{"id":3901,"date":"2026-09-21T19:00:12","date_gmt":"2026-09-21T22:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/?p=3901"},"modified":"2026-09-21T19:07:00","modified_gmt":"2026-09-21T22:07:00","slug":"poemas-sobre-a-primavera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/poemas-sobre-a-primavera\/","title":{"rendered":"7 poemas sobre a primavera: flores, amores e a passagem do tempo"},"content":{"rendered":"<p>A primavera de 2026 come\u00e7a no Hemisf\u00e9rio Sul em 22 de setembro, \u00e0s 21h05 no hor\u00e1rio de Bras\u00edlia. Na poesia, a esta\u00e7\u00e3o pode ser um jardim cheio de vida, o come\u00e7o de um amor ou uma imagem para a juventude. Tamb\u00e9m pode lembrar que o tempo passa, mesmo quando as flores voltam.<\/p>\n<p>Estes sete poemas mostram sentidos diferentes para a primavera. Castro Alves e Florbela Espanca a aproximam do amor; Casimiro de Abreu celebra sua energia; Cec\u00edlia Meireles transforma um jardim em brincadeira. Auta de Souza, Alberto Caeiro e M\u00e1rio Quintana levam a esta\u00e7\u00e3o para a mem\u00f3ria, a observa\u00e7\u00e3o da natureza e a dan\u00e7a coletiva.<\/p>\n<h2>1. \u201cA volta da primavera\u201d, de Castro Alves<\/h2>\n<p>Em \u201cA volta da primavera\u201d, a renova\u00e7\u00e3o da natureza se torna uma imagem para o retorno da esperan\u00e7a amorosa. O poema come\u00e7a sob o peso do sofrimento, mas procura no contato com a pessoa amada uma for\u00e7a capaz de reanimar aquilo que parecia gasto.<\/p>\n<p>Castro Alves n\u00e3o separa a beleza da esta\u00e7\u00e3o da dor anterior. Flores, luz, aves e vegeta\u00e7\u00e3o ganham sentido porque surgem depois da experi\u00eancia de queda e desalento. A primavera, assim, n\u00e3o apaga o sofrimento: ela oferece ao eu l\u00edrico uma linguagem para imaginar que ainda \u00e9 poss\u00edvel reviver.<\/p>\n<blockquote><p>AI! N\u00e3o maldigas minha fronte p\u00e1lida,<br \/>\nE o peito gasto ao referver de amores.<br \/>\nVegetam louros \u2014 na caveira esqu\u00e1lida<br \/>\nE a sepultura se reveste em flores.<\/p>\n<p>Bem sei que um dia o vendaval da sorte<br \/>\nDo mar lan\u00e7ou-me na gelada areia.<br \/>\nSerei&#8230; que importa? o D. Juan da morte<br \/>\nD\u00e1-me o teu seio \u2014 e tu ser\u00e1s Haid\u00e9ia!<\/p>\n<p>Pousa esta m\u00e3o \u2014 nos meus cabelos \u00famidos!&#8230;<br \/>\nEnsina \u00e0 brisa ondula\u00e7\u00f5es suaves!<br \/>\nD\u00e1-me um abrigo nos teus seios t\u00famidos!<br \/>\nFala!&#8230; que eu ou\u00e7o o pipilar das aves!<\/p>\n<p>J\u00e1 viste \u00e0s vezes, quando o sol de maio<br \/>\nInunda o vale, o matagal e a veiga?<br \/>\nMurmura a relva: &#8220;Que suave raio!&#8221;<br \/>\nResponde o ramo: &#8220;Como a luz \u00e9 meiga!&#8221;<\/p>\n<p>E, ao doce influxo do clar\u00e3o do dia,<br \/>\nO junco exausto, que cedera \u00e0 enchente,<br \/>\nLevanta a fronte da lagoa fria&#8230;<br \/>\nMergulha a fronte na lagoa ardente &#8230;<\/p>\n<p>Se a natureza apaixonada acorda<br \/>\nAo quente afago do celeste amante,<br \/>\nDiz!&#8230; Quando em fogo o teu olhar transborda,<br \/>\nN\u00e3o v\u00eas minhalma reviver ovante?