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Canadense Anne Carson vence o Nobel de Literatura 2026

A poeta canadense Anne Carson, autora de Autobiografia do Vermelho, vence o Nobel de Literatura 2026; perfil e livros publicados no Brasil.

Anne Carson fala ao microfone durante uma apresentação, com uma das mãos levantada.
Anne Carson, poeta, ensaísta e tradutora canadense, vencedora do Nobel de Literatura 2026. Foto: Shawn Miller/Library of Congress.

A poeta, ensaísta e tradutora canadense Anne Carson venceu o Nobel de Literatura 2026. O anúncio foi feito pela Academia Sueca na manhã desta quinta-feira (8), em Estocolmo. Carson tem 76 anos e é conhecida por livros que misturam poesia, ficção, ensaio e tradução, quase sempre em diálogo com a literatura da Grécia antiga.

Segundo o comunicado oficial do Nobel, a autora foi escolhida “por sua obra ousada e inventiva que, em diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea” (em tradução livre). O prêmio vale 12 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 6 milhões, e será entregue numa cerimônia em Estocolmo em dezembro.

Comunicado da Academia Sueca anuncia Anne Carson como vencedora do Nobel de Literatura 2026.
Comunicado oficial da Academia Sueca anuncia Anne Carson como vencedora do Nobel de Literatura 2026, em 8 de outubro. Divulgação/Academia Sueca.

A secretária permanente da Academia Sueca, Ingrid Carlberg, contou que deu a notícia à escritora por telefone pouco antes do anúncio público. “O que ela teve tempo de me dizer foi que está, no momento, na Islândia, onde está assistindo ao evento”, disse Carlberg, segundo a BBC News Brasil. “Ela foi pega de surpresa, mas ficou muito feliz. Pude perceber isso em sua voz.”

Carson sucede o húngaro László Krasznahorkai, premiado em 2025. Antes dela, a última autora canadense a receber o Nobel de Literatura foi a contista Alice Munro, em 2013. A brasileira Adélia Prado aparecia nas apostas para este ano.

Quem é Anne Carson

Anne Carson nasceu em 1950, em Toronto. Além de escritora, é tradutora de literatura grega antiga e foi professora de estudos clássicos por mais de 30 anos. Essa formação aparece em quase tudo o que escreve: mitos, fragmentos de poetas gregos e tragédias de Sófocles servem de ponto de partida para textos que não respeitam as fronteiras entre os gêneros literários.

O primeiro livro, Eros, o doce-amargo, saiu em 1986. Nasceu da tese de doutorado da autora e investiga a ideia de desejo a partir da poeta grega Safo, a primeira a chamar Eros, o deus do amor, de “doce-amargo”. A obra mais conhecida é Autobiografia do vermelho, de 1998, um romance em versos (narrativa longa contada em poesia). Nele, Carson parte de fragmentos do poeta grego Estesícoro sobre Gerião, monstro vermelho morto por Héracles, e transforma o personagem num adolescente que vive um relacionamento amoroso turbulento.

Em 2001, com A beleza do marido, Carson se tornou a primeira mulher a vencer o Prêmio T. S. Eliot, um dos principais de poesia do Reino Unido, segundo o The Guardian. No mesmo ano, Men in the Off Hours ganhou a primeira edição do Prêmio Griffin de poesia, no Canadá. Ela também recebeu bolsas das fundações Guggenheim e MacArthur.

Um dos livros mais citados da autora é Nox, de 2010. Escrito depois da morte do irmão dela, foi publicado como uma caixa com uma folha sanfonada que reproduz o caderno feito por Carson durante o luto. A ensaísta americana Susan Sontag foi uma das primeiras leitoras entusiasmadas: “Ela é uma das poucas escritoras de língua inglesa de quem eu leria qualquer coisa que escrevesse”, disse, em fala lembrada pelo Guardian.

Livros de Anne Carson publicados no Brasil

Sete livros da autora têm edição brasileira, por três editoras:

  • Autobiografia do vermelho (Editora 34), tradução de Ismar Tirelli Neto.
  • Sobre aquilo em que eu mais penso (Editora 34), coletânea de 11 ensaios organizada por Sofia Nestrovski e Danilo Hora, com tradução de Sofia Nestrovski.
  • Eros, o doce-amargo (Bazar do Tempo), tradução de Julia Raiz.
  • A beleza do marido (Bazar do Tempo), tradução de Julia Raiz e Emanuela Siqueira. A história de um casamento que desmorona, contada em 29 “tangos”.
  • Antigonick (Bazar do Tempo), tradução de Julia Raiz. Versão livre da tragédia Antígona, de Sófocles, com um personagem novo, o silencioso Nick.
  • Vidro, ironia e Deus (Relicário), tradução de Ana Lisboa. Reúne cinco poemas longos e um ensaio, entre eles “O ensaio de vidro”, sobre o fim de um amor, em diálogo com Emily Brontë.
  • Falas curtas (Relicário), tradução de Laura Erber e Sergio Flaksman. Poemas em prosa sobre figuras como Brigitte Bardot, Gertrude Stein e Sylvia Plath.

Para quem quer começar, Autobiografia do vermelho é o livro mais celebrado da autora e o que melhor mostra a mistura de mito grego, narrativa e poesia que o comitê do Nobel destacou.

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