{"id":3935,"date":"2026-09-26T18:00:41","date_gmt":"2026-09-26T21:00:41","guid":{"rendered":"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/?p=3935"},"modified":"2026-09-25T19:32:15","modified_gmt":"2026-09-25T22:32:15","slug":"onde-se-passam-classicos-literatura-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/onde-se-passam-classicos-literatura-brasileira\/","title":{"rendered":"Do Rio de Machado de Assis ao sert\u00e3o de Graciliano: cinco cen\u00e1rios liter\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p>Um livro n\u00e3o substitui uma viagem, mas pode ensinar a olhar um lugar. No Dia Mundial do Turismo, celebrado em 27 de setembro, cinco cl\u00e1ssicos brasileiros levam o leitor do Rio de Janeiro ao sert\u00e3o e mostram como ruas, cidades e paisagens participam da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Os lugares desta lista n\u00e3o aparecem como cart\u00f5es-postais. Eles s\u00e3o recriados pela mem\u00f3ria, pela ironia, pelo conflito social e pela experi\u00eancia das personagens.<\/p>\n<h2>1. O Rio de Janeiro de <em>Dom Casmurro<\/em><\/h2>\n<figure id=\"attachment_3938\" aria-describedby=\"caption-attachment-3938\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3938\" src=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-Rio-de-Janeiro-de-Dom-Casmurro.webp\" alt=\"Litografia hist\u00f3rica do Rio de Janeiro, com o Aqueduto da Carioca ao fundo, o Convento de Santa Teresa no alto do morro e pessoas na rua.\" width=\"1200\" height=\"630\" srcset=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-Rio-de-Janeiro-de-Dom-Casmurro.webp 1200w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-Rio-de-Janeiro-de-Dom-Casmurro-300x158.webp 300w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-Rio-de-Janeiro-de-Dom-Casmurro-1024x538.webp 1024w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-Rio-de-Janeiro-de-Dom-Casmurro-768x403.webp 768w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-Rio-de-Janeiro-de-Dom-Casmurro-150x79.webp 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3938\" class=\"wp-caption-text\">Aqueduto da Carioca e Convento de Santa Teresa, vistos da antiga Rua Mata-Cavalos. Desenho de William Gore Ouseley, litografado por Jonathan Needham para Views in South America (1852).<\/figcaption><\/figure>\n<p>Bentinho conta sua hist\u00f3ria a partir de uma casa no Engenho Novo, constru\u00edda para reproduzir a resid\u00eancia da juventude na antiga Rua de Mata-cavalos. O Rio de Janeiro do romance aparece como uma cidade percorrida por trem, marcada por bairros, igrejas, casas de fam\u00edlia e diferen\u00e7as sociais.<\/p>\n<p>A tentativa de reconstruir a casa mostra o limite da mem\u00f3ria. As paredes podem ser copiadas, mas o narrador n\u00e3o consegue recuperar a pessoa que foi nem as rela\u00e7\u00f5es que perdeu. <a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/livro\/dom-casmurro\/\">Leia <em>Dom Casmurro<\/em> na Literatura Online<\/a>.<\/p>\n<h2>2. A Itagua\u00ed de <em>O Alienista<\/em><\/h2>\n<figure id=\"attachment_3936\" aria-describedby=\"caption-attachment-3936\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3936\" src=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/A-Itaguai-de-O-Alienista.webp\" alt=\"Pintura de uma estrada de terra entre casas e morros verdes, com uma pessoa montada em um animal ao centro.\" width=\"1200\" height=\"630\" srcset=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/A-Itaguai-de-O-Alienista.webp 1200w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/A-Itaguai-de-O-Alienista-300x158.webp 300w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/A-Itaguai-de-O-Alienista-1024x538.webp 1024w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/A-Itaguai-de-O-Alienista-768x403.webp 768w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/A-Itaguai-de-O-Alienista-150x79.webp 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3936\" class=\"wp-caption-text\">Paisagem rural nos arredores de Petr\u00f3polis, c. 1900. \u00d3leo sobre tela de Jo\u00e3o Baptista da Costa.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em <em>O Alienista<\/em>, Machado de Assis transforma Itagua\u00ed, no estado do Rio de Janeiro, em palco de uma experi\u00eancia absurda. O m\u00e9dico Sim\u00e3o Bacamarte funda a Casa Verde e passa a internar moradores com base em crit\u00e9rios que se ampliam at\u00e9 amea\u00e7ar quase toda a vila.