<\/p>\n<p>\u00c9 que teu riso me penetra nalma \u2014<br \/>\nComo a harmonia de uma orquestra santa \u2014<br \/>\n\u00c9 que teu riso tanta dor acalma&#8230;<br \/>\nTanta descren\u00e7a!&#8230; Tanta ang\u00fastia!&#8230; Tanta!<\/p>\n<p>Que eu digo ao ver tua celeste fronte,<br \/>\n&#8220;O c\u00e9u consola toda dor que existe.<br \/>\nDeus fez a neve \u2014 para o negro monte!<br \/>\nDeus fez a virgem \u2014 para o bardo triste!&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>Leia o uma <a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/a-volta-da-primavera-de-castro-alves\/\">an\u00e1lise de \u201cA volta da primavera\u201d, de Castro Alves<\/a>.<\/p>\n<h2>2. \u201cPrimavera\u201d, de Florbela Espanca<\/h2>\n<p>O soneto \u201cPrimavera\u201d, de Florbela Espanca, aproxima a transforma\u00e7\u00e3o da paisagem de uma mudan\u00e7a \u00edntima. O campo floresce enquanto a voz do poema deixa para tr\u00e1s uma apar\u00eancia de tristeza e se prepara para o encontro amoroso. A esta\u00e7\u00e3o funciona como acontecimento externo e como estado emocional.<\/p>\n<p>Essa abertura n\u00e3o garante que o amor se realizar\u00e1. O poema \u00e9 constru\u00eddo pela espera: a pessoa desejada ainda precisa chegar. A abund\u00e2ncia de flores e aromas intensifica a expectativa, mas tamb\u00e9m revela a aus\u00eancia que permanece no presente. A alegria anunciada depende de um encontro futuro.<\/p>\n<blockquote><p>\u00c9 Primavera agora, meu Amor!<br id=\"mwBg\" \/>O campo despe a veste de estamenha;<br id=\"mwBw\" \/>N\u00e3o h\u00e1 \u00e1rvore nenhuma que n\u00e3o tenha<br id=\"mwCA\" \/>O cora\u00e7\u00e3o aberto, todo em flor!<br id=\"mwCQ\" \/><br id=\"mwCg\" \/>Ah! Deixa-te vogar, calmo, ao sabor<br id=\"mwCw\" \/>Da vida&#8230; n\u00e3o h\u00e1 bem que nos n\u00e3o venha<br id=\"mwDA\" \/>Dum mal que o nosso orgulho em v\u00e3o desdenha!<br id=\"mwDQ\" \/>N\u00e3o h\u00e1 bem que n\u00e3o possa ser melhor!<br id=\"mwDg\" \/><br id=\"mwDw\" \/>Tamb\u00e9m despi meu triste burel pardo,<br id=\"mwEA\" \/>E agora cheiro a rosmaninho e a nardo<br id=\"mwEQ\" \/>E ando agora tonta, \u00e0 tua espera&#8230;<br id=\"mwEg\" \/><br id=\"mwEw\" \/>Pus rosas cor-de-rosa em meus cabelos&#8230;<br id=\"mwFA\" \/>Parecem um rosal! Vem desprend\u00ea-los!<br id=\"mwFQ\" \/>Meu Amor, meu Amor, \u00e9 Primavera!&#8230;<\/p><\/blockquote>\n<h2>3. \u201cPrimaveras\u201d, de Casimiro de Abreu<\/h2>\n<p>Em \u201cPrimaveras\u201d, Casimiro de Abreu come\u00e7a com aves, flores, brisa e uma paisagem que parece inteira em festa. A esta\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m a manh\u00e3 da vida: o entusiasmo do mundo natural acompanha o da juventude. O poema foi inclu\u00eddo em <em>As Primaveras<\/em>, livro publicado em 1859.<\/p>\n<p>Na segunda parte, uma nuvem atravessa o c\u00e9u sereno e aparecem flores murchas e um canto de tristeza. A mudan\u00e7a n\u00e3o domina o poema. O jasmim pode se erguer de novo, a tempestade passa, e o amor devolve \u00e2nimo \u00e0 voz po\u00e9tica. A alegria aqui n\u00e3o depende de fingir que n\u00e3o h\u00e1 dias dif\u00edceis.