockquote>\n<p>O poema de Manuel Bandeira estabelece uma clara rela\u00e7\u00e3o de intertextualidade com o de Castro Alves, mas tendo uma abordagem mais popular. Ele abandona a linguagem rebuscada do romantismo brasileiro e faz uma vers\u00e3o mais honesta, direta e sem todo o idealismo dos poetas rom\u00e2nticos.<\/p>\n<p>No primeiro encontro, o eu-l\u00edrico observa as &#8220;pernas est\u00fapidas&#8221; e a cara, que &#8220;parecia uma perna&#8221; (ou seja, era igualmente est\u00fapida). No segundo encontro, os olhos s\u00e3o descritos como muito mais velhos do que o corpo; h\u00e1 um contato olho-no-olho, n\u00e3o mais de baixo para cima, pois ambos j\u00e1 est\u00e3o mais maduros. No terceiro encontro, o eu-l\u00edrico n\u00e3o consegue mais distinguir c\u00e9u e terra; o adeus \u00e9 substitu\u00eddo por uma experi\u00eancia cada vez mais profunda e transformadora de ver Teresa. Ele j\u00e1 n\u00e3o a enxerga mais como algu\u00e9m de &#8220;pernas e cara est\u00fapidas&#8221;, mas atrav\u00e9s de um olhar verdadeiramente apaixonado e sublime.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em &#8220;O &#8216;adeus&#8217; de Thereza&#8221;, de Castro Alves, vemos o encontro do eu-l\u00edrico com uma mulher chamada Thereza em quatro momentos diferentes.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":909,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[22,47,181,207,208,211],"class_list":["post-908","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-poemas","tag-amor","tag-castro-alves","tag-paixao","tag-romantismo","tag-romantismo-brasileiro","tag-saudade"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.6 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>O &quot;Adeus &quot; 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