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Intrínseca vai lançar no Brasil The Disappearers, de Marlon James, que o New York Times chamou de romance da década

A Intrínseca vai publicar no Brasil, com previsão para junho de 2027, The Disappearers, romance de Marlon James sobre um ataque homofóbico em Kingston em 1988, finalista do Booker 2026 e chamado por Dwight Garner, do NYT, de romance da década.

Fotografia do romance The Disappearers, de Marlon James, em pé sobre uma bancada clara diante de uma parede verde-azulada. A capa amarela mostra a silhueta escura de um homem com pinceladas coloridas no rosto e no corpo, além do título e do nome do autor em letras brancas. Ao lado, apoiado na bancada, há um cartão preto com um trecho do livro em inglês, que começa com "The night just changed into something dark blue and whispery". Ampliar a imagem de destaque
The Disappearers, de Marlon James, finalista do Booker Prize 2026, vai ganhar edição brasileira pela Intrínseca em junho de 2027. Foto: Reprodução/Instagram/@marlonjameswriter

A Intrínseca comprou os direitos e vai lançar no Brasil The Disappearers, novo romance do jamaicano Marlon James, vencedor do Booker de 2015. A edição brasileira está prevista para junho de 2027, segundo a coluna de Walter Porto na Folha de S.Paulo publicada em 16 de outubro. O livro saiu em inglês em setembro e foi chamado pelo crítico Dwight Garner, do New York Times, de romance da década e possivelmente do século.

Na resenha publicada em 30 de agosto, Garner escreveu que James, em seu sexto livro, criou “uma obra-prima, o romance da década e possivelmente do século até agora” (em tradução livre). O crítico também descreveu o livro como “um banquete para maximalistas” e afirmou que ele coloca o autor “perto da frente da fila, daqui a uma ou duas décadas, para o Prêmio Nobel”.

A editora ainda não divulgou o título em português, o nome do tradutor nem o preço. Até a manhã de 17 de outubro, o livro também não aparecia na página do autor no site da Intrínseca.

Sobre The Disappearers

The Disappearers se passa em Kingston, capital da Jamaica, em 1988. Oito homens gays, desconhecidos entre si, começam a ensaiar em segredo uma peça de teatro, Fortune and Men’s Eyes, do canadense John Herbert. Numa noite, um ataque homofóbico mata um deles. O romance acompanha os sobreviventes nos anos seguintes: alguns tentam ignorar o que aconteceu, outros buscam vingança e alguns simplesmente desaparecem. A edição americana, da Riverhead Books, tem 640 páginas e foi lançada em 1º de setembro; no Reino Unido, o livro saiu pela Hamish Hamilton.

O ponto de partida é um episódio que circulou como boato na Jamaica e nunca foi comprovado. “O ataque do livro foi baseado num incidente que eu sentia nas entranhas que tinha acontecido. Eu só não conseguia provar”, disse James à rádio pública americana NPR. O autor, que cresceu em Kingston e passou anos sem assumir a homossexualidade, contou à revista Cultured que foi difícil mexer “justamente naquilo que me fazia ter medo de ser gay: ser espancado”.

O romance está entre os seis finalistas do Booker Prize 2026, anunciados em 22 de setembro, ao lado de livros de Elizabeth Strout, Douglas Stuart, M. John Harrison, Luke Kennard e Rebecca Perry. O vencedor será conhecido em 9 de novembro. Se levar o prêmio, James se juntará ao pequeno grupo de autores que venceram o Booker duas vezes.

Nascido em Kingston em 1970, Marlon James mora nos Estados Unidos, onde dá aulas de literatura e escrita criativa no Macalester College, em Minnesota. Estreou com John Crow’s Devil (2005) e publicou em seguida The Book of Night Women (2009). O reconhecimento internacional veio com Breve história de sete assassinatos, romance sobre a tentativa de assassinato de Bob Marley em 1976 e seus desdobramentos nas décadas seguintes, que venceu o Booker de 2015.

A Intrínseca já é a casa do autor no Brasil. Publicou Breve história de sete assassinatos em julho de 2017, com tradução de André Czarnobai, e Leopardo Negro, Lobo Vermelho em janeiro de 2021, também traduzido por Czarnobai. Esse livro abre a trilogia de fantasia Dark Star, inspirada em mitologias africanas. O segundo volume, Moon Witch, Spider King (2022), que reconta a história do ponto de vista da feiticeira Sogolon, ainda não ganhou edição brasileira, e o terceiro, White Wing, Dark Star, não foi lançado.

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