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Hagwon americana, novo romance da autora de Pachinko, chega às livrarias

Terceiro romance de Min Jin Lee, Hagwon americana, sai no Brasil pela Intrínseca; família coreana, crise de 1997 e pressão por educação.

Capa e contracapa de Hagwon americana, novo romance de Min Jin Lee, autora de Pachinko.
Hagwon americana, terceiro romance de Min Jin Lee, acompanha uma família coreana afetada pela crise financeira asiática de 1997 e pela imigração para os Estados Unidos. Divulgação/Intrínseca.

Hagwon americana, novo romance da escritora coreano-americana Min Jin Lee, autora de Pachinko, chegou às livrarias brasileiras em 6 de outubro pela Intrínseca. A tradução é de Alessandra Esteche e Lígia Azevedo. O livro saiu nos Estados Unidos uma semana antes, em 29 de setembro, com o título American Hagwon.

É o terceiro romance de Lee e o primeiro desde Pachinko, de 2017. A autora o apresenta como parte de um projeto de quatro livros sobre a diáspora coreana, iniciado com Free Food for Millionaires, de 2007, ainda inédito no Brasil.

Sobre Hagwon Americana, de Min Jin Lee

A história acompanha os Koh, uma família de classe média de Seul formada por John, Helen e os três filhos, Bo, DH e Mido. Depois de uma traição e dos efeitos da crise financeira asiática de 1997, a família perde a estabilidade e se espalha pelo mundo, até se fixar no sul da Califórnia. Enquanto os filhos encontram novas oportunidades, os pais precisam se adaptar a um país em que a formação e a experiência deles valem pouco.

O título se refere aos hagwons, escolas particulares de reforço muito comuns na Coreia do Sul. Segundo a apresentação da Intrínseca, o romance mostra essas escolas por dois ângulos: como ferramenta de ascensão social e como centro de uma crise de saúde mental entre os jovens, causada pela competição e pela pressão por resultados. Mido, a filha caçula, acaba trabalhando num hagwon na Califórnia.

Em entrevista à rádio pública americana NPR, Lee explicou que hagwon “é a palavra coreana para centro de aprendizagem” e que o termo vale tanto para cursinhos preparatórios quanto para aulas de culinária ou piano (em tradução livre). A autora disse ter ficado comovida com as famílias que entrevistou durante a pesquisa: “Senti muita pena de todas essas pessoas que gastavam tanto do dinheiro suado delas, um dinheiro que nem tinham, para ajudar os filhos”.

Lee contou ainda que não frequentou um hagwon no sentido coreano, mas que, para conseguir vaga na faculdade que queria, os pais juntaram dinheiro para pagar um curso preparatório. “Nesse sentido, eu fui ao hagwon da América”, disse à NPR. Na mesma conversa, o entrevistador citou o Brasil entre os países por onde passam as famílias coreanas do livro, ao lado da Coreia do Sul, da Austrália e dos Estados Unidos.

Foi com Pachinko que Min Jin Lee ganhou leitores no Brasil. O romance, também publicado pela Intrínseca, acompanha quatro gerações de uma família coreana que vive no Japão ao longo do século 20 e encontra nos salões de pachinko, um jogo de apostas parecido com o fliperama, sua forma de sustento. O livro foi finalista do National Book Award, um dos principais prêmios literários dos Estados Unidos, e foi eleito pelo jornal The New York Times um dos 100 melhores livros do século. Em 2022, virou série da Apple TV+, que teve duas temporadas.

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