{"id":3975,"date":"2026-09-29T19:15:41","date_gmt":"2026-09-29T22:15:41","guid":{"rendered":"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/?p=3975"},"modified":"2026-09-29T18:52:02","modified_gmt":"2026-09-29T21:52:02","slug":"o-cortico-resumo-analise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/o-cortico-resumo-analise\/","title":{"rendered":"O Corti\u00e7o: resumo, personagens e an\u00e1lise do romance de Alu\u00edsio Azevedo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/livro\/o-cortico\/\"><em>O Corti\u00e7o<\/em><\/a> \u00e9 o romance mais conhecido do Naturalismo brasileiro. Publicado em 1890 por <a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/autor\/aluisio-azevedo\/\">Alu\u00edsio Azevedo<\/a>, o livro conta a hist\u00f3ria de uma habita\u00e7\u00e3o coletiva no Rio de Janeiro do fim do s\u00e9culo XIX e das pessoas que vivem espremidas ali. Este resumo de <em>O Corti\u00e7o<\/em> apresenta o enredo, os personagens, os temas e o que costuma ser cobrado em provas.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 leitura frequente no ensino m\u00e9dio e em vestibulares porque re\u00fane, num s\u00f3 enredo, as marcas do Naturalismo: personagens movidos pelo instinto, forte influ\u00eancia do ambiente e cr\u00edtica social direta. Tamb\u00e9m \u00e9 uma boa porta de entrada para entender como a literatura brasileira retratou a escravid\u00e3o, a imigra\u00e7\u00e3o portuguesa e a desigualdade urbana.<\/p>\n<p>O romance est\u00e1 em dom\u00ednio p\u00fablico e pode ser <a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/livro\/o-cortico\/\"><strong>lido gratuitamente na \u00edntegra na plataforma do Literatura Online<\/strong><\/a>.<\/p>\n<h2>O que \u00e9 <em>O Corti\u00e7o<\/em>?<\/h2>\n<figure id=\"attachment_3994\" aria-describedby=\"caption-attachment-3994\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3994\" src=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-que-e-O-Cortico.webp\" alt=\"Folha de rosto da primeira edi\u00e7\u00e3o de O Corti\u00e7o, publicada em 1890 pela B. L. Garnier no Rio de Janeiro, ao lado de retrato em preto e branco de Alu\u00edsio Azevedo.\" width=\"1200\" height=\"630\" srcset=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-que-e-O-Cortico.webp 1200w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-que-e-O-Cortico-300x158.webp 300w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-que-e-O-Cortico-1024x538.webp 1024w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-que-e-O-Cortico-768x403.webp 768w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-que-e-O-Cortico-150x79.webp 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3994\" class=\"wp-caption-text\">Folha de rosto da primeira edi\u00e7\u00e3o de O Corti\u00e7o (1890), lan\u00e7ada pela Garnier, e retrato de Alu\u00edsio Azevedo. Reprodu\u00e7\u00e3o: dom\u00ednio p\u00fablico<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>O Corti\u00e7o<\/em> \u00e9 um romance naturalista de Alu\u00edsio Azevedo, publicado em 1890, que narra a ascens\u00e3o do comerciante portugu\u00eas Jo\u00e3o Rom\u00e3o e a vida dos moradores do corti\u00e7o que ele constr\u00f3i no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro. Corti\u00e7o era o nome dado a conjuntos de pequenas casas ou quartos alugados a fam\u00edlias pobres, com tanques, latrinas e espa\u00e7os comuns.<\/p>\n<p>O narrador fala em terceira pessoa e sabe tudo sobre os personagens (\u00e9 o chamado narrador onisciente). Ele observa aquele mundo como um cientista observa um experimento: descreve corpos, cheiros, ru\u00eddos e comportamentos, e tenta mostrar como <strong>o meio e o instinto determinam o destino das pessoas<\/strong>.