<\/p>\n<blockquote><p>I<\/p>\n<p>A primavera \u00e9 a esta\u00e7\u00e3o dos risos,<br \/>\nDeus fita o mundo com celeste afago,<br \/>\nTremem as folhas e palpita o lago<br \/>\nDa brisa louca aos amorosos frisos.<\/p>\n<p>Na primavera tudo \u00e9 vi\u00e7o e gala,<br \/>\nTrinam as aves a can\u00e7\u00e3o de amores,<br \/>\nE doce e bela no tapiz das flores<br \/>\nMelhor perfume a violeta exala.<\/p>\n<p>Na primavera tudo \u00e9 riso e festa,<br \/>\nBrotam aromas do vergel florido,<br \/>\nE o ramo verde de manh\u00e3 colhido<br \/>\nEnfeita a fronte da alde\u00e3 modesta.<\/p>\n<p>A natureza se desperta rindo,<br \/>\nUm hino imenso a cria\u00e7\u00e3o modula,<br \/>\nCanta a calhandra, a juriti arrula,<br \/>\nO mar \u00e9 calmo porque o c\u00e9u \u00e9 lindo.<\/p>\n<p>Alegre e verde se balan\u00e7a o galho,<br \/>\nSuspira a fonte na linguagem meiga,<br \/>\nMurmura a brisa: \u2014 Como \u00e9 linda a veiga!<br \/>\nResponde a rosa: \u2014 Como \u00e9 doce o orvalho!<\/p>\n<p>II<\/p>\n<p>Mas como \u00e0s vezes sobre o c\u00e9u sereno<br \/>\nCorre uma nuvem que a tormenta guia,<br \/>\nTamb\u00e9m a lira alguma vez sombria<br \/>\nSolta gemendo de amargura um treno.<\/p>\n<p>S\u00e3o flores murchas; \u2014 o jasmim fenece,<br \/>\nMas bafejado s&#8217;erguer\u00e1 de novo<br \/>\nBem como o galho do gentil renovo<br \/>\nDurante a noite, quando o orvalho desce.<\/p>\n<p>Se um canto amargo de ironia cheio<br \/>\nTreme nos l\u00e1bios do cantor mancebo,<br \/>\nEm breve a virgem do seu casto enlevo<br \/>\nD\u00e1-lhe um sorriso e lhe entumece o seio.<\/p>\n<p>Na primavera \u2014 na manh\u00e3 da vida \u2014<br \/>\nDeus \u00e0s tristezas o sorriso enla\u00e7a,<br \/>\nE a tempestade se dissipa e passa<br \/>\n\u00c0 voz mimosa da mulher querida.<\/p>\n<p>Na mocidade, na esta\u00e7\u00e3o fogosa,<br \/>\nAma-se a vida \u2014 a mocidade \u00e9 cren\u00e7a,<br \/>\nE a alma virgem nesta festa imensa<br \/>\nCanta, palpita, s&#8217;extasia e goza.<\/p>\n<p>1 de julho, 1858<\/p><\/blockquote>\n<h2>4. \u201cLeil\u00e3o de Jardim\u201d, de Cec\u00edlia Meireles<\/h2>\n<p>\u201cLeil\u00e3o de Jardim\u201d re\u00fane flores, borboletas, passarinhos, um raio de sol, um sapo jardineiro e at\u00e9 uma est\u00e1tua da Primavera. Cec\u00edlia Meireles apresenta tudo em perguntas, como se cada elemento pudesse ser oferecido num leil\u00e3o. A enumera\u00e7\u00e3o d\u00e1 movimento ao jardim e convida a olhar de perto o que costuma passar despercebido.<\/p>\n<p>A brincadeira funciona tamb\u00e9m para quem l\u00ea com crian\u00e7as: \u00e9 poss\u00edvel procurar cada ser vivo na imagina\u00e7\u00e3o e perceber que o raio de sol ou a can\u00e7\u00e3o da cigarra n\u00e3o s\u00e3o mercadorias comuns. A primavera aparece como parte desse cen\u00e1rio vivo, sem precisar ser explicada por um discurso sobre a esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>Quem me compra um jardim com flores?<br \/>\nborboletas de muitas cores,<br \/>\nlavadeiras e passarinhos,<br \/>\novos verdes e azuis nos ninhos?<\/p>\n<p>Quem me compra este caracol?<br \/>\nQuem me compra um raio de sol?