O Conto da Aia, romance distópico da canadense Margaret Atwood, voltou à lista dos livros mais vendidos da VEJA e aparece em 2º lugar entre os títulos de ficção no ranking com vendas até 16 de outubro de 2026, atrás apenas de Verity, de Colleen Hoover. Segundo a própria revista, o retorno se explica pelo uso do livro no debate político das redes sociais, onde a história é tomada como referência para discutir a ascensão da extrema direita e do pensamento teocrático, vistos por leitores e criadores de conteúdo como ameaças à democracia e aos direitos das mulheres.
A volta ao ranking, escreveu a VEJA na reportagem publicada em 16 de outubro, foi algo “que não ocorreu por acaso”. A edição brasileira, publicada pela Rocco com tradução de Ana Deiró, soma 70 semanas na lista, não consecutivas, de acordo com a página de mais vendidos da revista.
A revista liga a procura pelo romance a episódios recentes da campanha eleitoral brasileira. O texto cita aliados do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), entre eles um influenciador que ofendeu jornalistas durante uma transmissão ao vivo em julho e uma deputada estadual do partido que costuma ser comparada nas redes a Serena Joy, personagem do livro que defende o regime antifeminista. A VEJA faz uma ressalva: “As comparações feitas nas redes sociais não significam que o Brasil esteja prestes a reproduzir a sociedade fictícia do livro”, mas refletem, segundo a revista, preocupações com ataques à democracia, desqualificação de jornalistas e manifestações misóginas.
A reportagem não menciona outros fatores, mas o universo do livro também esteve em evidência no streaming em 2026. A série Os Testamentos: Das Filhas de Gilead, continuação de The Handmaid’s Tale, estreou em 8 de abril no Disney+, com a volta de Ann Dowd no papel de Tia Lydia, segundo a Rolling Stone Brasil. A primeira temporada teve dez episódios, e o Hulu já renovou a produção para um segundo ano, com oito, depois de a série passar de 45 milhões de horas assistidas no mundo, como noticiou o Omelete.
Sobre O Conto da Aia
Publicado em 1985, O Conto da Aia se passa na República de Gilead, regime teocrático e totalitário instalado no território dos Estados Unidos depois da ruptura da ordem democrática. As mulheres perdem direitos básicos e são divididas em categorias com funções impostas pelo Estado. A narradora, Offred, é uma aia: pertence ao governo e existe para gerar filhos para famílias da elite, num país onde uma catástrofe deixou boa parte da população estéril. Jornais, livros e universidades desapareceram, e quem desobedece pode ser executado e exposto em praça pública.
No Brasil, o romance saiu primeiro em 1987, pela editora Marco Zero, com o título A História da Aia e tradução de Márcia Serra. A Rocco lançou a tradução de Ana Deiró, já como O Conto da Aia, em 2006, e voltou a publicá-la em 2017, ano da estreia da série de TV, segundo levantamento de uma monografia da Universidade Federal de Uberlândia sobre a tradução. A edição atual da Rocco tem 384 páginas.
A sequência, Os Testamentos, foi lançada em 2019 e se passa cerca de 15 anos depois dos acontecimentos do primeiro livro. Com ela, Atwood dividiu o Booker Prize daquele ano com a britânica Bernardine Evaristo, autora de Garota, mulher, outras: o júri quebrou a regra que proibia premiar dois livros. No Brasil, a continuação também saiu pela Rocco, com tradução de Simone Campos.
A adaptação original, The Handmaid’s Tale, foi produzida pelo Hulu a partir de 2017, com Elisabeth Moss como June Osborne (o nome verdadeiro de Offred), e venceu o Emmy de melhor série dramática no ano de estreia. A série teve seis temporadas. A última chegou ao Brasil em abril de 2025, com exclusividade no Paramount+; as temporadas anteriores passaram por serviços como Globoplay, Disney+ e Prime Video, e a disponibilidade varia conforme o catálogo de cada plataforma.
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