<\/p>\n<p>Alu\u00edsio Azevedo nasceu em S\u00e3o Lu\u00eds, no Maranh\u00e3o, em 1857, e morreu em Buenos Aires, em 1913. Foi caricaturista, jornalista, romancista e diplomata, al\u00e9m de um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a <a href=\"https:\/\/www.academia.org.br\/academicos\/aluisio-azevedo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cadeira 4<\/a>.<\/p>\n<h2>Resumo de <em>O Corti\u00e7o<\/em><\/h2>\n<p>O enredo acompanha duas linhas principais: o enriquecimento de Jo\u00e3o Rom\u00e3o e a vida coletiva dos moradores do corti\u00e7o. As duas se cruzam o tempo todo.<\/p>\n<h3>A ascens\u00e3o de Jo\u00e3o Rom\u00e3o<\/h3>\n<p>Jo\u00e3o Rom\u00e3o \u00e9 um imigrante portugu\u00eas dono de uma venda (um pequeno armaz\u00e9m) em Botafogo. Obcecado por dinheiro, ele economiza em tudo, rouba materiais de constru\u00e7\u00e3o e explora quem est\u00e1 ao seu redor. Vive com Bertoleza, uma quitandeira escravizada que lhe entrega suas economias para comprar a pr\u00f3pria alforria, isto \u00e9, a liberdade. Jo\u00e3o Rom\u00e3o falsifica a carta de alforria e fica com o dinheiro. Bertoleza passa a trabalhar para ele como se fosse livre, sem saber que continua escravizada perante a lei.<\/p>\n<p>Com o dinheiro acumulado, Jo\u00e3o Rom\u00e3o compra terrenos, abre uma pedreira e constr\u00f3i casinhas para alugar. Assim nasce o corti\u00e7o S\u00e3o Rom\u00e3o. Ao lado dele mora Miranda, outro comerciante portugu\u00eas, rico e ambicioso por status. Os dois vivem em rivalidade: Miranda despreza o corti\u00e7o barulhento, e Jo\u00e3o Rom\u00e3o inveja o sobrado e o prest\u00edgio do vizinho.<\/p>\n<h3>Jer\u00f4nimo e Rita Baiana<\/h3>\n<p>Entre os moradores chega Jer\u00f4nimo, um trabalhador portugu\u00eas s\u00e9rio e disciplinado, contratado para chefiar a pedreira. Ele vive com a esposa, Piedade, e a filha. Aos poucos, Jer\u00f4nimo se encanta por Rita Baiana, mulata sensual e alegre, que dan\u00e7a e canta nas festas do corti\u00e7o.<\/p>\n<p>O narrador descreve essa paix\u00e3o como um processo de &#8220;abrasileiramento&#8221;: Jer\u00f4nimo abandona os h\u00e1bitos r\u00edgidos, passa a gostar de caf\u00e9, de m\u00fasica e do calor, e perde a disciplina. <strong>A mudan\u00e7a de Jer\u00f4nimo \u00e9 o exemplo mais citado do determinismo do meio<\/strong> no romance. Para ficar com Rita, ele mata Firmo, capoeirista e amante dela, numa emboscada, e abandona a fam\u00edlia. Piedade afunda no alcoolismo.<\/p>\n<h3>O inc\u00eandio e a transforma\u00e7\u00e3o do corti\u00e7o<\/h3>\n<p>O corti\u00e7o vive em conflito com um corti\u00e7o vizinho, o Cabe\u00e7a-de-Gato, e brigas entre os grupos se repetem. Num desses momentos de tens\u00e3o, um inc\u00eandio atinge o S\u00e3o Rom\u00e3o. Jo\u00e3o Rom\u00e3o aproveita a destrui\u00e7\u00e3o para reconstruir o espa\u00e7o, agora mais organizado e rent\u00e1vel. O antigo corti\u00e7o vira a &#8220;Avenida S\u00e3o Rom\u00e3o&#8221;, com moradores de condi\u00e7\u00e3o um pouco melhor.<\/p>\n<p>Enquanto isso, Jo\u00e3o Rom\u00e3o muda de vida. Passa a se vestir bem, frequentar ambientes elegantes e se aproximar de Miranda, que recebe o t\u00edtulo de bar\u00e3o. O objetivo agora \u00e9 casar com Zulmira, filha do vizinho, para completar a subida social.<\/p>\n<h3>O final de Bertoleza<\/h3>\n<p>Bertoleza se torna um obst\u00e1culo ao casamento. Para se livrar dela, Jo\u00e3o Rom\u00e3o denuncia sua situa\u00e7\u00e3o aos herdeiros de seu antigo dono. Quando a pol\u00edcia chega para lev\u00e1-la de volta \u00e0 escravid\u00e3o, Bertoleza entende a trai\u00e7\u00e3o e se mata com a faca com que limpava peixe.