<br \/>\nUm lagarto entre o muro e a hera,<br \/>\numa est\u00e1tua da Primavera?<\/p>\n<p>Quem me compra este formigueiro?<br \/>\nE este sapo, que \u00e9 jardineiro?<br \/>\nE a cigarra e a sua can\u00e7\u00e3o?<br \/>\nE o grilinho dentro do ch\u00e3o?<\/p>\n<p>(Este \u00e9 meu leil\u00e3o)<\/p><\/blockquote>\n<p>Leia o poema integral e a <a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/poema-leilao-de-jardim-cecilia-meireles-analise\/\">an\u00e1lise de \u201cLeil\u00e3o de Jardim\u201d na Literatura Online<\/a>.<\/p>\n<h2>5. \u201cCores\u201d, de Auta de Souza<\/h2>\n<p>Em \u201cCores\u201d, Auta de Souza usa as esta\u00e7\u00f5es para representar fases da vida. A primavera corresponde \u00e0 inf\u00e2ncia e \u00e0 juventude, quando alegria e esperan\u00e7a ainda ocupam o cora\u00e7\u00e3o. Crescer significa perceber que essa esta\u00e7\u00e3o passa e d\u00e1 lugar \u00e0 espera, \u00e0 ilus\u00e3o e, mais tarde, \u00e0 saudade.<\/p>\n<p>O poema inverte a associa\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica entre primavera e futuro. Ela se torna um tempo que ficou para tr\u00e1s e que s\u00f3 pode ser recuperado pela mem\u00f3ria. O contraste com a aproxima\u00e7\u00e3o do inverno transforma o ciclo natural numa reflex\u00e3o sobre amadurecimento e perda.<\/p>\n<blockquote><p>Enquanto a gente \u00e9 crian\u00e7a<br \/>\nTem no seio um doce ninho<br \/>\nOnde vive um passarinho<br \/>\nFormoso como a Esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>E ele canta noite e dia<br \/>\nPorque se chama: Alegria.<\/p>\n<p>Depois&#8230; vai-se a Primavera&#8230;<br \/>\n\u00c9 o tempo em que a gente cresce&#8230;<br \/>\nO riso se muda em prece,<br \/>\nA alma n\u00e3o canta: espera!<\/p>\n<p>E ao ninho do Cora\u00e7\u00e3o<br \/>\nDesce outra ave: a Ilus\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas esta, como a Alegria,<br \/>\nNos foge&#8230; E fica deserto<br \/>\nO cora\u00e7\u00e3o, na agonia<br \/>\nDo inverno que j\u00e1 vem perto.<\/p>\n<p>Nas ru\u00ednas da Mocidade<br \/>\n\u00c9 quando pousa a saudade&#8230;<\/p><\/blockquote>\n<p>Veja a <a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/cores-de-auta-de-souza-analise\/\">an\u00e1lise de \u201cCores\u201d, de Auta de Souza<\/a>.<\/p>\n<h2>6. \u201cQuando vier a Primavera\u201d, de Alberto Caeiro<\/h2>\n<p>Alberto Caeiro, heter\u00f4nimo de Fernando Pessoa, imagina a primavera chegando quando ele j\u00e1 n\u00e3o estiver vivo. As flores e as \u00e1rvores n\u00e3o dependem de uma pessoa para cumprir seus ciclos. Em vez de fazer da esta\u00e7\u00e3o uma promessa individual de renascimento, o poema observa a continuidade do mundo natural.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 tratada com serenidade, n\u00e3o como uma cena de sofrimento. Para Caeiro, a primavera vir\u00e1 no tempo dela e encontrar\u00e1 outros olhos para v\u00ea-la. O poema amplia a lista porque mostra uma maneira simples de reconhecer a beleza da esta\u00e7\u00e3o sem exigir que ela responda aos desejos de quem a contempla.