<\/p>\n<p>Pra\u00e7as, ruas, casas e autoridades locais formam uma sociedade em miniatura. A cidade permite ao autor satirizar o poder cient\u00edfico, a pol\u00edtica e a facilidade com que uma regra arbitr\u00e1ria pode se tornar normal. <a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/livro\/o-alienista\/\">Leia <em>O Alienista<\/em><\/a>.<\/p>\n<h2>3. A Fortaleza de <em>A Normalista<\/em><\/h2>\n<figure id=\"attachment_3940\" aria-describedby=\"caption-attachment-3940\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3940\" src=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/A-Fortaleza-de-A-Normalista.webp\" alt=\"otografia hist\u00f3rica da rua comercial diante da Pra\u00e7a do Ferreira, em Fortaleza, com fachadas de lojas, cal\u00e7amento de pedra e pedestres.\" width=\"1200\" height=\"630\" srcset=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/A-Fortaleza-de-A-Normalista.webp 1200w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/A-Fortaleza-de-A-Normalista-300x158.webp 300w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/A-Fortaleza-de-A-Normalista-1024x538.webp 1024w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/A-Fortaleza-de-A-Normalista-768x403.webp 768w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/A-Fortaleza-de-A-Normalista-150x79.webp 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3940\" class=\"wp-caption-text\">Rua Major Facundo, diante da Pra\u00e7a do Ferreira, em Fortaleza, em 1906. Fot\u00f3grafo n\u00e3o identificado; imagem preservada no Acervo Nirez.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Publicado em 1893, <em>A Normalista<\/em> acompanha Maria do Carmo numa Fortaleza em transforma\u00e7\u00e3o. Ruas, bairros, escolas, clubes e espa\u00e7os de conviv\u00eancia revelam uma cidade que procura adotar costumes modernos sem abandonar hierarquias, vigil\u00e2ncia moral e desigualdades.<\/p>\n<p>Adolfo Caminha n\u00e3o apresenta a capital cearense como cen\u00e1rio neutro. A circula\u00e7\u00e3o das personagens ajuda a mostrar quem pode frequentar determinados lugares, quem \u00e9 observado e como os boatos interferem na vida de uma jovem. <a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/livro\/a-normalista\/\">Leia <em>A Normalista<\/em><\/a>.<\/p>\n<h2>4. O Maranh\u00e3o de <em>\u00darsula<\/em><\/h2>\n<figure id=\"attachment_3937\" aria-describedby=\"caption-attachment-3937\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3937\" src=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-Maranhao-de-Ursula.webp\" alt=\"Cart\u00e3o-postal colorizado da Pra\u00e7a Jo\u00e3o Lisboa, em S\u00e3o Lu\u00eds, com o jardim central, pr\u00e9dios hist\u00f3ricos e a Igreja do Carmo ao fundo.\" width=\"1200\" height=\"630\" srcset=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-Maranhao-de-Ursula.webp 1200w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-Maranhao-de-Ursula-300x158.webp 300w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-Maranhao-de-Ursula-1024x538.webp 1024w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-Maranhao-de-Ursula-768x403.webp 768w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-Maranhao-de-Ursula-150x79.webp 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3937\" class=\"wp-caption-text\">Pra\u00e7a Jo\u00e3o Lisboa, em S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o, em cart\u00e3o-postal de cerca de 1910. Autor desconhecido.<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>\u00darsula<\/em>, de Maria Firmina dos Reis, foi publicado no Maranh\u00e3o em 1859. A paisagem de matas, caminhos e propriedades rurais participa de uma narrativa rom\u00e2ntica que tamb\u00e9m denuncia a escravid\u00e3o e a viol\u00eancia patriarcal.<\/p>\n<p>O lugar ganha sentido principalmente pelas vozes das personagens. T\u00falio, Susana e Antero narram perdas, separa\u00e7\u00f5es e lembran\u00e7as que impedem o leitor de tratar a fazenda apenas como paisagem. O espa\u00e7o guarda rela\u00e7\u00f5es de poder e mem\u00f3rias que a hist\u00f3ria oficial tentou apagar. <a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/livro\/ursula\/\">Leia <em>\u00darsula<\/em><\/a>.