{"id":2281,"date":"2024-05-27T17:41:14","date_gmt":"2024-05-27T20:41:14","guid":{"rendered":"https:\/\/literaturaonline.com.br\/?p=2281"},"modified":"2024-05-28T19:36:59","modified_gmt":"2024-05-28T22:36:59","slug":"don-juan-de-moliere-hipocrisia-cidadaos-de-bem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/don-juan-de-moliere-hipocrisia-cidadaos-de-bem\/","title":{"rendered":"Don Juan de Moli\u00e8re e a hipocrisia dos atuais &#8220;cidad\u00e3os de bem&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>No cora\u00e7\u00e3o da obra &#8220;Don Juan&#8221;, o dramaturgo franc\u00eas Moli\u00e8re cria uma trama que vai al\u00e9m de meras aventuras galantes (frequentemente associadas ao lend\u00e1rio personagem &#8220;Don Juan&#8221;, j\u00e1 visitado por outros autores, como <a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/o-discurso-de-lord-byron-em-favor-dos-ludistas\/\">Lord Byron<\/a>) para tocar num tema bastante delicado e, por vezes, inc\u00f4modo: a <strong>hipocrisia social<\/strong>.<\/p>\n<p>O protagonista, Don Juan, n\u00e3o \u00e9 apenas um libertino, mas tamb\u00e9m um \u00f3timo exemplo da hipocrisia que permeava a sociedade da \u00e9poca. Moli\u00e8re, bastante afiado, cria um personagem que, consciente de sua conduta question\u00e1vel, decide <strong>se esconder atr\u00e1s da capa de virtude como uma estrat\u00e9gia para manipular e beneficiar-se ainda mais \u00e0s custas das pessoas ao seu redor<\/strong>.<\/p>\n<p>Don Juan afirma: &#8220;Se afirmei querer corrigir minha conduta e passar a viver uma vida exemplar, voc\u00ea devia ter percebido que isso \u00e9 apenas um projeto pol\u00edtico e, como tal, um estratagema para iludir os tolos<em>&#8220;.\u00a0<\/em>E vai al\u00e9m, deixando claro que &#8220;disso ningu\u00e9m mais se envergonha. Ao contr\u00e1rio, se orgulha. A hipocrisia \u00e9 um v\u00edcio. Mas est\u00e1 na moda. E todos os v\u00edcios na moda s\u00e3o virtudes.<em>&#8220;<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_2284\" aria-describedby=\"caption-attachment-2284\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2284\" src=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Dom-Juan-ou-Le-Festin-de-Pierre-em-Les-Oeuvres-posthumes-vol.-7-Paris-1682.jpg\" alt=\"Edi\u00e7\u00e3o de 1682 de Don Juan ou Le Festin de Pierre, de Moli\u00e8re\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Dom-Juan-ou-Le-Festin-de-Pierre-em-Les-Oeuvres-posthumes-vol.-7-Paris-1682.jpg 1200w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Dom-Juan-ou-Le-Festin-de-Pierre-em-Les-Oeuvres-posthumes-vol.-7-Paris-1682-300x200.jpg 300w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Dom-Juan-ou-Le-Festin-de-Pierre-em-Les-Oeuvres-posthumes-vol.-7-Paris-1682-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Dom-Juan-ou-Le-Festin-de-Pierre-em-Les-Oeuvres-posthumes-vol.-7-Paris-1682-768x512.jpg 768w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Dom-Juan-ou-Le-Festin-de-Pierre-em-Les-Oeuvres-posthumes-vol.-7-Paris-1682-150x100.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2284\" class=\"wp-caption-text\">Dom Juan, ou Le Festin de Pierre em Les Oeuvres posthumes, vol. 7, Paris, 1682.<\/figcaption><\/figure>\n<p>O mais instigante \u00e9 que Don Juan nem tenta esconder sua descren\u00e7a na honestidade e na virtude, admitindo abertamente ao seu servi\u00e7al, Sganarelle. <strong>Para Don Juan, a hipocrisia \u00e9 uma ferramenta &#8220;\u00fatil&#8221; e at\u00e9 &#8220;elegante&#8221;<\/strong>, permitindo que ele escape das consequ\u00eancias de suas a\u00e7\u00f5es, e julgue e critique as outras pessoas, enquanto se mant\u00e9m seguro sob a prote\u00e7\u00e3o de uma sociedade igualmente hip\u00f3crita.