<\/p>\n<blockquote><p>Quando vier a primavera,<br \/>\nSe eu j\u00e1 estiver morto,<br \/>\nAs flores florir\u00e3o da mesma maneira<br \/>\nE as \u00e1rvores n\u00e3o ser\u00e3o menos verdes que na primavera passada.<br \/>\nA realidade n\u00e3o precisa de mim.<\/p>\n<p>Sinto uma alegria enorme<br \/>\nAo pensar que a minha morte n\u00e3o tem import\u00e2ncia nenhuma.<\/p>\n<p>Se soubesse que amanh\u00e3 morria<br \/>\nE a primavera era depois de amanh\u00e3,<br \/>\nMorreria contente, porque ela era depois de amanh\u00e3.<br \/>\nSe esse \u00e9 o seu tempo, quando havia ela de vir sen\u00e3o no seu tempo?<br \/>\nGosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;<br \/>\nE gosto porque assim seria, mesmo que eu n\u00e3o gostasse.<br \/>\nPor isso, se morrer agora, morro contente,<br \/>\nPorque tudo \u00e9 real e tudo est\u00e1 certo.<\/p>\n<p>Podem rezar latim sobre o meu caix\u00e3o, se quiserem.<br \/>\nSe quiserem, podem dan\u00e7ar e cantar \u00e0 roda dele.<br \/>\nN\u00e3o tenho prefer\u00eancias para quando j\u00e1 n\u00e3o puder ter prefer\u00eancias.<br \/>\nO que for, quando for, \u00e9 que ser\u00e1 o que \u00e9.<\/p><\/blockquote>\n<h2>7. \u201cCan\u00e7\u00e3o da Primavera\u201d, de M\u00e1rio Quintana<\/h2>\n<p>Em \u201cCan\u00e7\u00e3o da Primavera\u201d, M\u00e1rio Quintana p\u00f5e a esta\u00e7\u00e3o em movimento: ela cruza o rio, atravessa um sonho e chega \u00e0 cidade adormecida. O catavento gira e o poema passa da observa\u00e7\u00e3o para um convite \u00e0 dan\u00e7a. A primavera n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma mudan\u00e7a na paisagem; re\u00fane pessoas em torno de um gesto comum.<\/p>\n<p>A repeti\u00e7\u00e3o da dan\u00e7a d\u00e1 ao texto um ritmo de can\u00e7\u00e3o e leva a cena at\u00e9 o florescimento das paineiras sobre os muros. O poema fecha esta sele\u00e7\u00e3o com energia, sem precisar afirmar que toda vida recome\u00e7a do zero a cada setembro. H\u00e1 apenas uma cidade, o vento, \u00e1rvores e gente que se deixa levar pela chegada da esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Primavera cruza o rio<br \/>\nCruza o sonho que tu sonhas.<br \/>\nNa cidade adormecida<br \/>\nPrimavera vem chegando.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Catavento enloqueceu,<br \/>\nFicou girando, girando.<br \/>\nEm torno do catavento<br \/>\nDancemos todos em bando.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dancemos todos, dancemos,<br \/>\nAmadas, Mortos, Amigos,<br \/>\nDancemos todos at\u00e9<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o mais saber-se o motivo\u2026<br \/>\nAt\u00e9 que as paineiras tenham<br \/>\nPor sobre os muros florido!<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Por que a primavera muda tanto de um poema para outro?<\/h2>\n<p>As esta\u00e7\u00f5es oferecem um ciclo conhecido, mas o significado depende de quem observa. Castro Alves aproxima a primavera da esperan\u00e7a amorosa; Florbela Espanca, da espera pelo encontro. Casimiro de Abreu faz da natureza uma festa que resiste a uma breve tristeza, enquanto Cec\u00edlia Meireles encontra num jardim a mat\u00e9ria de uma brincadeira.