<\/p>\n<h2>5. O sert\u00e3o de <em>Vidas Secas<\/em><\/h2>\n<figure id=\"attachment_3939\" aria-describedby=\"caption-attachment-3939\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3939\" src=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-sertao-de-Vidas-Secas.webp\" alt=\"Fotografia hist\u00f3rica em tons de s\u00e9pia mostra uma paisagem seca e pedregosa, com vegeta\u00e7\u00e3o esparsa e pequenas constru\u00e7\u00f5es ao fundo.\" width=\"1200\" height=\"630\" srcset=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-sertao-de-Vidas-Secas.webp 1200w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-sertao-de-Vidas-Secas-300x158.webp 300w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-sertao-de-Vidas-Secas-1024x538.webp 1024w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-sertao-de-Vidas-Secas-768x403.webp 768w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/O-sertao-de-Vidas-Secas-150x79.webp 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3939\" class=\"wp-caption-text\">Vista parcial de Canudos, na Bahia, em 1897. Fotografia de Fl\u00e1vio de Barros; Acervo Museu da Rep\u00fablica.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em <em>Vidas Secas<\/em>, Graciliano Ramos acompanha uma fam\u00edlia que caminha pelo sert\u00e3o nordestino fugindo da seca. A paisagem n\u00e3o \u00e9 identificada como um destino tur\u00edstico espec\u00edfico. Ela \u00e9 uma regi\u00e3o de deslocamento, trabalho prec\u00e1rio, calor e escassez.<\/p>\n<p>Fabiano, sinh\u00e1 Vit\u00f3ria, os dois meninos e a cachorra Baleia percebem o espa\u00e7o a partir de necessidades imediatas: \u00e1gua, sombra, comida e abrigo. A viagem da fam\u00edlia mostra como o ambiente, a pobreza e a explora\u00e7\u00e3o limitam as escolhas sem apagar o desejo de uma vida diferente. <a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/livro\/vidas-secas\/\">Leia <em>Vidas Secas<\/em><\/a>.<\/p>\n<h2>Como um lugar se torna parte da hist\u00f3ria<\/h2>\n<p>Nos cinco livros, o espa\u00e7o interfere no que as personagens lembram, temem e podem fazer. O Rio de Bentinho \u00e9 reconstru\u00eddo pela mem\u00f3ria; Itagua\u00ed funciona como laborat\u00f3rio da ironia; Fortaleza exp\u00f5e regras sociais; o Maranh\u00e3o de <em>\u00darsula<\/em> guarda vozes silenciadas; o sert\u00e3o de <em>Vidas Secas<\/em> imp\u00f5e movimento e escassez.<\/p>\n<p>O Dia Mundial do Turismo foi criado para refletir sobre o papel social, cultural e econ\u00f4mico das viagens. Na literatura, a aproxima\u00e7\u00e3o com um lugar acontece de outra forma: o leitor n\u00e3o apenas observa a paisagem, mas acompanha as rela\u00e7\u00f5es humanas que a produziram.<\/p>\n<p>Escolha uma das cinco obras e comece a viagem pela primeira p\u00e1gina.<\/p>\n<h2>Fonte da data<\/h2>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/www.un.org\/en\/observances\/tourism-day\/background\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Na\u00e7\u00f5es Unidas: origem do Dia Mundial do Turismo<\/a>.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De Dom Casmurro a Vidas Secas, veja como o Rio de Janeiro, Itagua\u00ed, Fortaleza, o Maranh\u00e3o e o sert\u00e3o participam de cinco cl\u00e1ssicos brasileiros.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3941,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1241],"tags":[],"class_list":["post-3935","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-lista"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.6 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Onde se passa Dom Casmurro? Os cen\u00e1rios de 5 cl\u00e1ssicos<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Onde se passa Dom Casmurro? Conhe\u00e7a tamb\u00e9m os cen\u00e1rios de O Alienista, A Normalista, \u00darsula e Vidas Secas, e como cada espa\u00e7o participa da narrativa.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/onde-se-passam-classicos-literatura-brasileira\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Onde se passa Dom Casmurro? Os cen\u00e1rios de 5 cl\u00e1ssicos\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Onde se passa Dom Casmurro? 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