<\/p>\n<p>Essa cr\u00edtica de Moli\u00e8re aos &#8220;cidad\u00e3os de bem&#8221; de sua \u00e9poca aponta para a valoriza\u00e7\u00e3o superficial da apar\u00eancia de moralidade e virtude, deixando a autenticidade e a \u00e9tica verdadeira em segundo plano. Algo que com certeza podemos relacionar aos dias de hoje.<\/p>\n<h2>A contemporaneidade da cr\u00edtica: os cidad\u00e3os de bem de hoje em dia<\/h2>\n<p>A relev\u00e2ncia da cr\u00edtica social de Moli\u00e8re em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 hipocrisia n\u00e3o se perdeu com o passar dos s\u00e9culos. Ao contr\u00e1rio, o que o dramaturgo franc\u00eas capturou em &#8220;Don Juan&#8221; parece, infelizmente, fazer muito sentido quando olhamos para os dias de hoje.<\/p>\n<p>Hoje em dia, os chamados &#8220;cidad\u00e3os de bem&#8221;, assim como os criticados por Moli\u00e8re, frequentemente vestem uma m\u00e1scara de virtude e moralidade, mas apenas para ocultar pr\u00e1ticas question\u00e1veis ou mesmo para ganhar vantagem em situa\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas. Desde o eleitor, que aponta corrup\u00e7\u00e3o nos candidatos pol\u00edticos alheios enquanto ignora os atos corruptos do pr\u00f3prio candidato, at\u00e9 o pol\u00edtico, que defende puni\u00e7\u00f5es severas para criminosos menores enquanto ele pr\u00f3prio comete crimes do &#8220;colarinho branco&#8221;.<\/p>\n<p>O mais curioso \u00e9 que a tradu\u00e7\u00e3o de Mill\u00f4r Fernandes, profeticamente, at\u00e9 mesmo inclui o termo &#8220;cidad\u00e3o de bem&#8221;. Don Juan diz abertamente: &#8220;<em>O personagem do homem de bem \u00e9 o mais f\u00e1cil de interpretar em nossos dias. Qualquer hip\u00f3crita o representa com razo\u00e1vel per\u00edcia&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2283 aligncenter\" src=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Don-Juan-de-Moliere-e-a-hipocrisia-dos-atuais-cidadaos-de-bem.jpg\" alt=\"Um retrato de Moli\u00e8re \u00e0 esquerda, em um fundo com um olho chorando com as cores da bandeira do Brasil, muito associado aos chamados &quot;cidad\u00e3os de bem&quot; hoje em dia\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Don-Juan-de-Moliere-e-a-hipocrisia-dos-atuais-cidadaos-de-bem.jpg 1200w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Don-Juan-de-Moliere-e-a-hipocrisia-dos-atuais-cidadaos-de-bem-300x200.jpg 300w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Don-Juan-de-Moliere-e-a-hipocrisia-dos-atuais-cidadaos-de-bem-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Don-Juan-de-Moliere-e-a-hipocrisia-dos-atuais-cidadaos-de-bem-768x512.jpg 768w, https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Don-Juan-de-Moliere-e-a-hipocrisia-dos-atuais-cidadaos-de-bem-150x100.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/p>\n<p>Esses indiv\u00edduos, que se apressam em apontar os erros e falhas alheios, muitas vezes se esquecem de olhar para suas pr\u00f3prias imperfei\u00e7\u00f5es, escondendo-se por tr\u00e1s de uma aparente (mas apenas aparente) integridade moral. A <a href=\"https:\/\/literaturaonline.com.br\/blog\/epilogos-de-gregorio-de-matos-analise\/\">hipocrisia<\/a>, assim como na \u00e9poca de Moli\u00e8re, serve como um mecanismo de defesa ou uma estrat\u00e9gia para criticar e julgar os outros, protegendo-se em uma aura de falsa superioridade moral.