<\/p>\n<p>No mesmo instante, uma comiss\u00e3o de abolicionistas chega \u00e0 casa para entregar a Jo\u00e3o Rom\u00e3o um diploma de s\u00f3cio benem\u00e9rito. <strong>A cena final exp\u00f5e a hipocrisia de uma elite que se dizia abolicionista<\/strong> enquanto lucrava com a explora\u00e7\u00e3o de pessoas escravizadas.<\/p>\n<h2>Quais s\u00e3o os personagens principais de <em>O Corti\u00e7o<\/em>?<\/h2>\n<p>Os personagens principais de <em>O Corti\u00e7o<\/em> s\u00e3o Jo\u00e3o Rom\u00e3o, Bertoleza, Miranda, Jer\u00f4nimo, Rita Baiana e Piedade. Ao redor deles circula uma multid\u00e3o de moradores que d\u00e1 vida ao corti\u00e7o.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Jo\u00e3o Rom\u00e3o:<\/strong> portugu\u00eas ambicioso, dono da venda, da pedreira e do corti\u00e7o. Representa o capitalismo sem escr\u00fapulos.<\/li>\n<li><strong>Bertoleza:<\/strong> mulher escravizada, companheira e trabalhadora explorada por Jo\u00e3o Rom\u00e3o, que a engana com uma alforria falsa.<\/li>\n<li><strong>Miranda:<\/strong> comerciante portugu\u00eas rico, vizinho e rival de Jo\u00e3o Rom\u00e3o; torna-se bar\u00e3o.<\/li>\n<li><strong>Estela e Zulmira:<\/strong> esposa e filha de Miranda. Zulmira \u00e9 a noiva que Jo\u00e3o Rom\u00e3o deseja para subir socialmente.<\/li>\n<li><strong>Jer\u00f4nimo:<\/strong> trabalhador portugu\u00eas que se transforma ao se apaixonar por Rita Baiana.<\/li>\n<li><strong>Piedade:<\/strong> esposa de Jer\u00f4nimo, abandonada por ele.<\/li>\n<li><strong>Rita Baiana:<\/strong> moradora alegre e sedutora, s\u00edmbolo da sensualidade associada ao ambiente tropical na vis\u00e3o do narrador.<\/li>\n<li><strong>Firmo:<\/strong> capoeirista, amante de Rita, morto por Jer\u00f4nimo.<\/li>\n<li><strong>Pombinha:<\/strong> jovem delicada do corti\u00e7o, vista como promessa de ascens\u00e3o, que acaba seguindo o caminho da prostitui\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<h2>Por que <em>O Corti\u00e7o<\/em> \u00e9 um romance naturalista?<\/h2>\n<p><em>O Corti\u00e7o<\/em> \u00e9 naturalista porque trata o ser humano como produto da biologia e do ambiente, e n\u00e3o como algu\u00e9m guiado apenas pela raz\u00e3o ou pela vontade. O Naturalismo foi um desdobramento do Realismo, no fim do s\u00e9culo XIX, que tentou aplicar \u00e0 literatura m\u00e9todos inspirados nas ci\u00eancias naturais.<\/p>\n<p>As principais marcas naturalistas do livro s\u00e3o:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>Determinismo:<\/strong> a ideia de que meio, ra\u00e7a e momento hist\u00f3rico definem o comportamento humano. O texto sobre <a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/o-que-e-o-determinismo-na-literatura\/\">o determinismo na literatura<\/a> explica o conceito em detalhe.<\/li>\n<li><strong>Zoomorfiza\u00e7\u00e3o:<\/strong> personagens descritos com tra\u00e7os de animais. Os moradores s\u00e3o comparados a bichos e larvas, e o corti\u00e7o parece um organismo vivo.<\/li>\n<li><strong>Instinto e sexualidade:<\/strong> desejo e impulsos f\u00edsicos movem boa parte das a\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li><strong>Linguagem descritiva e objetiva:<\/strong> o narrador se det\u00e9m em detalhes sensoriais, inclusive os desagrad\u00e1veis.