<\/p>\n<p>Em \u201cCores\u201d, Auta de Souza lembra uma juventude que passou. Caeiro aceita que as flores continuar\u00e3o a nascer sem ele. Quintana, por fim, convida a cidade a dan\u00e7ar. A mesma esta\u00e7\u00e3o pode ser alegria presente, mem\u00f3ria ou observa\u00e7\u00e3o tranquila do tempo: \u00e9 essa variedade que torna os poemas interessantes de ler lado a lado.<\/p>\n<h2>Fontes dos poemas e da data<\/h2>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/observatorio\/pt-br\/assuntos\/noticias\/primavera-2026-comeca-no-dia-22-de-setembro-entenda-o-que-e-o-equinocio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Observat\u00f3rio Nacional: in\u00edcio da primavera de 2026<\/a>.<\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/pt.wikisource.org\/wiki\/Espumas_Flutuantes_%281913%29\/A_Volta_da_Primavera\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cA volta da primavera\u201d, de Castro Alves, em <em>Espumas Flutuantes<\/em><\/a>.<\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/pt.wikisource.org\/wiki\/Primavera_%28Florbela_Espanca%29\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cPrimavera\u201d, de Florbela Espanca<\/a>.<\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/pt.wikisource.org\/wiki\/Primaveras\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cPrimaveras\u201d, de Casimiro de Abreu, em <em>As Primaveras<\/em><\/a>.<\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/sme.goiania.go.gov.br\/conexaoescola\/ensino_fundamental\/lingua-portuguesa-texto-poetico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cLeil\u00e3o de Jardim\u201d, de Cec\u00edlia Meireles, em material da Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de Goi\u00e2nia<\/a>.<\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/pt.wikisource.org\/wiki\/Quando_vier_a_Primavera\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cQuando vier a Primavera\u201d, de Alberto Caeiro<\/a>.<\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/pt.wikisource.org\/wiki\/Horto\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>Horto<\/em>, de Auta de Souza<\/a>.<\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/livro\/9788579621451\/cancoes-seguido-de-sapato-florido-e-a-rua-dos-cata-ventos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Editora: <em>Can\u00e7\u00f5es<\/em>, de M\u00e1rio Quintana<\/a>; <a href=\"https:\/\/peregrinacultural.com\/2016\/10\/02\/cancao-da-primavera-poesia-de-mario-quintana\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">transcri\u00e7\u00e3o de \u201cCan\u00e7\u00e3o da Primavera\u201d com refer\u00eancia \u00e0 antologia de 1961<\/a>.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sete leituras de Castro Alves, Florbela Espanca, Casimiro de Abreu, Cec\u00edlia Meireles, Auta de Souza, Alberto Caeiro e M\u00e1rio Quintana.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3904,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1241,5],"tags":[],"class_list":["post-3901","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-lista","category-poemas"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin 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