<\/p>\n<p>E o caminho para isso \u00e9 f\u00e1cil e mais comum do que imaginamos. Don Juan atesa: &#8220;<em>Voc\u00ea n\u00e3o sabe quantos hip\u00f3critas eu conhe\u00e7o que, com alguns poucos estratagemas, limparam as manchas e os crimes de sua juventude. E a\u00ed, usando o escudo e o manto da religi\u00e3o, se transformaram em cidad\u00e3os respeit\u00e1veis, isto \u00e9, os homens mais canalhas deste mundo&#8221;<\/em>. Quantos exemplos recentes de pessoas que fazem uso da religi\u00e3o para apagar erros do passado, mas sem corrigi-los, de fato, voc\u00ea consegue pensar? Eu mesmo consigo lembrar de v\u00e1rios.<\/p>\n<p>N\u00e3o apenas o humor das pe\u00e7as de Moli\u00e8re segue afiado, mas tamb\u00e9m suas cr\u00edticas. Uma \u00f3tima e r\u00e1pida obra para uma reflex\u00e3o sobre \u00e9tica, moral e autenticidade em tempos de cidad\u00e3os de bem cada vez mais organizados. Se, por um lado, as sociedades modernas falam tanto em avan\u00e7os e evolu\u00e7\u00f5es, por outro, a obra de Moli\u00e8re nos lembram que certos v\u00edcios humanos persistem, levemente alterados ou n\u00e3o, ao longo dos s\u00e9culos.<\/p>\n<h2>O trecho em que Moli\u00e8re fala da hipocrisia social<\/h2>\n<p>Leia na \u00edntegra o trecho em quest\u00e3o e confira por si mesmo as semelhan\u00e7as entre os discursos de Don Juan e os atuais cidad\u00e3os de bem. A tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 de Mill\u00f4r Fernandes.<\/p>\n<blockquote><p><em><strong>DON JUAN<\/strong> &#8211; Fique tranquilo, eu n\u00e3o mudei em nada. N\u00e3o precisa temer, meus sentimentos s\u00e3o os mesmos de sempre.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>LEPORELO<\/strong> &#8211; N\u00e3o o atemorizou em nada nem mesmo a estupenda maravilha dessa est\u00e1tua andando e falando?<\/em><\/p>\n<p><em><strong>DON JUAN<\/strong> &#8211; Sim, sim. Bastante. A\u00ed tem qualquer coisa que n\u00e3o consigo entender. Mas, seja l\u00e1 o que for, n\u00e3o convence o meu esp\u00edrito nem abala a minha alma. E se afirmei querer corrigir minha conduta e passar a viver uma vida exemplar, voc\u00ea devia ter percebido que isso \u00e9 apenas um projeto pol\u00edtico e, como tal, um estratagema para iludir os tolos. No caso, me permitir\u00e1 continuar a me servir de um pai que sempre me foi \u00fatil. E me acobertar\u00e1, preventivamente, de mil situa\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis que ainda ir\u00e3o me acontecer. Tenho prazer em te confiar isso, Leporelo. \u00c9 confort\u00e1vel ter algu\u00e9m que nos conhe\u00e7a a fundo e saiba os verdadeiros motivos que nos conduzem \u00e0s a\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>LEPORELO<\/strong> &#8211; O qu\u00ea? O Senhor, que n\u00e3o acredita absolutamente em nada, acredita que v\u00e3o acreditar que \u00e9 um homem de bem?<\/em><\/p>\n<p><em><strong>DON JUAN<\/strong> &#8211; E por que n\u00e3o? Existem muitos outros que representam esse mesmo papel e usam a mesma m\u00e1scara para carambolar o mundo.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>LEPORELO<\/strong> &#8211; Carambolar? \u00c9&#8230; (\u00c0 parte) Ah! Que homem! Que homem!