<\/li>\n<li><strong>Cr\u00edtica social:<\/strong> pobreza, explora\u00e7\u00e3o e gan\u00e2ncia aparecem sem idealiza\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Para ver essas caracter\u00edsticas aplicadas a outras obras, leia o guia sobre <a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/principais-caracteristicas-da-literatura-naturalista\/\">as principais caracter\u00edsticas da literatura naturalista<\/a>.<\/p>\n<h2>O corti\u00e7o \u00e9 o verdadeiro protagonista?<\/h2>\n<p>Muitos cr\u00edticos consideram o pr\u00f3prio corti\u00e7o o protagonista do romance, porque o espa\u00e7o funciona como um personagem coletivo que cresce, adoece, briga e se transforma. O narrador descreve o amanhecer no corti\u00e7o como o despertar de um ser vivo, com vozes, tosses, cheiros e barulho de lavadeiras.<\/p>\n<p>Essa escolha tem um efeito importante: <strong>os indiv\u00edduos importam menos do que a massa<\/strong>. O corti\u00e7o molda quem chega nele, como acontece com Jer\u00f4nimo e Pombinha. Ao mesmo tempo, o crescimento do corti\u00e7o espelha o enriquecimento de Jo\u00e3o Rom\u00e3o. Quando o dono sobe na vida, o espa\u00e7o tamb\u00e9m muda de apar\u00eancia.<\/p>\n<h2>Quais s\u00e3o os temas de <em>O Corti\u00e7o<\/em>?<\/h2>\n<p>Os temas centrais de <em>O Corti\u00e7o<\/em> s\u00e3o a ambi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, a escravid\u00e3o, a imigra\u00e7\u00e3o portuguesa e a influ\u00eancia do meio sobre o indiv\u00edduo.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Ambi\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o:<\/strong> Jo\u00e3o Rom\u00e3o enriquece \u00e0 custa do trabalho alheio, sobretudo de Bertoleza.<\/li>\n<li><strong>Escravid\u00e3o e racismo:<\/strong> o destino de Bertoleza denuncia a viol\u00eancia do sistema escravista \u00e0s v\u00e9speras e depois da Aboli\u00e7\u00e3o. O romance tamb\u00e9m reproduz preconceitos raciais da \u00e9poca, vis\u00edveis nas descri\u00e7\u00f5es de personagens negros e mesti\u00e7os. Uma leitura atual precisa considerar os dois lados.<\/li>\n<li><strong>Imigra\u00e7\u00e3o portuguesa:<\/strong> o livro op\u00f5e dois portugueses (Jo\u00e3o Rom\u00e3o e Jer\u00f4nimo) com trajet\u00f3rias contr\u00e1rias, um que sobe e outro que &#8220;se perde&#8221;.<\/li>\n<li><strong>Ascens\u00e3o social:<\/strong> a rivalidade entre o corti\u00e7o e o sobrado de Miranda mostra a disputa por dinheiro e prest\u00edgio.<\/li>\n<li><strong>Condi\u00e7\u00e3o da mulher:<\/strong> Bertoleza, Piedade, Pombinha e Rita t\u00eam destinos marcados pela depend\u00eancia econ\u00f4mica e pelo desejo masculino.<\/li>\n<\/ul>\n<h2>Qual a rela\u00e7\u00e3o entre <em>O Corti\u00e7o<\/em> e \u00c9mile Zola?<\/h2>\n<p><em>O Corti\u00e7o<\/em> tem forte influ\u00eancia do escritor franc\u00eas \u00c9mile Zola, principal nome do Naturalismo europeu. Zola defendia o &#8220;romance experimental&#8221;, em que o autor observa personagens submetidos a condi\u00e7\u00f5es de meio e hereditariedade, como num laborat\u00f3rio. Seus romances sobre a vida oper\u00e1ria em Paris, como <em>A Taberna<\/em> (<em>L&#8217;Assommoir<\/em>), s\u00e3o apontados como modelo para Alu\u00edsio.<\/p>\n<p>O escritor brasileiro, por\u00e9m, adaptou o m\u00e9todo \u00e0 realidade local. A escravid\u00e3o, o clima tropical, a imigra\u00e7\u00e3o portuguesa e a mistura de grupos sociais no Rio de Janeiro d\u00e3o ao livro uma identidade pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Alu\u00edsio j\u00e1 havia experimentado o Naturalismo antes. <a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/livro\/o-mulato\/\"><em>O Mulato<\/em><\/a>, de 1881, \u00e9 considerado o marco inicial do movimento no Brasil, como mostramos no texto sobre <a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/a-importancia-da-obra-o-mulato-de-aluisio-azevedo\/\">a import\u00e2ncia de <em>O Mulato<\/em><\/a>. Em 1884 veio <a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/livro\/casa-de-pensao\/\"><em>Casa de Pens\u00e3o<\/em><\/a>, outro retrato de moradias coletivas no Rio.