{"id":2881,"date":"2024-07-04T16:25:23","date_gmt":"2024-07-04T19:25:23","guid":{"rendered":"https:\/\/literaturaonline.com.br\/?p=2881"},"modified":"2024-07-04T16:25:23","modified_gmt":"2024-07-04T19:25:23","slug":"ao-pe-do-tumulo-de-auta-de-souza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/ao-pe-do-tumulo-de-auta-de-souza\/","title":{"rendered":"Ao P\u00e9 do T\u00famulo, de Auta de Souza"},"content":{"rendered":"<p>O poema &#8220;Ao P\u00e9 do T\u00famulo&#8221;, de <a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/poemas-de-auta-de-souza\/\">Auta de Souza<\/a>, faz uma reflex\u00e3o profunda sobre a morte e o descanso eterno.<\/p>\n<p>A poetisa tem uma vis\u00e3o serena e resignada sobre o fim da vida, com uma mensagem consoladora para aqueles que sofrem. Est\u00e3o presentes temas como liberta\u00e7\u00e3o das amarguras terrenas, esperan\u00e7a de paz ap\u00f3s a morte e consolo aos que ficam.<\/p>\n<h3>Ao P\u00e9 do T\u00famulo, de Auta de Souza<\/h3>\n<p>Eis o descanso eterno, o doce abrigo<br \/>\nDas almas tristes e despeda\u00e7adas;<br \/>\nEis o repouso, enfim; e o sono amigo<br \/>\nJ\u00e1 vem cerrar-me as p\u00e1lpebras cansadas.<\/p>\n<p>Amarguras da terra! eu me desligo<br \/>\nPara sempre de v\u00f3s&#8230; Almas amadas<br \/>\nQue solu\u00e7as por mim, eu vos bendigo,<br \/>\n\u00d3 almas de minh\u2019alma aben\u00e7oadas.<\/p>\n<p>Quando eu d\u2019aqui me for, anjos da guarda,<br \/>\nQuando vier a morte que n\u00e3o tarda<br \/>\nRoubar-me a vida para nunca mais&#8230;<\/p>\n<p>Em pranto escrevam sobre a minha lousa:<br \/>\n&#8220;Longe da m\u00e1goa, enfim, no c\u00e9u repousa<br \/>\nQuem sofreu muito e quem amou demais&#8221;.<\/p>\n<h3>An\u00e1lise do poema &#8220;Ao P\u00e9 do T\u00famulo&#8221;, de Auta de Souza<\/h3>\n<p>Auta de Souza, em &#8220;Ao P\u00e9 do T\u00famulo&#8221;, fala de aceita\u00e7\u00e3o e paz diante da <a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/a-morte-de-socrates\/\">morte<\/a>. Logo no in\u00edcio, a poetisa descreve o <a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/web-stories\/a-sinistra-maldicao-na-cova-de-william-shakespeare\/\">t\u00famulo<\/a> como &#8220;o descanso eterno&#8221; e &#8220;o doce abrigo \/ Das almas tristes e despeda\u00e7adas&#8221;, sugerindo que a morte traz al\u00edvio e tranquilidade para aqueles que sofreram em vida. H\u00e1 um tom de resigna\u00e7\u00e3o e consolo, presente ao longo de todo o poema.<\/p>\n<p>O segundo verso, &#8220;Eis o repouso, enfim; e o sono amigo \/ J\u00e1 vem cerrar-me as p\u00e1lpebras cansadas&#8221;, refor\u00e7a justamente essa ideia de que a morte \u00e9 um descanso, um descanso merecido ap\u00f3s uma vida de exaust\u00e3o e sofrimento. O <a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/hino-ao-sono-de-castro-alves\/\">sono<\/a> \u00e9 representado como um &#8220;amigo&#8221;, quase como uma pessoa real, que fecha as p\u00e1lpebras cansadas e transmite uma sensa\u00e7\u00e3o de conforto e serenidade, como em um abra\u00e7o acolhedor.<\/p>\n<p>No segundo quarteto, Auta de Souza fala do fim das &#8220;amarguras da terra&#8221;, um rompimento definitivo com as dores e dificuldades comuns da vida. Aben\u00e7oando as &#8220;almas amadas \/ Que solu\u00e7as por mim&#8221;, ela reconhece a dor dos que ficam, mas tamb\u00e9m os consola com sua b\u00ean\u00e7\u00e3o, criando um v\u00ednculo de amor e gratid\u00e3o.<\/p>\n<p>Os dois \u00faltimos tercetos do soneto fazem um olhar mais espec\u00edfico sobre o momento da morte. &#8220;Quando eu d\u2019aqui me for, anjos da guarda, \/ Quando vier a morte que n\u00e3o tarda \/ Roubar-me a vida para nunca mais&#8230;&#8221; refor\u00e7a a aceita\u00e7\u00e3o serena e inevit\u00e1vel do fim. A invoca\u00e7\u00e3o dos <a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/os-anjos-da-meia-noite-de-castro-alves\/\">anjos da guarda<\/a> \u00e9 um elemento espiritual e protetor, uma men\u00e7\u00e3o \u00e0 cren\u00e7a na continuidade e na prote\u00e7\u00e3o em um plano espiritual, al\u00e9m da vida na Terra.<\/p>\n<p>Finalmente, o eu-l\u00edrico menciona o que gostaria de ter escrito em seu t\u00famulo: &#8220;Longe da m\u00e1goa, enfim, no c\u00e9u repousa \/ Quem sofreu muito e quem amou demais&#8221;, inscri\u00e7\u00e3o que resume a ess\u00eancia do poema. Ela faz o papel de um <a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/epitafio-de-castro-alves\/\">epit\u00e1fio,<\/a> que guarda toda a dor e o amor vividos,\u00a0 al\u00e9m de uma mensagem de paz e reden\u00e7\u00e3o para os que ficarem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Ao P\u00e9 do T\u00famulo, Auta de Souza fala sobre a mortalidade, vendo na morte n\u00e3o um fim tr\u00e1gico, mas uma passagem para um descanso merecido.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2882,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-2881","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-poemas"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.6 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Ao P\u00e9 do T\u00famulo, de Auta de Souza<\/title>\n<meta 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