<\/em><\/p>\n<p><em><strong>DON JUAN<\/strong> &#8211; Disso ningu\u00e9m mais se envergonha. Ao contr\u00e1rio, se orgulha. A hipocrisia \u00e9 um v\u00edcio. Mas est\u00e1 na moda. E todos os v\u00edcios na moda s\u00e3o virtudes. O personagem do homem de bem \u00e9 o mais f\u00e1cil de interpretar em nossos dias. Qualquer hip\u00f3crita o representa com razo\u00e1vel per\u00edcia. E fica quase imposs\u00edvel saber se estamos diante de um hip\u00f3crita no papel de um homem de bem ou se conversamos com um homem de bem que banca o hip\u00f3crita para n\u00e3o ser humilhado como homem de bem. O exerc\u00edcio da hipocrisia oferece maravilhosas possibilidades. \u00c9 uma arte da qual faz parte natural a impostura, como o blefe, em certos tipos de jogos. E mesmo quando a impostura \u00e9 transparente, ningu\u00e9m ousa conden\u00e1-la, com medo de que isso abra o caminho para a condena\u00e7\u00e3o de imposturas mais habilidosas. Todos os outros v\u00edcios dos homens est\u00e3o sujeitos a censuras. Qualquer um se sente no direito e at\u00e9 na obriga\u00e7\u00e3o de conden\u00e1-los. Mas a hipocrisia \u00e9 um v\u00edcio privilegiado, que tapa a boca de todos que o percebem e transita na corte com vaidosa impunidade. Ficou at\u00e9 elegante. Chic. Hip\u00f3critas usam as mesmas m\u00e1scaras, os mesmos ademanes e comportamentos, e formam uma sociedade fechada e autoprotetora. Ofender um significa todos te ca\u00edrem em cima. E mesmo os que, vivendo em meio a eles, agem de boa-f\u00e9 e ficam perturbados com determinadas a\u00e7\u00f5es&#8230; Estranhas, sempre acabam envolvidos. Caem ingenuamente nas trampas dos hip\u00f3critas e, sem saber, d\u00e3o cr\u00e9dito \u00e0 cambada. Voc\u00ea n\u00e3o sabe quantos hip\u00f3critas eu conhe\u00e7o que, com alguns poucos estratagemas, limparam as manchas e os crimes de sua juventude. E a\u00ed, usando o escudo e o manto da religi\u00e3o, se transformaram em cidad\u00e3os respeit\u00e1veis, isto \u00e9, os homens mais canalhas deste mundo. Por mais que se saiba de suas intrigas e futricas, que se conhe\u00e7a e divulgue aquilo que realmente s\u00e3o, nem por isso eles perdem o prest\u00edgio e a estima das pessoas. Basta que inclinem a cabe\u00e7a um pouco, humildemente, que deem um ou dois suspiros fundos e mortificados, e rolem os olhos em dire\u00e7\u00e3o ao C\u00e9u, para serem reabilitados de tudo ou de qualquer coisa. \u00c9 nesse ref\u00fagio favor\u00e1vel que eu quero me abrigar e colocar em seguran\u00e7a meus interesses. Claro, n\u00e3o abandonarei nenhum dos meus saud\u00e1veis h\u00e1bitos. Apenas, de hoje em diante, vou me ocultar um pouco, agir mais em surdina. E se algu\u00e9m me descobrir, terei, sem mover sequer um dedo, toda a cabala correndo em meu socorro, defendendo os meus, e os dela! Interesses, contra tudo e contra todos. Enfim, adotei a maneira de fazer impunemente tudo que me der na telha. Posso me erigir, de agora em diante, em censor dos atos alheios, julgando duramente a todos; reservando meus elogios apenas ao comportamento de uma pessoa, a \u00fanica que sempre achei acima de qualquer suspeita. (Pausa) Eu. Se algu\u00e9m ousar me ofender, por m\u00ednima que seja a ofensa, eu n\u00e3o o perdoarei jamais, guardar-lhe-ei um \u00f3dio irredut\u00edvel, e ostensivo, o que intimidar\u00e1 outros candidatos \u00e0 difama\u00e7\u00e3o. Serei o vingador dos interesses do C\u00e9u e, sob esse manto assustador, perseguirei meus inimigos, acusando-os de impiedade, desencadeando contra eles o zelo e a persegui\u00e7\u00e3o dos carolas que, sem conhecimento de causa, os cobrir\u00e3o de inj\u00farias, condenando-os \u00e0 execra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. \u00c9 assim que se usa a fraqueza, a ignor\u00e2ncia e a pusilanimidade dos homens. \u00c9 assim que um s\u00e1bio torna virtudes os v\u00edcios de seu tempo.&#8221;<\/em><\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A obra de Moli\u00e8re nos prova que a sociedade evolui, mas que certos v\u00edcios humanos persistem \u2014 e at\u00e9 mesmo se aprimoram com o 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