<\/p>\n<h2>Como estudar <em>O Corti\u00e7o<\/em> para o vestibular?<\/h2>\n<p>Para estudar <em>O Corti\u00e7o<\/em> para o vestibular, o ideal \u00e9 ler o romance completo e revisar tr\u00eas pontos que aparecem com frequ\u00eancia nas quest\u00f5es: as caracter\u00edsticas do Naturalismo, o papel do corti\u00e7o como personagem coletivo e o final de Bertoleza.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Relacione trechos a conceitos:<\/strong> ao ler uma descri\u00e7\u00e3o do corti\u00e7o, identifique zoomorfiza\u00e7\u00e3o, determinismo ou cr\u00edtica social.<\/li>\n<li><strong>Compare personagens:<\/strong> Jo\u00e3o Rom\u00e3o e Jer\u00f4nimo formam um contraste cl\u00e1ssico de trajet\u00f3rias.<\/li>\n<li><strong>Contextualize:<\/strong> lembre que o livro saiu em 1890, dois anos depois da Aboli\u00e7\u00e3o, mas se passa num per\u00edodo em que a escravid\u00e3o ainda existia.<\/li>\n<li><strong>Compare com o Realismo:<\/strong> quest\u00f5es pedem a diferen\u00e7a entre o olhar psicol\u00f3gico de Machado de Assis e o olhar &#8220;cient\u00edfico&#8221; de Alu\u00edsio.<\/li>\n<\/ul>\n<p>O Naturalismo est\u00e1 entre os conte\u00fados que mais aparecem nas provas, como mostra nosso levantamento sobre <a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/assuntos-de-literatura-que-mais-caem-no-enem\/\">os assuntos de literatura que mais caem no ENEM<\/a>.<\/p>\n<h2>Perguntas frequentes<\/h2>\n<h3>Em que \u00e9poca se passa <em>O Corti\u00e7o<\/em>?<\/h3>\n<p><em>O Corti\u00e7o<\/em> se passa no Rio de Janeiro, no fim do s\u00e9culo XIX, antes da Aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, em 1888. Por isso Bertoleza ainda pode ser reclamada pelos herdeiros de seu antigo dono no desfecho do livro.<\/p>\n<h3>Por que Bertoleza se mata no final de <em>O Corti\u00e7o<\/em>?<\/h3>\n<p>Bertoleza se mata porque descobre que Jo\u00e3o Rom\u00e3o a traiu e a denunciou para que fosse devolvida \u00e0 escravid\u00e3o. Diante da pol\u00edcia e da perda da liberdade que acreditava ter comprado, ela prefere a morte.<\/p>\n<h3>Qual a diferen\u00e7a entre o corti\u00e7o S\u00e3o Rom\u00e3o e a Avenida S\u00e3o Rom\u00e3o?<\/h3>\n<p>O corti\u00e7o S\u00e3o Rom\u00e3o \u00e9 a habita\u00e7\u00e3o coletiva original, pobre e barulhenta. Depois do inc\u00eandio, Jo\u00e3o Rom\u00e3o a reconstr\u00f3i como Avenida S\u00e3o Rom\u00e3o, com casas mais organizadas e alugu\u00e9is mais altos, o que acompanha sua pr\u00f3pria ascens\u00e3o social.<\/p>\n<h3>O que acontece com Pombinha em <em>O Corti\u00e7o<\/em>?<\/h3>\n<p>Pombinha, jovem que parecia destinada a um bom casamento, se decepciona com a vida conjugal, abandona o marido e passa a viver da prostitui\u00e7\u00e3o. Sua trajet\u00f3ria refor\u00e7a a ideia naturalista de que o ambiente do corti\u00e7o molda o destino de seus moradores.<\/p>\n<h3><em>O Corti\u00e7o<\/em> \u00e9 dif\u00edcil de ler?<\/h3>\n<p><em>O Corti\u00e7o<\/em> tem vocabul\u00e1rio do s\u00e9culo XIX e descri\u00e7\u00f5es longas, mas a trama \u00e9 movimentada e cheia de conflitos. Ler em blocos de poucos cap\u00edtulos e anotar os personagens facilita bastante a compreens\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Corti\u00e7o \u00e9 o romance mais conhecido do Naturalismo brasileiro. 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